Em qual lugar na Regra do Jogo está escrito que é proibido comemorar o gol chutando o mastro da bandeira de escanteio?
Isso é feito há anos por Aloísio Boi-Bandido, é fato comum na Europa e vários outros atletas têm esse hábito. Só se advertirá se ele danificar o equipamento e o jogo tiver que ser paralisado para arrumá-lo.
O texto abaixo é a Regra Oficial do Jogo 2023/2024, e não fala de aplicação de amarelos como se vê aqui. No Brasil, orienta-se “à parte” (quase uma Regra Paralela) para que os jogadores comemorem junto à sua torcida e, em jogos de torcida única, com seus companheiros de banco.
Fica a questão: Luciano foi punido por Amarelo e na súmula registrado por Wilton Sampaio que o motivo foi ter chutado o mastro (não deveria por tal razão). Raphael Veiga não foi punido pelo árbitro FIFA Facundo Tello pelo mesmo motivo na Libertadores (corretamente). Ontem, o árbitro Rodrigo José Pereira de Lima deu amarelo a Pavón (que chutou o mastro também) por, segundo a súmula, “comemorar de forma provocativa”.
Fica a pergunta: nesse relato “meia-boca”, qual foi a provocação cometida? Se o árbitro escrevesse “chutar a bandeira”, não seria para cartão. O termo “provocativa” dá uma subjetividade enorme, e talvez seja a forma que a CBF encontrou para explicar os cartões e o excesso de rigor.
Creio que o árbitro tenha feito isso pela sequência dos fatos, a fim de justificar o comportamento da torcida, já que escreveu também:
“Informo que aos 23 minutos do segundo tempo, durante a comemoração do gol da equipe visitante, foram arremessados vários copos de plástico contendo líquidos para dentro do campo de jogo na direção dos jogadores da equipe visitante , cabe ressaltar que nenhum jogador foi atingido e os copos vieram da arquibancada da torcida mandante”.
Sendo assim, ele entendeu que se Pavón não comemorasse de tal forma, não teria arremesso de copos?
Será que não estamos “engessando” demais a todos? A culpa não é da regra do jogo, mas de quem a orienta.

