– Máfia do Apito: Mal Entendindo ou Impunidade?

Em 2005, houve o já conhecido e discutido escândalo no futebol brasileiro marcado pelo nome de “Máfia do Apito”.

As esferas da Justiça Desportiva puniram os responsáveis (ao menos, alguns dos citados). Entretanto, na Justiça Comum, ontem, um dos desembargadores pediu mais prazo para dar prosseguimento ou arquivar o processo. Outro desembargador chegou a declarar, em outras palavras que manipular resultados de uma partida de futebol não é crime, muito menos fomação de quadrilha.

Ora, se os acontecimentos não se configuram em crime, os resultados anulados no Campeonato Brasileiro foram indevidos. As partidas que tiveram que ser jogadas novamente, inválidas. Mais: Edilson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon foram vítimas do escracho social e deveriam retomar suas carreiras na arbitragem! Quem sabe pedir indenização ao STJD!

É o samba do crioulo doido. Lamentavelmente. Alguém disse e é verdade: estamos a um voto da impunidade… não só da impunidade, mas da desmoralização das instituições da Justiça Brasileira.

DECISÃO DA MÁFIA DO APITO É ADIADA,

por Bruno Dieiro (OESP, Cadero Esportes, pg 04, 07/08/09.

SÃO PAULO – O escândalo de arbitragem que abalou o futebol brasileiro há quatro anos está a um voto da impunidade. Após decisões favoráveis de dois desembargadores, o arquivamento do caso que ficou conhecido como Máfia do Apito só não foi concluído nesta quinta-feira, no Tribunal de Justiça de São Paulo, porque o terceiro magistrado, Christiano Kuntz, pediu um prazo maior para análise.Até terça-feira, Christiano Kuntz decidirá se vai revelar seu voto ou se pedirá que o processo seja retirado da pauta por tempo indeterminado. Caso o desembargador opte por mais uma votação, a questão será definida na sessão da próxima quinta no Tribunal de Justiça de São Paulo.

Para que processo prossiga, é necessário que Christiano Kuntz vote contra o trancamento da ação e que ao menos um dos outros dois desembargadores, Fernando Miranda e Francisco Menin, mude de ideia. Ao justificarem seus votos favoráveis ao arquivamento, Fernando Miranda e Francisco Menin alegaram que o caso não possui legislação específica e não pode ser tratado como estelionato e formação de quadrilha.

Revelada em outubro de 2005, a Máfia do Apito foi um esquema que envolveu árbitros de futebol e golpistas de sites de aposta durante o Campeonato Brasileiro daquele ano. Após confirmar a manipulação de resultados, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD, sob a presidência de Luiz Sveiter, remarcou 11 partidas da competição e puniu os árbitros Edílson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon com o afastamento definitivo do quadro da CBF.

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