– A Enciclopédia Ultrapassada

Minha esposa Andréia sempre costuma questionar a validade das enciclopédias mediante os avanços científicos. Tem lógica, afinal, elas se desatualizam.

E não é que a Folha de São Paulo (22/01/2011, Caderno Ciência, pg C1) traz uma matéria do que seriam embriões de enciclopédia com registros inválidos e curiosos? Por exemplo, o relato do Homo Sylvestris, que nada mais era a anotação científica do Lobisomem (data de 1622). Outra: Homens sem cabeça e com olhos e bocas no peito, índios guerreiros da Amazônia de 1601. E com ilustrações!

Abaixo, a interessante matéria:

LOBISOMEM DE 1662 TINHA NOME CIENTÍFICO

Por Giuliana Miranda

Relatos científicos sobre a fauna da época incluíam até o chupa-cabra e serão tema de uma exposição no Rio

Muito antes de aterrorizar mocinhas no cinema, a anaconda, ou sucuri gigante da Amazônia, já tirava o sono de vários europeus. Índios canibais sem cabeça e até o chupa-cabra, também.

Esses e outros mitos e monstros saíram do Novo Mundo direto para as bibliotecas das metrópoles, em publicações que misturavam ciência, fantasia e ficção.
Para explicar os mistérios dos territórios recém-descobertos -e valorizar ainda mais suas conquistas-, muitos exploradores criavam narrativas que deixariam Darwin de cabelos em pé.

“A realidade dos europeus era completamente diferente. Então, quando eles viam animais, plantas e até pessoas tão incomuns, taxavam-nas de monstros e criavam explicações mirabolantes”, diz Ana Virginia Pinheiro, chefe do departamento de obras raras da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.

Entre 14 de fevereiro e 15 de abril, algumas dessas histórias poderão ser vistas na exposição “Monstros: Memórias da Ciência e da Fantasia”, na sede da instituição.
Os autores eram variados: iam desde cientistas participando de expedições até piratas com pouca instrução, tendo ainda alguns escritores que nunca tinham saído da Europa, apenas ouviram uma lenda e a “recontaram”.

Alguns dos mitos de origem europeia também marcam presença no acervo, como a história do lobisomem.

Um livreto de 1662, escrito pelo teólogo Gaspar Schott, traz descrições minuciosas sobre a anatomia e, por mais incrível que pareça, atribui um nome científico à criatura: Homo sylvestris. Algo como homem da floresta.

Esses relatos, afirma Pinheiro, provavelmente se basearam em um encontro com pessoas que tinham hipertricose -uma doença sem cura que causa o crescimento excessivo de pelos grossos praticamente no corpo inteiro.

Outra anomalia, hoje conhecida como gêmeo parasita (fetus in fetu), também deu origem a um mito bizarro: o homem “grávido”.

Publicações do século 17 relatam alguns desses casos e, por incrível que pareça, davam instruções para a cura.

A doença provoca uma espécie de gêmeos siameses ao extremo. Enquanto um dos bebês se desenvolve, o outro cresce atrofiado dentro do corpo do irmão, ficando completamente dependente. Um verdadeiro parasita.

Na maioria dos casos, o feto parasita fica na região abdominal, causando uma espécie de barriga que lembra a de uma mulher grávida.

Caso queira ver fotos, o site CONTEÚDO LIVRE as publicou. Fotos em: http://sergyovitro.blogspot.com/2011/01/lobisomem-de-1662-tinha-nome-cientifico.html

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