– A Paixão pela Arbitragem e os Sacrifícios à Toa! Quando você…

Quando você deixa o futebol entrar na sua vida, é difícil tirá-lo!

Quando você é jovem e se torna jogador, jornalista ou juiz de futebol, seus sonhos extravasam e você crê em quase tudo. Às vezes, faz vista grossa a algumas situações (como a ausência do lar, o custo financeiro da sua formação e o esforço para a conquista).

Quando você amadurece na idade e na profissão, começa a observar que algumas situações de superação foram valorosas e valiosas; outras, em vão e a esmo. Começa a distinguir interesses escusos e a separar o joio do trigo.

Quando você vai parar a sua atividade, fica pensando em nunca se separar daquilo que fazia anteriormente. Quer continuar inserido no mundo da bola, em outra função e com mais tempo para a vida privada.

Quando você não consegue se encaixar e se dá conta que está fora, bate o desespero. Talvez a falta de planejamento pós-carreira é o “algo implicador”. Nos EUA, no basquete universitário, você já tem coachings preparatórios para o futuro do ex-profissional. E aqui, não tendo, nasce o risco…

Quando você vê uma oportunidade para a reinserção, enlouquece com o desejo e, se não tiver uma sólida estrutura familiar e uma educação firme, abandona a sua experiência e deixa a paixão da juventude tomar conta de você. E volta a se cegar das coisas as quais não se pode fechar os olhos.

Quando eu pendurei o apito, as oportunidades nasceram naturalmente (por sorte, acaso ou coincidência – não pela minha competência). Fui um felizardo, uma exceção à regra. Me auto-declaro “Regra 18” na linguagem futebolística. Consegui diminuir o ritmo das atividades esportivas e conciliar com minhas atividades acadêmicas e comerciais. Aproveitei muito mais minha família, acabaram-se as enfadonhas reuniões de dirigentes que nada sabiam e ainda queriam ensinar coisas que inventavam justamente por desconhecimento.

Quando eu vejo ex-colegas árbitros felizes, nas redes sociais sem medo da punição de “otoridades / cartolas do apito”, sorrindo com seus filhos e filhas, apaixonados com suas esposas e curtindo tranquilamente o final de semana, me sinto feliz por eles!

Quando eu vejo ex-colegas árbitros trabalhando ainda no futebol, em atividades honestas e virtuosas, realizando-se em novas etapas sem perder a qualidade de vida familiar, comungo-me com eles.

Quando eu vejo ex-colegas árbitros mendigando espaço em Federações e Confederações para trabalharem em outra atividade, aceitando passivamente ordens de pessoas que há décadas se apropriaram da arbitragem de futebol e fizeram daquilo uma propriedade do seu ganha-pão, tenho pena. Sim, dó mesmo ao ver pessoas de bem se misturarem com aquelas que não ouso qualificar (mas tenho em mente minha opinião) e topam ganhar migalhas financeiras para continuarem no campo de jogo, permitindo se iludir pelos dirigentes. Não consegue largar o tenro e a gravata? Quer ficar tirando fotos com tablets à beira do gramado?

Quando eu me pergunto: “Por quê o cara encerra a carreira e aceita receber ordens de gente malquista pelo dinheiro de um almoço?”, abdicando da família como fez na juventude (pois financeiramente não compensa), só resta concluir: o futebol tomou conta por inteiro dele e o fanatismo o maculou; ou proibiu que a maturidade e o discernimento o fizesse ter o pé no chão.

Quando nós vemos pessoas dizendo que “devotaram uma vida inteira ao futebol”, perpetuando-se no poder ininterruptamente ou pulando de galho em galho nos cargos diversos, desconfie. Por quê Ricardo Teixeira não saia da CBF de jeito algum? Por quê um senhor como Marco Polo Del Nero não abdica do seu trono e vai curtir tranquilamente suas namoradas com o dinheiro que tem? Por quê dirigentes de vários setores do futebol (não estou citando nomes agora, mas que transitam entre clubes e sindicatos) nunca largam o osso?

Quando nós vemos tudo isso e questionamos: “É amor ao esporte? É um abnegado? É um sonhador? É um fanático?”, no fundo sabemos que é uma sede de poder e de vaidade.

Quando nós vemos tantos “ex” agindo como maus empresários de futebol, maus diretores, maus representantes de classe, maus “novos cargos” no esporte, imediatamente pensamos: “corrompeu-se por algum motivo“.

Quando todos sabem que algo que teoricamente é sacrificante e dia prejuízo, mas o sujeito quer insistir, é burrice ou picaretagem.

Quando alguém lhe diz: “Passarinho, de tanto andar com morcego, dirão que você dormiu em pé como morcego – MESMO QUE NÃO DURMA”, é hora de você mudar de companhias. As pessoas que você se relaciona no futebol são apresentáveis, ilibadas e reconhecidamente corretas?

Percebam que foram 16 “quandos” (1 por ano da minha carreira de árbitro), e sempre ouvi que havia “vida fora da arbitragem”. E é claro que há. Comecei o texto com os “eu“, passei para o “nós“, fui para o “todos” e parei no “alguém“, propositalmente, apenas para dizer: SOMOS autênticos? Unidos? Honestos conosco mesmo?

Lamento ver gente decente dando moral àqueles que já deviam estar fora da condução do futebol jogado, falado e apitado, abrindo mão do convívio familiar e do descanso merecido do trabalho semanal, engordando cofres de associações e “pagando pau” para cartolas.

Agora sou eu que digo: Há vida fora da arbitragem. Os amigos que leram essa postagem e sabem o que digo, devem-se repensar o pós-futebol e caírem fora do relacionamento com gente dúbia. Há “professores” que nada podem lhe ensinar ou agregar, tendo contestações na vida e conturbações diversas. Aprenderá o quê?

Compartilho essa reflexão que mostra o quanto nossas ações e convívios nos fazem ser o que realmente somos. Aqui: https://wp.me/p4RTuC-5e8 . Ande com gente de bem, e será do bem. Mas se fizer o contrário…

Não deixe o cartola te usar. Seja inteligente e prudente.

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2 comentários sobre “– A Paixão pela Arbitragem e os Sacrifícios à Toa! Quando você…

  1. Quantos e quantos destes que continuam exercendo a atividade no denominado amadorismo,. be, como, na função de vedor de árbitro ou cargo semelhante, quando na ativa prejudicaram seus colegas frequentando os imudos bastidores do futebol. Na pratica, verdade seja dita: Ser decente, solidário, não fuxicar e ter autocrita, maioria desconhecia e desconhece

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