– Fluminense 3 x 0 Palmeiras: pênalti da discórdia ou não?

Dando uma fuçada em antigos post na Internet, não me lembro de ter feito alguma análise de arbitragem positiva a Elmo Alves da Cunha. Nada contra o árbitro goiano, mas sim contra o azar (ou incompetência dele).

Há quanto tempo ele apita na série A? Todo ano, sempre um jogo aqui ou acolá. E só jogo bom, mas com atuação ruim.

Nesse sábado, no Maracanã, uma vergonhosa marcação de pênalti por uso indevido das mãos a favor do Fluminense contra o Palmeiras.

Vamos lá: aos 32 minutos, Wagner (FLU) cruza a bola para a grande área e Renato (SEP) dá um carrinho. A bola bate em seu braço despretensiosamente e sai para a linha de fundo.

Os jogadores do Fluzão já se encaminhavam para o escanteio, mas eis que se assustam: um tiro penal a favor do Tricolor Carioca! Até quem se beneficiou ficou constrangido…

Ali, nunca se poderá marcar um pênalti, pois a bola é quem bate no braço/mão, e não a mão/braço que busca atingir a bola.

O pior de tudo é que o Árbitro Adicional no. 2, o também goiano Bruno Rezende Silva, estava na frente da jogada! Até o bandeira no. 2 , seu xará e conterrâneo Bruno Raphael Pires poderia ter ajudado a avisar ao árbitro que não foi infração.

Entenda: para se marcar uma falta ou um pênalti por uso indevido da mão na bola, sempre deve-se avaliar a INTENÇÃO. No futebol, essa é a única infração onde não se pode avaliar IMPRUDÊNCIA ou FORÇA excessiva, as outras condicionais para se marcar uma falta.

O grande problema é a nova orientação da FIFA, válida desde 01 de Julho de 2013, para que os árbitros avaliem se existe uma subjetiva e disfarçada intenção de colocar a mão na bola”, ou se preferir, um “movimento anti-natural dos braços”. Nela, se exige que o árbitro deva avaliar se em determinados lances não houve ação de burla no momento do toque (uma intencionalidade disfarçada de falsa imprudência), ou seja, um desejo de que a bola possa bater em seus braços, pulando espalhafatosamente. Desde então, alguns árbitros se acomodam marcando pênalti alegando essa orientação.

Ledo engano. Quer um exemplo? Se Wagner cruzasse a bola e Renato tivesse tempo hábil de tirar o braço da jogada, mas ao invés disso, deixa-se a bola bater nele, aí sim seria essa “disfarçada intenção”. Caso contrário, “segue o jogo” – no linguajar dos árbitros (e como deveria ter acontecido)!

Por fim, a própria Regra 12 dá as dicas para se marcar uma falta por mão na bola, sendo elas:

Verificar o movimento da mão em direção a bola (e não da bola em direção a mão, ou seja: é a bola que vai bater no braço pela sua velocidade/força ou o braço que busca bater na bola?);

Observar a distância entre o adversário e a bola (bola que chega de forma inesperada não dá para evitar o contato);

Perceber que a posição da mão não pressupõe necessariamente uma infração (estar com o braço aberto/fechado não quer dizer nada);

Lembrar que tocar a bola com um objeto segurado com a mão (roupa, caneleira etc.) constitui uma infração e que atingir a bola com um objeto arremessado (chuteira, caneleira etc.) também.”

Diante de tudo isso, dá para afirmar tranquilamente: errou a arbitragem em marcar pênalti ao Fluminense.

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4 comentários sobre “– Fluminense 3 x 0 Palmeiras: pênalti da discórdia ou não?

  1. Bom dia Porcari. Vi o lance que você se refere, e infelizmente você não tem razão! Esse lance hoje, a FIFA pede sim para marcar pênalti! A explicação para esse tipo de Penalti é a tentativa do jogador abrir seu espaço corporal para BLOQUEAR a bola, assumindo um tremendo risco quando ao dar esse ” Carrinho” em jogar seu braço para cima, pois ele sabe que a bola pode bater ali, portanto Penalti! Outro detalhe que você esta EQUIVOCADO sobre a regra de jogo, é a mudança que faz uma tremenda diferença nas interpretações, que é o fato de NÃO EXISTIR mais a palavra “INTENÇÃO” e sim a palavra “MÃO DELIBERADA” . Um grande abraço e sucesso!

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  2. Obrigado pelo comentário, respeito mas discordo. A mudança do texto mão deliberada não invalida a intenção, que é a razão ou não da marcação. Tanto sábado quanto domingo, Renato e Fagner não usam deliberadamente a mão. Portanto, ambos equívocos de marcação.
    Att
    Porcari

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  3. Tudo bem, mas é só você ler o Novo Livro de Regras Atualizado e verás que a INTENÇÃO não existe mais na regra do jogo! Claro que equívocos continuarão acontecendo, os árbitros assim como os jogadores, são humanos e tem o direito de errar, como foi o caso do pênalti mau marcado do Fagner (Corinthians, prol Flamengo), mas não podemos fugir das novas regras e orientações da FIFA, que rege o Futebol Mundial e quem dá as cartas são eles, gostemos ou não! Como percebe, não sou uma pessoa que falo sem o conhecimento da coisa, mas só estou tentando te passar algo que talvez vc não tenha o conhecimento, mas gosto dos seus comentários, que em muitas das vezes são pertinentes! Abs

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  4. Sim, Raphael, estamos falando a mesma coisa. Eu sei da alteração, mas para a prática-didática, nada muda em alterar o termo. “Deliberada” significa com vontade própria, ou seja, com intenção. Sei que vc entende de regras. Talvez aqui só estejamos discordando da interpretação do árbitro. Tranquilo.

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