E se sua empresa lhe pedisse um exame toxicológico? Ou seja, um exame que diria se você já fez uso de LSD, cocaína, maconha, entre outras drogas? Qual a sua reação?
A Linhas Aéreas Azul é a pioneira no Brasil em pedir esses exames a seus pilotos. A medida é polêmica, e leva à discussão: até onde as empresas podem pedir tal exame?
Claro, dependendo do setor de atividade, tal solicitação pode até fazer sentido. Mas teremos outras áreas do trabalho que certamente tal pedido poderia soar como abusivo. O constrangimento ocorrerá: daqueles que nunca fizeram uso de drogas, em se sentirem incomodados pela desconfiança; e os dos que já usaram drogas, em serem descobertos!
Em sua atividade, isso será um problema, caso tenha que realizar um “antidoping profissional”? Deixe seu comentário:
Abaixo, compartilho a reportagem da Folha de São Paulo, 31/05/2010, pg D3, de Eduardo Geraque
SETOR AÉREO DISCUTE APLICAR EM PILOTOS TESTE ANTIDOPING
Exames, comuns nos Estados Unidos, são vistos como fundamentais para melhorar a segurança dos voos. No Brasil, Azul passa a adotar medida em funcionários; Anac estuda criar uma regulamentação.
O setor aéreo brasileiro começa a discutir um controle mais rigoroso sobre o consumo de drogas e álcool de suas tripulações. Os exames antidoping já são comuns em países como os EUA.
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) afirma que está estudando a possibilidade de regulamentar testes para o setor, mas ainda não há prazo de implantação.
Enquanto isso, a Azul será a primeira empresa brasileira a realizar análises químicas esporádicas entre todos os seus funcionários.
A TAM ainda não decidiu se exigirá os exames. A empresa, por meio de sua assessoria de imprensa, disse apenas que “está estudando” o assunto. Varig e Gol, do mesmo grupo, não dizem se pretendem adotar o teste.
SEGURANÇA
A medida, no exterior, é vista como fundamental para melhorar a segurança de voo. A discussão sobre os testes antidoping para pilotos e comissários, segundo especialistas ouvidos pela Folha, realmente está atrasada.
Os exames toxicológicos são feitos a partir de fios de cabelo. As análises flagram um grupo grande de substâncias psicoativas, como maconha, cocaína, crack e LSD.
A grande vantagem do teste com fio de cabelo é que ele tem uma “janela larga” -detecta o consumo de drogas dos últimos 90 dias.
No caso da Azul, os testes começaram em 2008 apenas nos exames admissionais.
Segundo a médica Vânia Melhado, que presta serviços para a empresa e preside a Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial, agora será iniciado o teste aleatório para todos os funcionários. “Em dois anos, todo o grupo de pilotos será avaliado.”
São feitos uma média de cem testes por mês na companhia. Dos 1.900 já feitos, só quatro foram positivos.
“A pessoa sabe que fará o exame. Isso funciona como um filtro”, diz Johannes Castellano, diretor da Azul.
TRANSPARÊNCIA
Os testes antidopings no setor aéreo são bem-vindos, diz o psicólogo Paulo Mittelman, especialista em estratégias de prevenção antidroga.
Para ele, os exames não podem ser feitos a revelia de ninguém. “Tem que existir uma política clara, transparente. O sigilo também é fundamental no processo.”
O psicólogo diz acreditar que o funcionário que tem um resultado positivo nos testes retorna após tratamento como um excelente profissional. “Ele sempre fará questão de mostrar que resolveu o problema.”
Frase: “Dentro de um contexto maior, ela [a adoção dos testes antidoping] é bastante positiva. Veja o caso do bafômetro na questão do trânsito. Realmente ajudou a diminuir os acidentes” – PAULO MITTELMAN – psicólogo especialista em estratégias de prevenção antidroga.

Acho essa iniciativa muito boa no caso de profissões que levem risco a terceiros como no caso de pilotos, motorista, ect… pois a partir do momento que o mesmo assume o comando do transporte o mesmo torna-se responsavel por todas as pessoas que estão no mesmo, quanto ao constragimento que isso pode trazer é temporario, pois a partir do momento em que o mesmo se tornar rotina ele desaparecera e acredito que todos vão gostar.
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