Entendendo as Altas nos preços do Mundo

Certas economias sentem mais as crises do que outras. Mas certo é, nesses tempos de globalização, que todos hão de senti-la. É o chamado “efeito borboleta”, que para muitos é “efeito dominó”. O nome, em si, não importa.
Hoje, muito se reclama na alta dos preços dos combustíveis e dos alimentos. Países pobres estão, logicamente, sofrendo muito mais do que os ricos quanto à alimentação, que por ventura se preocupam mais com o preço da gasolina. Mas o que desencadeou essa crise nos preços mundiais?
Segundo a ONU ( que depois negou seu próprio discurso), a alta no preço dos alimentos se deve ao plantio dos biocombustíveis, e principalmente ao… Brasil! Ora, fazemos apologia e desejamos ser o celeiro do mundo, pois como disse o navegador português, “aqui se plantando tudo dá”. Mas será que é para tanto? Muitos ativistas reclamam que alguns países (principalmente o nosso) substituem plantação de comida por produção de álcool, encarecendo os alimentos. Mas sabiamente o presidente Lula retrucou dizendo que “ninguém vai falar que o aumento do petróleo encarece o Diesel que é necessário para a logística da produção”? Boas palavras, que poderiam e deveriam ser complementadas com o discurso de que o álcool (ainda) não é a matriz energética do mundo, mas sim o petróleo (energia para transporte, evidentemente). Para se ter idéia, 1 litro de Gasolina na França custa 1,5 euro; na Itália, 1,94 euro; na Inglaterra (transformado de libra para euro), 2,02 euro. Comparado ao nosso 2,39-2,49 reais, é um preço altíssimo, mesmo com os custos de vida e receitas européias.
O barril de petróleo, matéria-prima do Diesel que move os caminhões que transportam alimentos e das máquinas / equipamentos agrícolas, passou a marca histórica dos 100 dólares o barril há tempos. Nunca o preço esteve tão alto, nem na crise do petróleo dos anos 70. Sabemos também que o petróleo não é um bem renovável, e um dia suas reservas irão se esgotar. Tudo isso contribui para a alta do produto e reflete no preço dos alimentos. A verdade, única e crua, é essa.
Mas e quanto o “plantar energia ao invés de plantar comida”? Em parte, poderia ser verdade, se substituíssemos a área plantada de arroz, feijão e hortaliças, por área plantada de cana. E isso se tem observado nos EUA (a mudança da cultura agrícola), mas com um detalhe: ao invés de cana, se utiliza o milho para a produção de álcool. Logicamente, faltará milho para comer e o preço aumentará. E a produção do álcool de milho é caríssima.
Já no Brasil, possuímos a cultura da cana tropical, que produz álcool de ótima qualidade a um preço inferior. Mas com uma característica singular: não substituímos a comida pelo álcool, mas ampliamos as áreas de plantio. Assim, não há justificativa para criticar nosso agronegócio. Tampouco elementos para provocar alta no preço dos alimentos. Lá fora, verdadeiramente, a comida sobe pelo preço do combustível (Diesel, não Álcool como já explicado). Aqui, os alimentos têm subido por problemas pontuais: as fortes chuvas que atingiram como nunca o Nordestes brasileiro, a péssima estrutura logística, e o aumento do custo do trigo argentino (a Argentina vendia trigo para nós, mas está segurando o produto para trocar com gás boliviano ou petróleo venezuelano, fazendo com que o pão suba sensivelmente). Assim, uma coisa não tem (mais ou menos) a ver com a outra.
Importante: a Petrobrás divulgou (na surdina, é verdade) um estudo no qual necessitaria aumentar em 24% os preços da Gasolina e Diesel, para se equiparar aos mercados internacionais. Aí teríamos aumento de alimentos ocasionados pelo aumento dos combustíveis.

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