No futebol, um só erro pode ser fatal para o resultado da disputa. Mas quando há tempo de salvá-lo, deve-se fazê-lo sem medir esforços. E foi isso que o árbitro Wilson Luís Seneme fez na partida Palmeiras x São Caetano: salvou um lance de pênalti inexistente.
Aos 38 minutos, Alan Kardec foi lançado em velocidade na área, o goleiro Rafael Santos se antecipou e espalmou apenas a bola. Por força da jogada, Kardec caiu e Seneme que estava (pela rapidez do lance) numa posição cega do acontecido (repare como estava encoberto com outros atletas à sua frente), marcou pênalti erroneamente. O bandeira Carlos Augusto Nogueira Júnior corretamente o avisou de que não houve infração do goleiro, cumprindo acertadamente a sua função, que é de ser o árbitro assistente.
Assistir ao árbitro é ajudá-lo em situações críticas como essa, quando o bandeira tem certeza do lance e julga que o árbitro principal cometeu um equívoco. Assim, Seneme foi avisado e mudou sua decisão (importante: quando um árbitro assistente avisa o árbitro central sobre algum detalhe que pode vir a mudar a decisão tomada, não quer dizer que o árbitro voltará atrás; ele avalia se a informação é pertinente ou mais incisiva do que a avaliação que fez quando na marcação).
O erro foi corrigido dentro da regra: pênalti desmarcado por má avaliação do árbitro deve ter o jogo reiniciado com “bola ao chão”. Se Alan Kardec tivesse simulado, o reinício deveria ter sido com tiro livre indireto ao São Caetano e cartão amarelo ao atleta do Palmeiras.
O que não pode é jogador desconhecer regra ou usar do espírito antidesportivo. Vinícius, após o jogo, disse:
“- Vê se ele está com a blusa do Corinthians por baixo”
Bobagem. Falou na emoção e por desconhecer as Leis do Jogo. Dificilmente se vê árbitro voltando atrás numa marcação de pênalti. Nas raras vezes que se vê, ocorrem por duas situações:
- 1- Árbitro ruim sentindo a pressão, aceitando reclamações e mudando sua decisão na base do susto;
- 2 – Árbitro bom mostrando coragem, corrigindo o erro e cumprindo a regra.
Parabéns ao Seneme por cumprir a Regra, e principalmente ao Carlos Augusto por não se omitir e sem titubear chamar o árbitro. O preço do acerto foi o time inteiro do Palmeiras em cima dele, pressionando e falando, provavelmente, palavras não tão elogiosas.

