– CBF: A Utopia dos Critérios e O Árbitro “Empático”.

Há coisas para as quais você respira fundo e pensa: a pessoa fez mau uso das palavras, ou não sabe o que significa?

Entenda: na apresentação do Impedimento Semiautomático do Brasileirão 2026 nessa segunda-feira, Rodrigo Martins Cintra, o chefe dos árbitros da CBF, disse que é utopia ter uniformização de critérios no Brasil.

Utopia é algo muito, muito, mas muito difícil de acontecer,  que crê-se que seja impossível. Mas por que ela acontece na Alemanha, na França, na Inglaterra (menos na Espanha e muito menos ainda em Portugal), e aqui não pode ocorrer?

Cintra foi meu contemporâneo na Federação Paulista, mas formado em turma posterior. Talvez ele tenha se esquecido de um dos melhores anos da arbitragem paulista que vivemos (talvez, o melhor), quando Gustavo Caetano Rogério (o melhor instrutor que tivemos) criou uma cartilha do que podia, do que não podia, o que tinha que marcar ou não, e como proceder – em relação aos critérios). Era o be-a-bá da arbitragem, um guia para que não se destoa-se as diferenças de critérios, aceitando ainda assim as individualidades dos árbitros. E deu certo!

Pediu cartão, Amarelo. Simulou, idem. A forma como alguém disputava com o goleiro, era alvo de avaliação criteriosa. Carrinho (já com as orientações rigorosas da FIFA) vermelho indiscutível – e o que era ou não o carrinho em si). E tantos outros regulamentos específicos para que ninguém tivesse dúvida de como interpretar e o que fazer.

De tal forma: uniformizar a arbitragem é difícil, mas não algo utópico. Foi possível sem tanta tecnologia há 25 anos, não seria hoje?

Outro ponto me chamou a atenção: sobre o Árbitro Empático que a CBF oferece. Disse Cintra a respeito dos juízes:

“Eles hoje são instruídos a fazer trabalho empático de saber o que clube, o que o campeonato e CBF esperam deles. São referência lá fora e precisam mostrar serviço todos os dias. Porque nosso futebol é um dos maiores”.

A empatia é se colocar no lugar do outro e tentar “sofrer” o que seu próximo sente. Os árbitros fazem isso? Prefiro árbitros antipáticos, cumpridores das Regras do Jogo e tecnicamente melhores. Aliás, um dia já fomos referência, hoje não… Vide que nenhum VAR esteve em Mundial até hoje.

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