Detalhes Despercebidos

 

Alguns detalhes realmente passam batidos durante a êxtase de uma cerimônia esportiva, como a realizada em Pequim. A beleza e grandiosidade do evento não só encanta, mas também assusta. Logo após a abertura, muitos discutiam se o Brasil teria condições de abrigar no Rio de Janeiro uma Olimpíada e seus custos. Esta é uma história para se discutir e pensar muito bem, mas não é o tema que gostaria de abordar.

Quero retratar os minuciosos detalhes que as vezes passam desapercebidos. Durante a entrada de Taiwan, na Globo, o Galvão Bueno retratava os aplausos de quem naquele momento deixava as mágoas de lado pelo espírito olímpico. (A China boicotou 6 Olimpíadas em represália à participação da cidade-estado Taiwan, separatista e capitalista, reconhecida pela comunidade internacional). Já na Bandeirantes, na cabine ao lado, o Luciano do Valle retratou a sonora vaia durante a entrada da mesma delegação. Quem está certo, Galvão ou Luciano?

Para quem gosta de geografia, um show a parte a entrada das delegações. Só esqueceram de avisar que não existe “alfabeto chinês”, já que um semi-alfabetizado na China deve conhecer pelo menos 5000 “palavras”, ou melhor, ideogramas. E a língua oficial é o Mandarim.

Quanto aos atletas, é de assustar o esforço governamental em conquistar o título de campeão olímpico no quadro de medalhas, superando os americanos. Aliás, uma outra discussão: a classificação deve ser por número de medalhas de ouro, ou pela quantidade de medalhas obtidas no quadro geral? Lembre-se: o importante é competir! (ou não?…)

Os atletas de muitas modalidades estão confinados há dois anos pelo comitê chinês, longe da família, somente treinando. Essa “dedicação” não acaba desvirtuando o propósito olímpico? Não se torna alienação? É isso que queremos do esporte?

Últimos detalhes: Havia algumas delegações de apenas 1 atleta, que realmente terão como mérito nos jogos, a participação e a integração com a comunidade internacional (embora, em muitos países com 1 ou 2 atletas, se via a entrada de comitivas com 20 pessoas – os dirigentes que aproveitavam o momento – e que estavam certos de o fazer, já que o momento é único e a oportunidade também). Mas aí vai a questão: são os melhores que ali participam? Vejam, por exemplo, e agora generalizando os esportistas olímpicos,  a arbitragem de Brasil X Bélgica no futebol masculino. O nosso amigo árabe “seu Kalhil”, que apitou o jogo, é melhor que qualquer árbitro brasileiro? Certa e respeitosamente, se ele apitasse a nossa série A2 do Paulistão, ía ter trabalhado na saída do estádio.

Olha que curioso: quanto mais atletas e esportistas de ponta em um esporte, maior a impossibilidade dos árbitros daquele país chegarem às finais. Um exemplo é a Copa do Mundo: para termos outro brasileiro na final, “deve-se” (mas não é o que fazemos) torcer contra a Seleção Brasileira. E isto serve para todos os esportes. A propóstio, ninguém destacou os brasileiros que estão lá, e serão tão importantes quanto os atletas: árbitros, voluntários, técnicos, jornalistas e outras pessoas ligadas ao esporte. Tudo bem, eles não concorrem a medalhas. Mas a citação seria legal…

Por fim, durante esta madrugada, tive a oportunidade de assistir em um dos inúmeros canais Sportv abertos, uma empolgante partida de Badminton (pois é, a modalidade “Peteca” é olímpica), entre os atletas do Irã X Taipé. Na cadeira, tranquilamente, de blazer, um sujeito bolachão, de certa idade, que parecia estar curtindo o momento… E quem era? O juizão! O búlgaro Serguei Alguma Coisa (tava querendo demais assistir um jogo desse e saber até o sobrenome quase impronunciável do árbitro de peteca!). E cheguei a uma conclusão: é fácil ser juiz de peteca. Daqui a décadas (assim espero), quando encerrar a carreira, quero apitar peteca também! Não teve uma reclamação no jogo. Fácil, fácil…

 

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