– Em dúvida, favoreça a Defesa ou o Ataque?

Ouço com freqüência um divertido programa esportivo da Rádio Jovem Pan, o Esporte em Discussão, em que grandes jornalistas do futebol discutem entre si. Ao mesmo tempo relevante e divertido, o programa tem trazido nesses últimos dias um embate interessante: os especialistas em arbitragem Rogério Assis e Fernando Sampaio, divergindo sobre a atitude do árbitro em lances de dúvida. A questão seria: em situações duvidosas, o árbitro marca pró-ataque ou pró-defesa?

Árbitros da geração X e Y (como no mercado de trabalho os consultores em Administração têm rotulado os profissionais atuantes da década de 90 e 00), já alinhados ao importante lembrete da FIFA em respeitar o “Espírito do Jogo”, não teriam dúvida em responder: na dúvida, decida a favor de quem está buscando o ataque!

E por que tal decisão?

Recorro às minhas anotações: em meu curso de formação de árbitro de futebol, nas folhas já amareladas, tenho lá registrado: 25 de outubro de 1.996, uma aula sobre as Regras 5 e 6 (Árbitro e Árbitro Assistente), proferida na Escola de Árbitros Flávio Iazzeti / FPF, pelo professor Gustavo Caetano Rogério (instrutor FIFA na ocasião e diretor da EAFI), com o bandeira-FIFA Édie Mauro Garcia Detofoli (o número 1 da época). Nela, a citação do Prof Édie Mauro: “em outros tempos, antes de 1990, quando estar na mesma linha era impedimento, se o cara apareceu ‘mais ou menos sozinho’ o bandeira já levantava e parava o jogo. Hoje não. A regra mudou, e estar em mesma linha não é impedimento e a orientação é que se tiver dúvida, deixe seguir. Isso vale para o impedimento e para qualquer lance. A FIFA quer gols.

Na sequência, a explicação do Prof Gustavo Caetano: “Árbitro banana dá tudo para a defesa porque tem medo de aplicar a regra. O momento é outro. Quem disse que na dividida a bola é para a defesa? Em dúvida, é pró-ataque, até pelo Espírito da Regra.

Para quem tem qualquer dúvida sobre o que rege o futebol, oficialmente são as Regras do Jogo, que devem ser aplicadas mediante o Espírito do Jogo.

As Regras são 17, já conhecidas de cor e salteadas por todos. O Espírito do Jogo que deve ser usado para interpretá-las se define como (extraído do documento oficial da EAFI/FPF em solenidade, 26/05/1997):

“O futebol deve ser encarado como uma disputa leal e permanente entre duas equipes em busca do resultado, porém com fiel cumprimento à Regra do Jogo. Toda decisão deve ser norteada nos seguintes princípios:

1)    Somente punir quando estiver convencido da intenção e/ou imprudência do jogador;

2)    Nunca beneficiar o infrator;

3)    Um jogo deve ser disputado com o menor número possível de interrupções.”

Em suma, é o chamado fair-play em sua essência.

Poderíamos acalorar um debate sobre o tema, com a questão: onde está na regra que na dúvida é pró-ataque ou pró-defesa?Em nenhum lugar, já que desde a Copa do Mundo da Itália (1990), com a mudança da regra 11, os usos e costumes do futebol também mudaram, e estes são norteados pelo Espírito da Regra citado acima.

Ademais, parabenizo os jornalistas Fernando Sampaio e Rogério Assis por lançarem a interessante discussão, perceptivelmente respeitosa entre ambos. Essa é a graça sadia do futebol!

 

ATENÇÃO: veja que essa postagem é antiga. A FIFA diz hoje que: “Não deve existir dúvida”. Não existe pró-ataque ou pró-defesa.

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