Algumas pessoas me perguntaram se a entrevista pós-jogo do treinador do Red Bull Bragantino, Pedro Caixinha, foi carregada de ironia ou de excesso de humildade. E a resposta é: nem uma coisa, nem outra.
Quem não o conhece, pode ter tido essa falsa impressão, mas o português é extremamente sóbrio. E os pontos foram:
1. Sobre brigar pelo título: ele foi claro ao dizer que não briga para ser Campeão Brasileiro, pois o objetivo é a classificação para a Libertadores. E há motivos: quando Maurício Barbieri chegou à final da Copa Sul-americana antes do previsto pela matriz Red Bull, criou-se uma ruim cobrança e uma grande antecipação de conquistas do processo. Isso pode trazer uma falsa ilusão! Pés-no-chão é importante, e se for possível, o título do Brasileirão será um adicional não desejado (mas bem-vindo).
2. Sobre não ser um bom ano dentro de campo: para muitos, uma grande surpresa vê-lo afirmar que a temporada não foi boa, mas ele ressaltou: refere-se aos mata-matas, pois parou na semifinal no Paulistão, foi eliminado pelo Ypiranga-RS na Copa do Brasil e por um “pênalti de queimada”, eliminado na Copa Sulamericana (por esse lado, em três momentos eliminatórios, detalhes foram preponderantes e isso o deixou inconformado).
3. Sobre mudar o jogo no intervalo: questionado sobre o que fez, não mentiu: procurou lembrar o que foi treinado durante o trabalho da semana e reforçou: “procurei dar serenidade à equipa”, disse. Aqui, fica a lembrança: Pedro Caixinha não quer holofotes ou rótulos, quer trabalhar bastante e exige comprometimento dos jogadores. Para isso, não pode existir desespero ou afobação, ele quer lucidez / razão.
4. Sobre prioridades da equipe durante o jogo: ele ressaltou que não pode gastar energia com aquilo que não é de seu controle (em várias oportunidades falou sobre não se desgastar em reclamar da arbitragem, se preocupar com situações periféricas ou algo assim), e de tal forma, destacou: preciso focar no que podemos controlar, como o ritmo de jogo, desempenho e as nuances do nosso trabalho. Tudo isso para ressaltar: durante os 90 minutos, tem que estar atento ao jogo, e não às polêmicas.
5 .Sobre uma discussão com um torcedor depois do jogo, ele resumiu: “o que acontece em Vegas, fica em Vegas”. Aqui, há um esclarecimento: há um sujeito folclórico (que não vale dar o holofote) que na derrota ou na vitória fica na mureta da arquibancada, “grudado” o jogo inteiro lá, “enchendo o pacová”. O próprio Caixinha disse que não valeria a polêmica, pois aquilo era uma rotina. Não me parece inteligente o cara “cornetar seu próprio técnico”, mas como paga o ingresso e está ali… paciência.
Eu gosto de me atentar às coletivas para aprender o que é importante e ver o que pode ser demagogia ou pontos a serem descartados. Caixinha tem bom conteúdo em suas falas.
Imagem: Crédito de Ari Ferreira / Red Bull Bragantino

