– Sobre a história do “bastidor do árbitro FIFA” a Hernan e sobre Abel Ferreira: Perseguição ou Não?

O jornalista André Herman, ao Programa “3 na área”, disse a Tiago Leifert:

“Vou a um bastidor de um cafezinho com um árbitro Fifa e o tema foi Abel Ferreira. E esse árbitro Fifa me disse: ‘No grupo dele dos principais árbitros, já existe uma mentalidade de que o Abel, tem que chegar nele e já dar um amarelo nele, caso contrário você perde o controle’. Na resenha dos árbitros, já existe uma perseguição, uma mentalidade de que ‘esse cara não pode crescer em cima da gente’. Existe uma perseguição e principalmente uma má vontade em cima do Abel”

Vamos lá: nessa fala, o árbitro FIFA fala da necessidade do Cartão Amarelo para não perder o controle, algo comum a qualquer treinador que passa do ponto e no bolerês: “quer apitar apitar o jogo”. Esse suposto árbitro FIFA não disse que “existe uma perseguição e uma má vontade ao Abel”, essa foi uma conclusão do jornalista que está sendo imputada.

Vamos entender como realmente funciona um bastidor de arbitragem pré-jogo, e se há jogador / treinador marcado?

Há os visados, pela lógica do bom ou mal comportamento:

Samuel Xavier (Fluminense), contra o Flamengo e contra o Corinthians, fingiu ter sido agredido. Gabigol contra o Bahia, idem. É óbvio que o árbitro que for apitar os próximos jogos desses atletas, terão atenção para não serem enganados.
Cocito, Chicão, Dinho, Felipe Melo, Gralak, entre outros: na dúvida se ”pegou na bola ou no adversário”, pelo histórico, o árbitro vai dar cartão.
Romário, Vampeta, Raí, Dida: em mesma situação, o árbitro decide que “não tem cartão, pois sempre se comportavam muito bem”.

Nesse ponto, me recordo de um São Paulo x Palmeiras apitado por Rodrigo Braguetto, onde Miranda cometeu um pênalti em Edmundo (e não foi marcado). Ali, o lance era duvidoso e o árbitro pensou: “quem reclama é o Edmundo (que reclama de tudo) e quem se envolveu é o Miranda (que nunca faz falta). Então não foi pênalti”. Errou, mas decidiu pela “fama dos jogadores” pois tinha dúvida técnica. Ou seja: a imagem construída acaba sendo levada a campo (poucos a reconstroem: Evair, no começo de carreira, e Dudu, eram altamente indisciplinados com os juízes e isso mudou).

Sobre ir a campo premeditado:

Isso é relativo. Como em todas as profissões, existem os bons e os maus. Na maioria das vezes, o árbitro não torce para seu colega em um clássico (porque ele queria estar no lugar do seu concorrente – e é uma triste realidade, pois nenhum juiz gosta de estar fora da rodada). Porém, o corporativismo nasce na hora que um árbitro é agredido ou sofre com alguém. Tipo: “fez com ele, mas não faz comigo”.

Existe ir PREPARADO, o que é diferente de premeditado. Você tem que estar pronto para as corriqueiras e para as eventuais situações. E isso é normal (e necessário), pois é plano de jogo. Equipes estudam seus adversários (e até as características dos árbitros) para vencerem o jogo. Árbitros estudam (ou deveriam, quem não faz) as equipes as quais arbitrarão para cumprir à perfeição seu trabalho, que é aplicar a regra do jogo (e não ser ludibriado durante a partida, ou “errar em algum lance evitável” pois não sabiam de alguma peculiaridade.

Um exemplo:
Jogos do Fernando Diniz, onde o posicionamento é um inferno, devido aos toques de bola. Se o árbitro não souber que ali não dá para ficar na “tradicional diagonal à esquerda da bola”, dançou. Ou jogos em que um time tem dificuldade de armar jogadas no meio-campo: esteja atento pois terá “bicão da defesa para o ataque”, e seus tiros terão que ser rápidos na passada para não ficar longe do lance.

Outros exemplos:

Grêmio do Felipão e o rodízio de faltas: sabendo da estratégia de matar o jogo com inúmeras infrações, pode e deve aplicar o “cartão coletivo”;
“Abraço de Jacaré” do Aloísio Chulapa: No São Paulo, ele se posicionava como um pivô na frente de um zagueiro, abraçava o adversário e se jogava para cavar faltas na entrada da área, para o Rogério Ceni cobrar e fazer o gol. Árbitro que estudava, dava a falta para a zaga (corretamente) e não para o ataque (pois foi o contrário).

De tal forma, é muito mais fácil Abel se comportar do que se criar narrativas. “Haja perseguição” para 50 cartões recebidos em tão pouco tempo…

Abel Ferreira: «Fez muito mal ao Danilo ter ido à seleção» - CNN Portugal

Imagen extraída de: https://cnnportugal.iol.pt/internacional/brasil/abel-ferreira-fez-muito-mal-ao-danilo-ter-ido-a-selecao

3 comentários sobre “– Sobre a história do “bastidor do árbitro FIFA” a Hernan e sobre Abel Ferreira: Perseguição ou Não?

  1. Rafael
    Para mim não foi surpresa este comentário. Existe sim corporativismo, prevenção , persiguicao de árbitros com técnicos e jogadores. Quem não sabe do problema do Godoi com Júnior Baiano? Ou do mesmo árbitro com Galeano? Cabe a uma Comissão atenta de não colocar os. Litigantes no mesmo jogo. Vou contar um caso que participei … Estava a frente do Safesp, quando era professor lá, com dois árbitros polêmicos e chegou um terceiro, que ia para um jogo de time grande. A conversa foi : toma cuidado com técnico Y que está muito folgado, reclamando de tudo, etc. O árbitro foi para o jogo e na primeira intervenção do técnico o excluiu do jogo (na época na tinha expulsão de CT). O árbitro foi previnido a excluir o técnico? Sim, claramente. A Comissão cabe não escalar Boschila, Wilton e clã Sampaio em jogos do Palmeiras; em não escalar Arleu etc.
    Estava no estádio e posteriormente vi na tv a expulsão do Abel com Zanovelli (como este cara chegou a FIFA? Nem pra básico CBF serve), nesta expulsão não aconteceu nada.
    Vivemos no meio do futebol e arbitragem muitos anos e sabemos que não tem nada novo nesta declaração. Pq Claus, Daronco e Luiz Flávio tem baixo índice de cartões com Abel e o clã Sampaio muito? É outro Abel ou as reclamações tem procedência, visto serem sempre os mesmos? Me esclareça por favor.

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  2. Caro Prof. Rafael, o Sr parou há muitos anos e não sabe como está a preparação da arbitragem nos dias atuais.

    Desde a criação dos delegados especiais, depois mudaram pera inspetores e hoje chamam de assessores, os árbitros fazem três reuniões técnicas, sendo duas antes e uma depois.

    Verifique com algum amigo da FIFA ou CBF como são conduzidas tais RT’s como eles chamam.

    Existem fotos em redes que comprovam isto.

    Um abraço !

    PS – Não sei se ajuda, mas as arbitragens com VAR tem menos polêmicas.

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