– O efeito Ozempic: ele mudará a sociedade? Até na Bolsa de Valores dos EUA os efeitos são sentidos…

Você também não se assusta com a febre “Ozempic“, o medicamento para emagrecer que virou moda nos EUA?

Agindo no combate à saciedade, tem feito a indústria de alimentos repensar as porções de seus produtos e mexe diretamente na Economia do país.

E quando ele chegar ao Brasil?

Extraído de: https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/10/08/efeito-ozempic-leva-empresas-americanas-a-repensarem-modelo-de-negocios-entenda.ghtml

EFEITO OZEMPIC LEVA EMPRESAS AMERICANAS A REPENSAREM MODELO DE NEGÓCIOS

Walmart já percebeu redução na cesta de compras da sua clientela. Fabricantes de alimentos pensam em reduzir tamanho de produtos e recalculam suas estratégias

Como um consumidor menos faminto e com menos impulsos afeta o meu modelo de negócios? Essa é a pergunta que algumas empresas se fazem nos Estados Unidos, à medida que as vendas de medicamentos com efeito sobre o apetite, como Ozempic e Mounjaro , disparam.

Empresas como a gigante do varejo Walmart e a Conagra Brands, de alimentos, estão avaliando quanto os medicamentos para diabetes conhecidos como GLP-1s, cada vez mais usados para perda de peso, devem ser considerados em suas estratégias. As decisões que tomarem agora podem repercutir nos próximos anos, então a pressão para acertar é grande.

“As empresas vão exagerar. Os investidores inteligentes, vão agir, mas mais lentamente”, disse Gary Stibel, CEO da New England Consulting Group, que assessora empresas de consumo e saúde.

John Furner, CEO das operações dos EUA da Walmart, recentemente disse que a varejista está observando um “pequeno recuo na cesta geral” de compras de alimentos como resultado dos medicamentos, mas acrescentou que ainda é cedo para tirar conclusões definitivas.

Já o CEO da Conagra, Sean Connolly, disse aos investidores esta semana que sua empresa está analisando os dados e poderia oferecer porções menores no futuro se essa for a evolução das preferências.

Efeitos na Bolsa americana

Os comentários impactaram o mercado: o índice S&P 500 de Consumo Básico caiu 0,5% na sexta-feira.

Analistas do Bank of America projetaram riscos para as empresas de lanches e bebidas, dado que os GLP-1s reduzem o apetite – e também parecem reduzir o impulso de beber.

Mas não são apenas as categorias óbvias relacionadas a alimentos que podem ser afetadas. A perda de peso com os GLP-1s pode impulsionar reformas no guarda-roupa, de acordo com o Bank of America, especialmente entre os mais ricos, que podem arcar com esses medicamentos, que atualmente custam mais de US$1.000 por mês.

Varejistas do segmento plus size, como a Torrid Holdings, podem ver as vendas diminuírem, enquanto fabricantes de roupas fitness e artigos esportivos, como a Lululemon e a Deckers Outdoor, podem se beneficiar de estilos de vida mais saudáveis.

Jessica Ramírez, analista da Jane Hali & Associates, disse que a pandemia forneceu um potencial estudo de caso recente, já que muitos consumidores ganharam peso, enquanto outros perderam.

– Eles tiveram que repor o guarda-roupa – disse Jessica, observando que as empresas de vestuário não tiveram problemas em ajustar suas ofertas.

Empresas intensificam análise do efeito dos medicamentos no mercado

As empresas estão intensificando sua análise dos medicamentos diante de uma crescente sensação na comunidade científica de que os tratamentos representam uma verdadeira revolução.

Os cientistas estudam o hormônio GLP-1 há mais de três décadas, mas os medicamentos mais novos e potentes, como Wegovy e Mounjaro, abriram portas para novas descobertas e usos potenciais além da obesidade e diabetes.

– Estamos ainda aprendendo para o que mais isso pode ser bom. Trata-se de um território totalmente novo – disse Daniel Drucker, codescobridor do hormônio GLP-1, que é professor de medicina na Universidade de Toronto.

No mundo dos negócios, a maioria dos executivos ainda está adotando uma abordagem cautelosa.

Adnan Durrani, CEO da Saffron Road, que produz refeições congeladas, wraps de frango e lanches embalados de grão-de-bico crocante, disse que as empresas de lanches “estão falando sobre utilizar embalagens menores e coisas do tipo, e isso é um pensamento meio insensato porque ainda é muito cedo para saber o quanto isso vai impactar o comportamento do consumidor.”

Durrani lembrou a moda do olestra dos anos 1990, quando o substituto de gordura invadiu rapidamente as prateleiras de alimentos antes de ser descartado devido aos seus efeitos colaterais desagradáveis.

Bill Chidley, cofundador da consultoria de marca ChangeUp, citou o “efeito chicote” que essas tendências podem criar, lembrando das bolachas sem gordura e com baixo teor de gordura da SnackWell, que desapareceram do mercado.

A Dieta Atkins, que restringe o consumo de carboidratos e voltou a ganhar popularidade no início dos anos 2000, também é instrutiva. Ela impulsionou toda uma categoria de produtos, incluindo ketchup com baixo teor de carboidratos, sorvetes e refrigerantes.

Empresas como a American Italian Pasta Co., na época a maior fabricante de massas dos EUA, e a Krispy Kreme foram atingidas pela dieta, enquanto a Interstate Bakeries Corp., que era fabricante dos bolinhos Twinkies, citou a tendência quando pediu falência em 2004.

Mas em 2005, empresas como a General Mills estavam mudando de rumo, já que a popularidade da dieta diminuiu devido à falta de evidências de que ela proporciona uma perda de peso duradoura.

“Nós vivemos o que eu acho que acabou sendo uma moda, como nós prevíamos”, disse Richard Rosenfield, na época executivo da California Pizza Kitchen, em 2005. “Nunca pareceu afetar nossos negócios. Fomos muito bem durante essa loucura.”

Mas a Dieta Atkins não sumiu de todo. O Chipotle Mexican Grill tem tigelas de burrito para quem busca uma alimentação restrita em carboidratos. A Starbucks vende refeições proteicas de queijo e ovos.

A experiência pode ser instrutiva hoje, à medida que os analistas recalibram suas projeções com base no impacto esperado dos medicamentos. A Walmart, por exemplo, pode querer pensar duas vezes antes de encolher drasticamente sua seção de mercearia.

Em pesquisa, 70% dos entrevistados dizem estar comendo menos

Mesmo assim, descobertas recentes são surpreendentes. Uma pesquisa com usuários de GLP-1 pela Jefferies mostrou que mais de 40% dos entrevistados disseram que estavam comendo menos fora de casa. Uma porcentagem semelhante de pessoas relatou que estava pedindo menos comida.

Cerca de 70% disseram que estão comendo menos no geral, e aproximadamente a mesma quantidade relatou “maior consciência dos benefícios nutricionais dos alimentos”.

Com base nos resultados, os analistas da Jefferies afirmam que empresas de refeições prontas, incluindo Campbell Soup e Hershey, poderiam ser negativamente afetadas.

A situação, no entanto, não é tão clara, já que os analistas também apontam que cerca de 60% dos entrevistados planejam parar de usar GLP-1s assim que atingirem o peso desejado.

“Portanto, a questão permanece se os novos hábitos alimentares continuarão uma vez que o uso do medicamento diminua”, escreveram eles.

Os padrões de uso são outra incógnita. Os pacientes muitas vezes recuperam peso depois de parar de tomar os medicamentos, e os especialistas dizem que pode ser necessário tomar os remédios pelo resto da vida a fim de manter o peso.

“Sempre passamos por esses ciclos de um novo medicamento milagroso, um novo ingrediente alimentar milagroso”, disse Durrani, da Saffron Road.

Imagem de Getty Images, extraída de: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn064lnzd62o

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