Novamente o tema “Cotas para Negros” vem à tona. O que dizer agora: o Ministério Público quer que a organização do evento reserve um determinado número de modelos negros para trabalhar no evento.
A oportunidade para qualquer raça está sendo sempre levada em questão. Mas determinar um número parece tão discutível quantos as cotas em universidades, já debatidas neste espaço.
Cotas na moda
Profissionais acreditam que mercado para modelos negros nos eventos de moda do Estado tem sofrido mudanças positivas, mas ainda pode melhorar
A discussão sobre cotas raciais, bastante polêmica em relação às vagas nas universidades, entrou na moda. Há duas semanas, uma reportagem sobre a São Paulo Fashion Week publicada na Folha de S. Paulo ganhou repercussão nacional. O Ministério Público paulista, através da promotora Déborah Kelly Affonso, propôs que fosse estabelecida uma cota para modelos negros nos desfiles daquele evento. A matéria trazia as opiniões do organizador da SPFW, Paulo Borges, e de alguns estilistas participantes da semana de moda. A declaração que mais gerou polêmica foi a de Glória Coelho: Na Fashion Week já tem muito negro costurando, fazendo modelagem, muitos com mãos de ouro, fazendo coisas lindas, tem negros assistentes, vendedoras, por que têm de estar na passarela?
A estilista colocou em seu site um comunicado explicando a frase publicada pela Folha. A SPFW também fez circular um e-mail afirmando que não exerce influência na escolha do casting de seus estilistas. Mas o assunto deve ir muito além da passarela paulistana.
Em Santa Catarina não existe nenhuma obrigação legal de incluir afrodescendentes em desfiles ou campanhas publicitárias. Apesar disso, modelos, produtores e agenciadores percebem indícios de mudança. Segundo Kenia Costa, ex-modelo e atualmente produtora de eventos na área, o mercado catarinense vem sofrendo uma modificação positiva nos últimos tempos.
– Sempre tivemos uma mobilização muito grande para inserir os modelos negros. E já foi muito mais difícil. Tínhamos quatro ou cinco modelos, incluíamos nos castings e nos diziam que um só já estava bom. Hoje isso se reverteu e os clientes pedem as modelos negras. Os homens também – conta ela.
Kenia acrescenta que no Donna Fashion, evento promovido pelo Diário Catarinense, do qual ela é produtora, esta nova mentalidade ficou evidente nas últimas cinco edições.
– Antes nos diziam que não queriam os modelos negros porque não combinavam com o desfile. Hoje já há uma busca não só por negros, mas pela diversidade – afirma ela.
