Extraído de: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI19322-15223-2,00-AS+MELHORES+EMPRESAS+PARA+O+PLANETA.html
As melhores empresas para o planeta
Como a Votorantim virou a cimenteira mais verde do mundo. E a Natura criou uma estratégia que ajuda a sociedade a reduzir suas emissões de carbono
por Alexandre Mansur, Ana Galli e Marcela Buscato
O prêmio de Melhor Gestão – que reconhece a empresa que melhor monitora suas emissões, o primeiro passo para reduzi-las – foi conquistado pela Votorantim Cimentos. O auditor de projetos Paulo Rocha diz que tomou um susto quando recebeu de Patrícia Montenegro, diretora de meio ambiente da empresa, a incumbência de montar o primeiro levantamento das emissões de carbono do grupo. Foi há seis anos, quando nenhuma empresa do porte no Brasil tinha essa experiência. “Aquele amontoado de números me apavorou no início”, diz. “Minha primeira reação foi perguntar se eu tinha mesmo de fazer aquilo. De que todo aquele trabalho adiantaria?” Rocha conta que no início foi difícil convencer os funcionários da importância do inventário. Ele já estava convencido. O que antes parecia apenas um “amontoado de números”, com o tempo começou a fazer sentido.
O inventário serviu para identificar nas etapas de produção do cimento as principais fontes de emissão dos gases que aquecem a Terra, bem como oportunidades para reduzir essa poluição sem prejuízo para a empresa. “Descobrimos onde e em que quantidade cortar as emissões”, afirma Patrícia. A meta era chegar a 2010 com emissões 10% menores que em 1990. Mas, já em 2007, três anos após o início do levantamento, a Votorantim tinha cortado 13,3% das emissões, mesmo com um aumento de 90% da produção entre 1990 e 2007. Hoje, ela é a empresa de cimentos que menos emite por tonelada produzida no mundo.
“O engajamento da Votorantim é especialmente relevante porque a fabricação de cimento é uma das atividades que potencialmente mais emitem gases de efeito estufa. Estima-se que 5% das emissões globais de carbono são das empresas de cimento”, diz o diretor de operações da Votorantim no Brasil, Edvaldo Rabelo. “É preciso reconhecer que há um ponto a ser melhorado para ajudar a preservar o planeta.”
O plano da Votorantim para diminuir seus impactos ambientais se baseia principalmente no uso de combustíveis alternativos para substituir o carvão e o petróleo, cuja queima libera gás carbônico. A empresa investiu em materiais inusitados para alimentar os fornos onde o cimento é produzido. Cascas de arroz, de castanha-de-caju e bagaço de cana-de-açúcar são queimados para aquecer os fornos das indústrias. A Votorantim também usa pneus velhos nos fornos. Queimar os pneus emite 6% menos carbono que o coque de petróleo, combustível tradicional da indústria. Se enfileirarmos todos os pneus usados como combustível no ano passado, daria para ligar Porto Alegre a Aracaju.
Além disso, a Votorantim também queima resíduos de outras indústrias. No ano passado, o grupo transformou em energia 30% do lixo produzido por todas as indústrias do país. “O que é lixo para uns se transforma em energia e riqueza para a Votorantim”, afirma Rabelo. De toda a energia consumida pelas 58 fábricas no Brasil na produção de cimento em 2007, cerca de 20% vieram da queima de pneus, de resíduos e de biomassa. É o equivalente à energia consumida por meio milhão de casas durante um ano.
Um dos segredos da Votorantim para inovar no seu processo de fabricação é botar em prática idéias fornecidas pelos funcionários. Foi o que aconteceu em 2001, com a crise do apagão. O consultor-técnico José Eustáquio Machado sugeriu uma mudança em um dos principais ingredientes do cimento. Tradicionalmente, para fazer cimento, a indústria queima uma mistura de calcário e outras substâncias, chamada clínquer. Essa queima é responsável por 60% das emissões de gás carbônico do setor cimenteiro. A idéia de Machado foi substituir parte do clínquer por uma mistura sem calcário, chamada pozolana. Quando queimada, a pozolana não emite carbono. Além disso, fabricar a pozolana consome 40% menos energia que o clínquer.
Para fábricas que produzem toneladas de cimento todos os dias, a redução de energia é mais que uma contribuição ao meio ambiente, é também uma vantagem econômica. “Ao substituir o clínquer pela pozolana, poupamos as jazidas de calcário, economizamos energia e ainda reduzimos os gases de efeito estufa”, afirma Machado. A idéia estimulou a Votorantim a investir em uma fábrica em Porto Velho que só vai fabricar cimento com pozolana na mistura. É ela que vai abastecer as obras das hidrelétricas do Rio Madeira.
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(Prêmio Mudanças Climáticas)
