– As contrariedades do futebol brasileiro, segundo o Zé.

O Zé Boca de Bagre, um amigo em comum que tenho com o saudoso Professor Reinaldo Basile (quem não se lembra dele pelas ondas do rádio jundiaiense?) é um inconformado. Ele não tem papas na língua e tasca seus comentários ácidos.

Dias atrás, ele resolveu falar do Abel Ferreira, treinador do Palmeiras. O português reclamou dos investimentos no futebol do Flamengo, se comparado aos do Palmeiras. Mas o Verdão gastou quase 500 milhões de reais! Compare com todos os outros times da série A do Brasileirão. Pior ainda, o Zé Boca de Bagre não se conformou em ouvir, depois do jogo conta o Internacional, o Abel reclamando da arbitragem e usando o caso do Tápia, no São Paulo x Palmeiras, onde o time foi beneficiado! Detalhe: já faz meses que esse jogo ocorreu…

Eu argumentei ao Zé que o Abel faz a mesma coisa que o Felipão e o José Mourinho faziam (e ainda fazem): mudam o foco das críticas, criam fatos e acabam intimidando os jornalistas a fazerem perguntas.

Meu amigo Zé resolveu mudar de assunto. Quis falar das contratações dos times endividados. Falou do Corinthians ter o Memphis Depay e também do Vasco da Gama, que mesmo em recuperação judicial, estra contratando vários jogadores. A observação dele foi perfeita: “Se não paga o que deve e se endivida ainda mais, como vai estar em dia com as contas no futuro?”

Eu não tive o que falar ao Zé… pedi para ele falar sobre outra coisa, e ele me falou sobre as semifinais do Campeonato Carioca. Por que dois jogos na semifinal e apenas um na final? Não seria mais lógico dois jogos para a decisão (e jogo único na semi), como no Campeonato Paulista? E eu fiquei, novamente, sem argumentos.

Pedi para falar da Seleção Brasileira! Perguntei ao Zé o que ele achava de Ancelotti convocar ou não o Neymar para os próximos amistosos, e ele me deu “no meio”, bem bravo: “Por que convocar o Neymar? Ele precisa ser testado?”.

Eu até queria perguntar para ele, que é santista (Bagre, Peixe, Santos FC…), se a resposta foi “claro que sim, ele é craque e não precisa de teste”, ou “claro que não, ele é uma celebridade, não mais um atleta”. Para evitar o mau humor do Zé Boca de Bagre, quis fazer uma graça e perguntar a ele o que está achando desse novo momento da arbitragem brasileira, agora profissional. E me estrepei… ele ficou bravo!

“Ora, o que mudou? Melhorou o quê? São os mesmos caras apitando, com os mesmos erros de arbitragem e a mesma turma orientando. Você tá de brincadeira comigo?”.

Ops! Percebi que não estava agradando. Pensei em algo que pudesse melhorar o humor dele, e perguntei sobre os jovens jogadores brasileiros na Europa. Falei de Ryan, ex-Vasco, Estevão, ex-Palmeiras (ambos na Premiere League) e Endrick (agora na França). Aí sim, vi um certo brilho nos olhos dele. E me falou:

“Quer uma coisa boa do futebol brasileiro? É a capacidade de revelar jogadores! Ainda bem que eles estão na Europa, para aprenderem a jogar futebol em alto nível. Com eles, a gente vai trazer o Hexacampeonato Mundial naquela Copa de múltiplos países”.

E eu argumentei: “Ei, a Copa do Mundo será na América do Norte: EUA, Canadá e México. Por que o ‘múltiplos’”?

E o Zé encerrou o assunto me dizendo: “Mas quem disse que estou falando que esses meninos estarão prontos para a Copa de 2026? Eles serão os homens de 2030. Se no meio do ano o time der liga, pode até ser. Mas não podemos jogar a responsabilidade em cima de moleques que jogam vídeo-game para cobrar um Mundial”.

Eu poderia lembrar o Zé Boca de Bagre que Pelé era bem jovem quando ganhou sua primeira Copa. Mas… Pelé era Pelé, né?

Respeito os cabelos brancos do Zé e sua sinceridade.

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