– A Inclusão dos Gays, a discussão de padres casados, e a Comunhão aos Divorciados: o Sínodo e as posições inclusivas de Francisco.

Os católicos estão acompanhando o Sínodo que acontece no Vaticano (a reunião dos bispos do mundo inteiro, com a participação do Papa), e Francisco pediu para que todas as discussões sejam produtivas e lembrou que “se o Espírito Santo estiver no comando, será um bom Sínodo, e se Ele não estiver, não será”.

Vários temas atuais e delicados estão em pauta, e o Papa Francisco não tem tido medo de abordá-los.

Em dois blocos, as pautas atuais (de “O Globo”) e a posição mais acolhedora aos divorciados frente a Eucaristia (de “Vatican News”)

1 – Extraído de: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2023/10/04/na-abertura-do-sinodo-papa-pede-igreja-hospitaleira-de-portas-abertas-a-todos.ghtml

NA ABERTURA DO SÍNODO QUE DEBATERÁ ATÉ PADRE CASADO, PAPA PEDE QUE A IGREJA NÃO SEJA RÍGIDA E “OLHE PARA TRÁS”

O Papa Francisco não perdeu tempo e já na missa de abertura apresentou o tom da reunião, quando pediu uma Igreja “hospitaleira de portas abertas a todos”. Também recordou que no sínodo não há espaço para “estratégias humanas, cálculos políticos ou batalhas ideológicas”.

A 16ª Assembleia Geral Ordinária começou oficialmente na manhã desta quarta-feira com uma missa na Praça de São Pedro do Vaticano, com a participação do Pontífice, que discursará durante a tarde, antes do início formal dos debates. Diante das “expectativas, esperanças e alguns medos” provocados pelo sínodo, Francisco recordou que o encontro “não é um Parlamento”.

— Não estamos aqui para fazer uma reunião parlamentar ou um plano de reforma, mas para caminhar juntos — destacou, antes de alertar contra “algumas tentações perigosas”: — Ser uma Igreja rígida, que se arma contra o mundo e olha para trás; ser uma Igreja apática, que se submete às modas do mundo; ser uma Igreja cansada, fechada em si mesma.

Até 29 de outubro, os 365 membros com direito a voto e mais de 100 especialistas debaterão a portas fechadas, antes de apresentar suas propostas ao Pontífice. Francisco terá a palavra final sobre a eventual aplicação das medidas.

Porém, antes do início do evento, cinco cardeais conservadores pediram publicamente ao Papa que reafirme a doutrina católica sobre o tratamento aos casais homossexuais e a ordenação de mulheres. As perguntas do grupo aparecem em um texto com o título “Dúvidas”, enviado ao lado de uma carta aberta aos fiéis na qual alertam para o risco de “confusão” e “erro”. Também expressam o temor de que os temas apresentados no sínodo possam afastar muitos católicos.

Em sua resposta, o Pontífice, de 86 anos, pareceu sugerir uma via para a bênção dos casais homoafetivos por parte dos clérigos, algo não reconhecido pela Santa Sé mas praticado em países como Alemanha e Bélgica. Embora insista que a Igreja reconhece apenas o casamento entre homem e mulher, o Papa afirmou que não podemos ser juízes que apenas negam, rejeitam e excluem”.

“A prudência pastoral deve discernir adequadamente se há formas de bênção, solicitadas por uma ou mais pessoas, que não impliquem um conceito equivocado de matrimônio“, escreveu.

Desde que assumiu o pontificado, em 2013, Francisco trabalha para reformar a governança da Igreja, que pretende tornar menos vertical e mais próxima dos fiéis, embora tenha esbarrado em uma forte resistência interna. Pela primeira vez na história da Igreja, freiras e mulheres laicas poderão participar nas consultas do Sínodo e inclusive votar.

— Entre os bispos há uma cultura eclesiástica. Com a laicidade, isso não funcionará mais, não se contentarão com palavras bonitas, haverá uma demanda por procedimentos, vontade de mudar, de eficiência — declarou à AFP uma analista da Santa Sé que pediu anonimato. — Neste sentido, Francisco está ultrapassando os limites e, por isso, muitos sentem medo.

Uma segunda sessão da assembleia está programada para outubro de 2024, o que significa que nenhuma decisão concreta deve ser adotada rapidamente. Mas as expectativas são altas, assim como a preocupação, e as consultas revelaram até o momento opiniões diversas entre as Igrejas nacionais e entre estas e o Vaticano.

O Papa Francisco alertou no sábado sobre a necessidade dos católicos “caminharem juntos”. E pediu ao sínodo que permaneça acima das “conversas, da ideologia e da polarização”.

2- Extraído de: https://www.vaticannews.va/pt/vaticano/news/2023-10/doutrina-da-fe-respostas-divorciados-recasados-cardeal-duka.html

A DOUTRINA DA FÉ SOBRE OS SACRAMENTOS PARA DIVORCIADOS QUE VIVEM UMA NOVA ILUSÃO

No site do Dicastério, a resposta a uma série de perguntas propostas pelo cardeal arcebispo emérito de Praga Dominik Duka: no caso de novas uniões, todos os sacerdotes são chamados a propor um caminho de discernimento que mostre “o rosto materno da Igreja”.

A exortação apostólica Amoris laetitia, do Papa Francisco, abre a possibilidade de acesso aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia quando, em um caso particular, “existem limitações que atenuam a responsabilidade e a culpa”. Essa é uma das respostas publicadas no site do Dicastério para a Doutrina da Fé, a uma “série de perguntas” sobre “a administração da Eucaristia aos divorciados que vivem em uma nova união“. As perguntas foram apresentadas ao Dicastério em 13 de julho passado pelo cardeal Dominik Duka, arcebispo emérito de Praga, em nome da Conferência Episcopal Tcheca.

Deve-se considerar, diz o texto do Dicastério, que esse é um processo de acompanhamento que “não termina necessariamente com os sacramentos, mas pode ser direcionado para outras formas de integração na vida da Igreja: uma maior presença na comunidade, participação em grupos de oração ou de reflexão ou envolvimento em vários serviços eclesiais“.

Estamos, portanto, diante do acompanhamento pastoral como um exercício da “via caritatis”, que nada mais é do que um convite para seguir o caminho “de Jesus: da misericórdia e da integração”. Em 5 de setembro de 2016, os bispos da Região Pastoral de Buenos Aires haviam preparado para seus sacerdotes um texto explicativo da exortação apostólica intitulada Critérios básicos para a aplicação do capítulo VIII da Amoris laetitia, no qual enfatizavam que “não é apropriado falar de ‘licenças’ para o acesso aos sacramentos, mas de um processo de discernimento acompanhado por um pastor. Trata-se de um discernimento ‘pessoal e pastoral‘ (AL 300)”.

Deve-se considerar que, como lembra o Papa Francisco em sua carta ao Delegado da Região Pastoral de Buenos Aires, Amoris laetitia foi o resultado “do trabalho e da oração de toda a Igreja, com a mediação de dois Sínodos e do Papa”. Esse documento se baseia no “magistério dos Pontífices anteriores, que já reconheciam a possibilidade de os divorciados em novas uniões terem acesso à Eucaristia“, desde que assumam “o compromisso de viver em plena continência, ou seja, de se abster dos atos próprios dos cônjuges”, como foi proposto por João Paulo II. Ou que “se comprometam a viver seu relacionamento… como amigos”, como proposto por Bento XVI. O Papa Francisco mantém “a proposta de continência plena para os divorciados e recasados em uma nova união, mas admite que pode haver dificuldades em praticá-la e, portanto, permite em certos casos, após um discernimento adequado, a administração do sacramento da Reconciliação mesmo quando não se pode ser fiel à continência proposta pela Igreja.

Por outro lado, o Dicastério enfatiza que a exortação apostólica Amoris laetitia é um “documento do magistério pontifício ordinário, ao qual todos são chamados a oferecer o obséquio da inteligência e da vontade“. Ela afirma que os presbíteros têm a tarefa de “acompanhar os interessados no caminho do discernimento de acordo com o ensinamento da Igreja e as orientações do Bispo”. Nesse sentido, é possível, aliás, “é desejável que o Ordinário de uma diocese estabeleça certos critérios que, de acordo com o ensinamento da Igreja, possam ajudar os sacerdotes no acompanhamento e discernimento de pessoas divorciadas que vivem em uma nova união”. O cardeal Duka, em sua série de perguntas, referiu-se ao texto dos bispos da Região Pastoral de Buenos Aires e perguntou se a resposta do Papa Francisco à pergunta da seção pastoral da mesma arquidiocese de Buenos Aires poderia ser considerada uma afirmação do Magistério ordinário da Igreja. O Dicastério, sem dúvida, afirma que, como indicado no rescrito que acompanha os dois documentos na Acta Apostolicae Sedis, eles são publicados “velut Magisterium authenticum”, ou seja, como Magistério autêntico.

Quando questionado pelo cardeal Duka sobre quem deveria ser o avaliador da situação dos casais em questão, o Dicastério enfatiza que se trata de iniciar um itinerário de acompanhamento pastoral para o discernimento de cada pessoa individualmente. Nesse sentido, Amoris laetitia enfatiza que “todos os sacerdotes têm a responsabilidade de acompanhar as pessoas envolvidas no caminho do discernimento”. É o sacerdote, diz o documento, que “acolhe a pessoa, ouve-a atentamente e lhe mostra o rosto materno da Igreja, acolhendo sua reta intenção e seu bom propósito de colocar toda a sua vida à luz do Evangelho e de praticar a caridade”. Mas é cada pessoa, “individualmente, que é chamada a se colocar diante de Deus e a expor a Ele sua consciência, com suas possibilidades e limitações”. Essa consciência, acompanhada por um sacerdote e iluminada pelas orientações da Igreja, “é chamada a se formar para avaliar e fazer um julgamento suficiente para discernir a possibilidade de acesso aos sacramentos”.

Ao ser questionado se é apropriado que tais casos sejam tratados pelo Tribunal eclesiástico competente, o Dicastério aponta que, em situações em que uma declaração de nulidade pode ser estabelecida, o recurso ao Tribunal eclesiástico fará parte do processo de discernimento. O problema, observa-se, “surge nas situações mais complexas em que não é possível obter uma declaração de nulidade”. Nesses casos, “um processo de discernimento que estimule ou renove um encontro pessoal com Jesus Cristo também nos sacramentos” também pode ser possível. Como esse é um processo de discernimento individual, os divorciados recasados devem se fazer algumas perguntas para verificar suas responsabilidades e se perguntar como se comportaram com “seus filhos quando a união conjugal entrou em crise; se houve tentativas de reconciliação; qual é a situação do parceiro abandonado; quais são as consequências do novo relacionamento para o restante da família e para a comunidade de fiéis”.

Imagem extraída de Vatican News.

Um comentário sobre “– A Inclusão dos Gays, a discussão de padres casados, e a Comunhão aos Divorciados: o Sínodo e as posições inclusivas de Francisco.

  1. Que o Espírito ilumine na direção do Pai; que os preconceitos sejam quebrados e que a Igreja seja um lugar de acolhida e serviço nesses tempos tão difíceis

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