– Corrigir ato Racista vale 30 mil euros?

Na Itália, a Juventus de Turim foi condenada a pagar 30 mil euros porque sua torcida manifestou de forma racista, com gritos preconceituosos aos adversários da Lazio.

Até quando?

Toda vez vemos clubes sendo multados. E fica assim mesmo? Pague a multa e tudo bem?

Confesso que gostaria de ver os clubes perdendo pontos e os bandidos travestidos de torcedores na cadeia!

– Hulk cala a boca dos Racistas!

No último dia 03/03/2012, Hulk, atacante do Porto, sofreu com o racismo, no clássico luso Benfica 2 X 3 Porto.

Neste vídeo que rodou o mundo, um senhor calvo, de vermelho, torcedor do Benfica, imita um macaco quando o brasileiro domina a bola (dá para escutar o som provocativo). Mas não é que no mesmo instante o centroavante marca um golaço?

Olha só o lance: http://www.youtube.com/watch?v=czxBnU-7WcY

Que ironia do destino…

– Xenofobia, Intolerância e Mente Perturbada

 

Triste, mas real. Veja o seguinte texto de um doente mental sobre o modelo social brasileiro:

 

Um país que tem culturas competindo vai se despedaçar ou terminará como um país permanentemente disfuncional como o Brasil ou outros países. Corrupção e alto nível de criminalidade são resultados naturais (…)A alternativa é o modelo de ‘bastardização’, muito similar ao modelo brasileiro, onde tem sido estabelecida (devido à revolução marxista brasileira) uma mistura de europeus, asiáticos e africanos. Essas políticas se provaram uma catástrofe para o Brasil e outros países que institucionalizaram e facilitaram uma livre mistura de raças. O Brasil se estabeleceu como um país de segundo mundo com um grau de coesão social muito baixo. Os resultados são óbvios e se manifestam por meio de um alto grau de corrupção, baixa produtividade e eterno conflito entre as diferentes culturas (…).

 

Sabem que escreveu isso? Anders Behring Breivik, o matador norueguês, em seu manifesto: 2083 – a Independência Européia.

 

Uma das virtudes do nosso país é a miscigenação de raças e cultura diversa. Infelizmente, há loucos e loucos como ele por aí a solta…

 

E você, o que acha desse artigo? Deixe seu comentário:

– Racismo no Futebol: Lugares onde o Brasil acha “Normal”

 

Todas as pessoas de bem ficaram revoltadas com o triste episódio de racismo contra o lateral-esquerdo Roberto Carlos, ocorrido na semana passada. Infelizmente, é mais um episódio visto comumente na Europa.

 

Entretanto, ao mesmo tempo em que a Sociedade condena, contraditoriamente, permite bolsões de intolerância racial.

 

Por exemplo: Sérgio Xavier, na edição da Placar de Julho/2011, pg 55 a 57, trouxe na matéria “Ah, eu sou macaco” um interessante levantamento de como as torcidas de Grêmio e Internacional, em seus jogos caseiros, aceitam passivamente a ofensa de “macaco”!

 

Sem qualquer constrangimento, segundo Xavier, os gremistas chamam os colorados de macacos; e estes entendem que se referir à parcela negra da sua própria torcida com esse substantivo (ou adjetivo, dependendo da intenção) é algo normal!

 

O atacante colorado Zé Roberto, negro, quando ouviu o primeiro xingamento de macaco se assustou e se revoltou, mas foi demovido da idéia de protestar porque tal ofensa seria, segundo seus companheiros, algo cultural entre os torcedores locais.

 

Lamentável. Tempos atrás, o Internacional, querendo ser politicamente correto, tirou o Saci do posto de mascote, por causa do… cachimbo (fazendo alusão, segundo a diretoria, ao uso do crack, que é ingerido por queima de pedras em cachimbos). Monteiro Lobato, que tanto popularizou o Saci Pererê, deve estar chateado. Meu amigo João Batista, um dos criadores do grupo da “Associação Nacional dos Criadores de Saci”, localizada em Boituva”, garante que isso é uma grande bobagem.

 

Na troca, o substituto do Saci ficou sendo um macaquinho chamado de Escurinho (em homenagem ao jogador dos anos 70, escolhido em votação popular).

 

Sendo assim, fica o incômodo: o que fazer àqueles que se sentem perturbados com a ofensa de “macaco”, sendo que coincidentemente (ou não) o novo mascote do Internacional é o próprio, além de uma passiva aceitação das torcidas? Deixe seu comentário:

– Parabéns ao Roberto Carlos pela atitude Pós-Banana!

 

Enfim um atleta tomou uma atitude digna. O lateral penta-campeão Roberto Carlos reagiu com veemência no Campeonato Russo, abandonando a partida após um torcedor jogar uma banana contra ele.

 

Seu time, o adversário e a Federação Russa se manifestaram contra a imbecil ação racista. Veja o vídeo de Roberto Carlos após a banana, em: http://ow.ly/5obDI

 

Não nos esqueçamos: a cor da pele não quer dizer nada. Existe apenas uma raça: a raça humana!

 

E você, o que sugeriria de punição por tal ato constrangedor? Deixe seu comentário:

– Negros e Negras na Administração de Empresas

 

Uma coincidência interessante: Tanto a Folha de São Paulo quanto a Revista Veja trazem matérias que envolvem negros no trabalho.

 

No Brasil, apenas 5% dos cargos diretivos / chefia nas organizações têm um negro à frente! (FSP). Já na Veja, há a interessante entrevista de Úrsula Burns, a primeira mulher negra a ser presidente de uma corporação importante nos EUA (a Xerox), falando sobre o tema e de outro tão interessante quanto: a capacidade inovadora do povo americano.

 

Vale a pena dar uma lida.

– Racismo que Persiste: Obama e o Chimpanzé

 

Nos EUA, há uma polêmica sobre onde o presidente Barack Obama houvera nascido. Ele é do Hawaii, posse dos americanos no Pacífico. Mas levantou-se a dúvida se ele realmente era americano (já que estrangeiros não podem exercer o cargo), e a certidão de nascimento foi cobrada. Uma das maiores opositoras, a republicana Marylin Davenport chegou a enviar emails aos correligionários pedindo a apresentação da certidão (que ocorreu nessa quarta).

 

Entretanto, o pedido foi deselegante: Macacos ao lado de Obama com corpo de Chimpazé. Veja:

 

Triste. O que se pode falar? Nada, apenas lamentar.

 

A dirigente política pediu desculpas públicas hoje. Mas o estrago já estava feito.

– Racismo de Novo nos Campos de Futebol?

 

Lembram-se do Desabato, argentino que supostamente ofendeu Grafite num jogo no Morumbi e fora preso?

 

Na época, criou-se uma grande discussão sobre o que seria racismo ou não (importante – toda forma de racismo e discriminação devem ser veemente combatidas, em minha opinião particular). Há meses, numa partida do Grêmio-RS, outro jogador passou a noite na delegacia por ofender seu adversário.

 

Mas agora vemos uma situação diferente: ao invés dos torcedores ofenderem os jogadores, como infelizmente se tornou comum na Europa, ontem, em Uberlândia, um jogador ofendeu ao torcedor e foi preso, na Partida entre Uberaba X Defensor-URU.

 

Pelas boas regras da educação, ninguém deve ofender ninguém. Mas o futebol é um mundo a parte e a cultura futebolística não tende a mudar: o torcedor xinga o árbitro, o torcedor de outra equipe e, claro, o jogador adversário.

 

Agora, cá entre nós: se o torcedor xingou o jogador, e o jogador revida a ofensa (como ocorrido ontem), por quê somente ele deve ser preso por injúria?

 

Sinceramente, acho que nestes casos, ninguém deveria ser preso. São xingamentos de natureza específica em ambiente diferente do resto da sociedade. Ou é muita frescura, ou tem autoridade querendo aparecer…

 

Respeito a opinião de todos os amigos, mas, pense no seguinte princípio: se fosse caso de prisão, PRENDAM TODOS OS TORCEDORES QUE XINGAREM O ÁRBITRO DE SAFADO, LADRÃO OU FIZEREM MÁ MENÇÃO DA MAMÃE DE CADA APITADOR…

 

No futebol, essa regra não vale.

 

Em: http://esporte.ig.com.br/futebol/jogador+uruguaio+e+acusado+de+racismo+em+minas+gerais/n1237963284906.html

 

JOGADOR URUGUAIO É ACUSADO DE RACISMO EM MINAS GERAIS

 

Atacante do Defensor, que disputou amistoso contra o Uberaba no interior do estado, passou a noite na delegacia

Após o empate por 2 a 2 em partida amistosa realizada na noite desta quarta-feira (19), contra o Uberaba, o atacante Brahian Aleman, do Defensor-URU, foi conduzido por policiais à Aisp (Área Integrada de Segurança Pública), do bairro de Olinda, em Uberaba-MG, sob acusação de racismo.

Durante a partida, o jogador teria se envolvido em uma discussão com um torcedor do Uberaba e o teria ofendido com palavras e gestos de cunho racista. O torcedor ofendido, acompanhado por testemunhas, procurou os policiais e fez a acusação.

Logo após o término do amistoso, Aleman e Carlos Henrique Teixeira, o torcedor ofendido, foram encaminhados à delegacia para que fosse feito o boletim de ocorrência. Depois, eles prestaram depoimento ao delegado de plantão. O jogador do Uruguai passou a noite na delegacia e depois foi liberado.

– O Tolo Preconceito aos Nordestinos no Twitter

 

Lembram-se que na noite da apuração dos votos à Presidência, começaram a pipocar no Twitter frases racistas contra nordestinos, devido a votação maciça de Dilma naquela região?

 

Pois é: uma estudante de direito foi quem começou tudo isso e a febre, infelizmente, pegou. A moça foi demitida do seu emprego.

 

Independente da escolha do candidato,é uma tremenda burrice, desrespeito, crime e soberba discriminar nossos irmãos do Nordeste. Abaixo, postei um artigo sobre o tolo preconceito contra Monteiro Lobato. Agora, outro tolo preconceito.

 

Que raio de sociedade estamos nos tornando?

 

Abaixo, a origem dos tweets preconceituosos:

 

Em: http://blogs.estadao.com.br/pedro-doria/tag/eleicoes/, por Pedro Dória

 

#orgulhodesernordestino: Twitter, racismo e estupidez

 

Os computadores do TSE ainda estavam quentes de tanto processar voto na segunda-feira passada, quando a estudante de Direito paulistana Mayara Petruso achou por bem navegar pela rede social. “Nordestino não é gente”, escreveu no Twitter. “Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!” Não satisfeita, de lá pulou para o Facebook – “Deem direito de voto pros nordestinos e afundem o País de quem trabalha para sustentar os vagabundos que fazem filho para ganhar o bolsa 171.”

Estupidez pura.

Mayara não foi a única a atacar nordestinos naquela segunda-feira. Uma parcela de eleitores insatisfeitos com o resultado do pleito tomou o caminho do preconceito. É como se dissessem: quem vota contra minha opção algum defeito há de ter. Há um equívoco essencial aí: Dilma não venceu apenas no Nordeste. Também teve maioria em Estados do Sudeste, como Rio e Minas. Mas não importa. Aos preconceituosos, qualquer estereótipo é irresistível.

Mayara não é um caso isolado embora talvez tenha sido a mais agressiva. Também não dá para dizer que a reação racista ao resultado do pleito tenha sido generalizada. Foi pontual.

Mais impressionante do que a estupidez dos comentários, no entanto, foi o tamanho da repercussão na rede. Na terça-feira, a hashtag que dominou o Twitter foi #orgulhodesernordestino. Era gente contando histórias pessoais, prestando solidariedade, desabafando. Perante o ódio, a internet serviu a um levante contra o preconceito.

E a uma surra sem precedentes na moça. Ela apagou seu perfil no Twitter, no Facebook, desapareceu. Terminou demitida do escritório de advocacia onde fazia estágio e tem uma ameaça de processo por crime de racismo movida pela OAB de Pernambuco. Há quem peça sua prisão. Advogados, como jornalistas, têm a obrigação de medir o que escrevem. Que lhe sirva de lição.

Na forte reação aos comentários de Mayara, é importante entender que lições ficam para nós. A principal está na resposta para uma pergunta fundamenta: São Paulo é tão preconceituosa quanto a moça fez parecer?

A resposta pode estar escondida no Google Insights for Search, a ferramenta do serviço que nos permite compreender que padrão uma busca específica segue. Buscas pelo nome “Mayara Petruso” começaram a pipocar no dia primeiro, tiveram queda ligeira no feriado de Finados e deram um salto ainda maior no dia 3. Tudo faz sentido: a notícia de que a internet tinha uma nova vilã corria e teve gente indo ao Google procurando detalhes da história.

O mais interessante, no entanto, é saber quem estava buscando por Mayara. E não eram nordestinos. Eram, principalmente, paulistas.

Buscas pela palavra “nordestino” também cresceram nos três primeiros dias de novembro. E, novamente, foram buscas realizadas de dentro de São Paulo, não no resto do País. “Preconceito” e “racismo” foram outras palavras cuja frequência de buscas aumentou. Nestes casos, a Bahia dividiu com São Paulo o interesse.

Segundo o TrendsMap.com, ferramenta que acumula a história dos assuntos mais populares do Twitter e os divide geograficamente, gente de São Paulo se engajou ativamente na campanha #orgulhodesernordestino. Mais do que gente do Rio Grande do Norte e no mínimo tanto quanto baianos, cearenses e pernambucanos.

Há racismo em São Paulo, mas São Paulo não é racista. Os números do Google mostram que nenhum lugar do Brasil se mobilizou mais por conta das declarações de Mayara do que São Paulo. E a ampla população paulista no Twitter se entregou de alma no movimento de resposta, encampando o mote do orgulho geográfico.

Estereótipos não são tentadores apenas para os preconceituosos. Estão aí para que qualquer um lance mão deles quando busca um argumento fácil. As declarações de Mayara Petruso não circularam apenas no Brasil. Ela apareceu na imprensa britânica, na americana, na espanhola.

A notícia que circulou pouco foi a notícia melhor. Perante uma estupidez, o Brasil inteiro, independentemente de geografia, se incomodou e respondeu. Somos todos muito melhores do que isso. Ainda bem.

– Jundiaí: uma cidade racista ou não? A origem do termo ‘Macaquitos’ utilizado pelos Argentinos.

Para chegarmos ao contexto local, vale o global-histórico. E falaremos de uma personagem importante. Antonio Palacio Zino: eis o culpado!

Quem é ele?

Zino foi jornalista do periódico A Crônica, de Buenos Aires. Em 1920, quando a Seleção Brasileira de Futebol foi se apresentar na Argentina, ele destilou todo o seu racismo e desconsideração ao Brasil. Chamou nossos atletas de macaquitos e ironizou a conduta moral de nossas mulheres. Eis o artigo:

E estão os macaquinhos em terras argentinas. Hoje temos de acender a luz às 4h da tarde, pois os temos visto passeando pelas ruas, aos saltos (…) No carnaval, os maridos se abrem e as mulheres vão para a festa, como lhes dá vontade. Por isso que, cada vez que nasce uma criança, o casal tenta descobrir com qual vizinho se parece (…) A uma hora e meia da bela capital brasileira, gente inocente é degolada, se assalta sem medo e é latente a escravidão em suas nuances selvagens”.

Dá para imaginar um artigo desse em jornal atual? Seria incidente diplomático na certa.

Ridículo imaginar que se julgam as pessoas pela cor da pele. Não só no século passado, mas ainda hoje.

Mas, justiça seja feita: ele levou o termo racista macaquitos ao futebol, resgatando uma antiga ofensa portenha aos negros brasileiros. Durante a Guerra do Paraguai, no século XIX, o exército de soldados puramente brancos da Argentina se uniu a uma tropa brasileira formada por escravos negros, que garantiriam sua plena liberdade em caso de vitória na Guerra. Revoltados por serem oficiais unidos a escravos, os nossos hermanos, a cada desentendimento, ofendiam-os com o termo racista.

Século XXI: o racismo persiste em todas as áreas e em todos os povos, lamentavelmente. Alguns lugares mais tolerantes, outros menos. E preconceito no quesito raça, sexo e religião. Assim, que tal dar sua opinião: na sua comunidade/cidade, o racismo/preconceito para quaisquer grupos é perceptível?

Ops: creio que nossa Jundiaí é uma cidade mais tolerante do que muitas por aí, mas ainda não ideal.

(Informações extraídas de: Revista ESPN, edição 11, setembro / 2010, Coluna Página2 , pg 16).

– Futebol e Racismo no Brasil

Amigos, convido aqueles que se interessam pelo Futebol e por temas sociais como o Racismo a lerem a Folha de São Paulo desse domingo (30/05/2010).

Há um caderno especial (Copa 2010 – a África é aqui) de altíssima qualidade, onde há uma matéria sobre como vivem os negros na Bahia (estado mais negro do país) e em Santa Catarina (o mais branco), além de outras temáticas, como: Marias Chuteiras falando que o amor não tem cor; mulheres e discriminação; árbitros e jogadores negros; preconceito de negro por prório negro.

Uma curiosa frase foi destacada: “O jornalista Mario Filho relata uma frase que ouviu de Róbson, então jogador do Fluminense: ‘eu já fui preto e sei o que é isso’ em relação ao preconceito“.

Imperdível.

– Comemorar o quê? (Negros na Administração de Empresas)

Reproduzo texto de 2 anos atrás, por achar pertinente a data:

Hoje se recorda a abolição da escravatura no Brasil. A grosso modo, a Princesa Isabel (e esta é uma opinião bem particular) fez um DESSERVIÇO à nação. Calma, não é um comentário racista, muito pelo contrário (novamente, lembro que só deve existir uma raça, a raça humana). O questionamento se dá pelo fato de, demagogicamente, assinar uma lei libertando os negros da escravidão, e… e o quê? Simplesmente, o escravo que vivia nas senzalas estava livre, e a partir daquele momento, estava solto, sem casa, sem comida, sem dinheiro, e com alguns trapos no corpo! Não houve nenhum programa de inserção do negro à sociedade. E, até hoje, os negros pagam o preço de tal medida sem planejamento futuro nem preocupação social: Qual o percentual de negros em Universidades? Na Política? Nas artes?
Recentemente, a ONG AfroBrasil divulgou um levantamento da CNT-Sensus: no Brasil, apenas 3,3 % dos negros chegam a cargos de comando na Administração de Empresas.

– Jogadores, Homens ou Imbecis?

Lamentável o episódio ocorrido ontem no Parque Antártica, envolvendo os atletas Danilo e Manoel. Não me alongarei, a polêmica pode ser entendida neste link: PALMEIRAS x ATLÉTICO. Entretanto, algumas reflexões são extremamente necessárias:

– Um homem que dá uma cabeçada em outro para intimidá-lo, é, verdadeiramente, um cidadão?

– Um homem que dá uma cusparada no rosto de outro é realmente homem?

– Um homem que distingue pessoas pela cor da pele pode ser respeitado (já que existe apenas uma raça: a raça humana. Cor da pele não quer dizer nada…)?

– Um homem que agride com pisões seu semelhante é justo?

Pior de tudo: esses ‘homens’ são atletas, jogadores de futebol de clubes de expressão, que ganham muito bem financeiramente, pessoas públicas e que deveriam dar o exemplo em suas condutas, principalmente pelas crianças.

Tudo bem que o futebol é viril, tem contato físico. Mas é esporte simplesmente. Os dois imbecis estão errados. Agredir seu semelhante física ou moralmente por idiotice é clássico exemplo de falta de educação e cidadania.

Aliás, racismo é crime. Agressão também! AMBOS TÊM QUE PEDIR DESCULPAS PÚBLICAS À SOCIEDADE.

– O Futebol Brasileiro Contra o Apartheid

É dessas coisas que nos orgulhamos!

Extraído de: http://colunas.epoca.globo.com/matamata/2009/06/22/como-a-selecao-brasileira-ajudou-a-derrotar-o-apartheid/

Como a Seleção Brasileira ajudou a derrotar o apartheid

PRETÓRIA – Nós, brasileiros, nunca pensamos nisso, mas Pelé – e a seleção brasileira – tiveram um pequeno, mas importante papel na derrubada do apartheid. Além de inspirarem o futebol sul-africano (a ponto de um de seus principais times, o Mamelodi Sundowns, usar camisa amarela e calção azul em homenagem à seleção), os multi-raciais times brasileiros “davam um tapa na cara do apartheid” cada vez que ganhavam uma Copa do Mundo. É o que diz na entrevista abaixo o principal historiador do futebol sul-africano, Peter Alegi. Como professor da Eastern Kentucky University, Alegi escreveu Laduma!, o melhor livro sobre o tema. “Laduma” é o grito dos locutores, em zulu, quando acontece um gol. Hoje professor da Michigan State University, Alegi explicou os conflitos que prejudicam tanto o “soccer” na África do Sul (na foto acima, os Johannesburg Highlanders, um bem-sucedido time das ligas negras sul-africanas da década de 30).

ÉPOCA – De que forma o futebol ajudou a derrotar o apartheid?
Peter Alegi – O futebol humanizou a vida de pessoas que tinham muito pouco motivo para comemorar nas condições impiedosas e punitivas da segregação e do apartheid. O esporte também criou um espaço cultural que deixava evidente um desejo geral de integração racial e direitos iguais. Internacionalmente, o futebol desempenhou um papel crucial no movimento de boicote esportivo. O isolamento da África do Sul branca entre 1961 e 1992, com exceção de um breve período em 1963, mostrou-se um estímulo significativo à luta pela libertação, pois mostrou que o apartheid era inaceitável e que o resto do mundo não estava disposto a jogar com racistas.

ÉPOCA – O sucesso do multi-racial time brasileiro, e em particular o de Pelé, era visto como um exemplo pelos negros sul-africanos?
Alegi – Não há dados sobre até que ponto as seleções brasileiras dos anos 60 e 70 inspiraram jogadores, torcedores e organizadores das comunidades negras. Há evidências circunstanciais em favor dessa ideia de um papel “inspirador”. O time dos Mamelodi Sundowns, fundado no início dos anos 60 no bairro misto de Marabastad, em Pretória, adotou camisa amarela e calção azul em homenagem à seleção. É bom lembrar que a televisão só chegou à África do Sul em 1976, e que a primeira Copa do Mundo só foi transmitida em 1990, depois da libertação de Nelson Mandela. Então, os torcedores devem ter visto poucos filmes do Brasil de 1958-70 e de Pelé. Certamente nunca partidas inteiras. No entanto, é certo que o sucesso de um time de brasileiros brancos, negros e mestiços era um tapa na cara da ideologia do apartheid. Nos anos 70, Pelé foi um símbolo do poder negro nas townships (as favelas habitadas por negros na periferia das grandes cidades sul-africanas).

ÉPOCA – Seu livro menciona o caso da Portuguesa Santista, que quase aceitou jogar uma partida apenas com jogadores brancos, na Cidade do Cabo, em 1959 – um telegrama do presidente Juscelino Kubitschek impediu que isso acontecesse. O que ocorreu ali, exatamente?
Alegi – A Portuguesa Santista, segundo o que se publicou na época, teria aceitado barrar vários jogadores negros e escalar um time só de brancos contra um combinado branco da Província Ocidental, na Cidade do Cabo. A South African Sports Association (Sasa), uma entidade anti-apartheid, ao saber dessa aceitação do racismo, imediatamente disparou um protesto oficial ao cônsul do Brasil na Cidade do Cabo. O cônsul, aparentemente depois de comunicar-se com o presidente Juscelino Kubitschek, ordenou que a Portuguesa Santista não entrasse em campo.

ÉPOCA – Depois do fim do apartheid, a África do Sul ainda parece buscar sua identidade. A Copa do Mundo terá alguma importância nesse sentido?
Alegi – O governo sul-africano tem usado a Copa do Mundo para estimular o orgulho nacional e a unidade e aumentar o prestígio do Estado e de seus líderes. Esse projeto enormemente dispendioso e importante, porém, chega num momento delicado para o país. A África do Sul ainda é profundamente dividida em linhas de raça e classe, e ainda luta com enormes problemas sociais, incluindo pobreza, racismo, violência, HIV e a crescente xenofobia. No geral, acredito que uma Copa bem organizada e memorável vai gerar algum sentimento de comunhão e patriotismo e pode desafiar os estereótipos negativos sobre os africanos. Mas qualquer nova identidade sul-africano será provavelmente efêmera e frágil se não for acompanhada por reformas estruturais mais amplas na sociedade.

– Um Mundo Sem Limites: o Comércio de Crianças Albinas na África

Assustador: a Folha de São Paulo publicou no seu Caderno Folhateen (reproduzido pelo Blog “de cara no mundo”) uma matéria a respeito do comércio de crianças albinas na África. É assustador! As mesmas são mortas, e os cadáveres chegam a custar US$ 4,000. É um “artigo” raro para muitos feitiços tribais.

Num mundo tão globalizado, infelizmente ainda há espaço para essas situações.

Extraído de: http://decaranomuro.blogspot.com/2009/07/bizarro-grotesco.html

Escola na África protege albinos de serem mortos e vendidos por até US$ 4.000

Nyiabe Hamisi, 14, diz que vive duplamente escondido na Tanzânia.
Primeiro, porque ele é albino e tem que afastar sua pele sem pigmentação do sol africano.
Segundo, porque mora no internato Mitindo, que é cercado por arame farpado e vigiado por dois guardas, dia e noite.
A segurança não é para impedir os alunos de gazetear aula, e sim para evitar que morram.
É que, no país, o cadáver de um albino vale até US$ 4.000 (cerca de R$ 7.600) -a renda média anual lá é de US$ 300.
Sangue, pés, mãos, cabelos e genitais de albinos são usados em poções mágicas que trazem sorte, reza uma crença antiga.
Para banir a tradição, o governo cassou a autorização de prática de todos os feiticeiros.
Mas a medida não foi eficaz: nos últimos dois anos, 60 albinos foram mortos, em números oficiais. Metade deles, teens.
Para protegê-los, a escola, construída em 1967 para 40 alunos cegos, virou um refúgio para albinos menores de idade.
Atualmente, são 101 albinos e mais 42 deficientes no casarão. A superlotação obriga que cada cama sirva a três alunos, diz Lacchius Solemon, professor da escola e intérprete na conversa entre Nyiabe e o Folhateen.
“Sinto-me caçado todo o tempo”, diz o garoto, que viu sua irmã, também albina, ser assassinada por bandidos em sua vila, antes de ir para o colégio.
“Para ajudar de longe, temos de assinar uma petição para pressionar o governo local”, diz Peter Ash, da ONG Under the Same Sun (Sob o Mesmo Sol), que luta pelo fim da prática vil. Para assinar, acesse: underthesamesun.com

– Humor Negro, sem Trocadilhos e com Tom Desagradável

Nunca gostei de humor negro. Agora, menos ainda. Digo isso devido a piada de mau gosto feita pelo humorista Danilo Gentil (Programa CQC), que utilizou de humor negro justamente contra a raça negra (se é que existe a raça negra, pois considero apens a existência de uma raça, a raça humana). O mesmo comparou o macaco King Kong com jogadores de futebol negro, por gostarem de loiras.

Piada irresponsável, que poderia ser evitada e de tom lamentável. Pessoas que estão a frente de programas de audiência, devem cada vez mais tomar cuidado em suas ações. Policiar-se é necessário!

Extraído de: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u601611.shtml

PIADA DE DANILO GENTIL NÃO TEVE GRAÇA, DIZ HÉLI DE LA PEÑA

O integrante do “Casseta & Planeta” (Globo) Hélio de La Peña decidiu entrar na polêmica da semana no Twitter. Em um texto intitulado “A coisa ficou afrodescendente para o humor negro”, o humorista carioca afirmou que a piada de Danilo Gentili relacionando jogadores de futebol com King Kong não teve graça. O post foi divulgado em seu perfil (twitter.com/Lapena).

“King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?” A frase foi postada por Danilo Gentili, do “CQC” (Band), entre a madrugada de sábado (25) para domingo no serviço de microblogs.

“Não tenho problemas com piadas de qualquer natureza, desde que elas sejam engraçadas. Não foi o caso”, escreveu La Peña. “Associar o homem preto a um macaco não é novidade no anedotário e causa desconforto aos homens pretos.”

Embora tenha avaliado negativamente a piada do colega, o “casseta” discordou que o melhor caminho nestes casos seja o judicial.

“Acho exagero imolar o humorista em praça pública. Processo é bobagem. Danilo não apontou o dedo na cara de nenhum preto e disse ‘olha aqui, seu macaco.’ Ele fez uma piada, quem não gostou expôs sua opinião. Eu não gostei.”

Segundo a assessoria de imprensa do MPF-SP (Ministério Público Federal de São Paulo), a mensagem de Gentili foi encaminhada a um procurador, que vai apurar se houve ou não racismo. A ONG Afrobras também se posicionou contra o “repórter inexperiente”. “Nos próximos dias devemos fazer uma carta de repúdio. Estamos avaliando ainda [entrar com] uma representação criminal”, disse José Vicente, presidente da ONG.

De acordo com Hélio de La Peña, “se alguma vez você sofreu discriminação racial, sabe o quanto isso é desagradável. Esta é a razão deste tipo de piada bater na trave”.

À Folha Online, na noite de ontem, o humorista do “CQC” disse estar “disposto a pedir perdão a qualquer pessoa que se ofendeu sobre qualquer assunto em qualquer coisa que eu disse”. “Quanto a apagar os tweets, não apago, não. Porque eu realmente disse aquilo. Não consigo ainda entender qual o problema com eles, mas se alguém viu problema, que me perdoe. Eu realmente disse aquilo.” 

– A Intolerância no Futebol: Brasileiros no Exterior

Muito interessante uma série apresentada pela Rádio CBN na semana passada. Nela, se abordou o racismo frente a jogadores de futebol brasileiros.

Os temas foram divididos em:

– A DISCRIMINAÇÃO NO DIA-A-DIA FORA DE CAMPO;

– TORCEDORES NACIONALISTAS;

– RACISMO CONTRA BRASILEIROS;

– PROBLEMAS CAUSADOS POR COSTUMES BRASILEIROS;

– POR DINHEIRO, CALA-SE MESMO SENDO VÍTIMA DE RACISMO.

Em destaque, um atleta que foi atingido por um cacho de bananas na Polônia; outro que foi preso por sambar no seu apartamento. Um depoimento do Zé Elias (ex-Corinthians), alegando que nosso país é visto como terra de “Futebol, Samba e Prostitutas“. Outro atleta aceita a discriminação, pois no exterior ganha dinheiro. Ainda, jogadores brancos discriminados por negros. Por fim, sociólogos debatem: o que o jogador de futebol brasileiro tem feito para ser aceito no exterior?

O acesso para a série está disponível em áudio, no link: http://cbn.globoradio.globo.com/series/PRECONCEITO-A-INTOLERANCIA-NO-FUTEBOL.htm

– Racismo: Tema que Volta à Tona

Que a lei contra o racismo é moralmente incontestável, não há dúvidas. Já escrevi enésimas vezes aqui que detesto a divisão por raças, pois existe apenas uma: a raça humana. Entretanto, confesso que às vezes me impressiono com radicalismos. Por exemplo, chamar sem malícia algum negro de “negão” pode ser considerado ofensivo ou não para o indivíduo. Mas não se chama alguém muito branco de “alemão”?

Excessos a parte, ontem à tarde vi uma bela imagem dos capitães da seleção americana e espanhola juntos, na campanha “Diga não ao racismo”, promovida pela FIFA, durante a Copa dos Campeões. À noite, outros boleiros esqueceram disso e brigaram em Minas Gerais (Cruzeiro X Grêmio – Libertadores da América).

Supostamente, Maxi Lopes, argentino que atua pelo Grêmio, houvera chamado o cruzeirense Edi Carlos de “macaco”. Ora, aí não há dúbia interpretação! Se verdade, foi um ato nojento que deve ser punido severamente. Sou contra os problemas do futebol serem levados para fora de campo – é lá dentro que se deve resolver tudo! Mas chamar um negro de macaco é ofensivo e humilhante.

Extraído de: IG Esporte

Máxi López será interrogado no próprio Mineirão por suposta ofensa racista

BELO HORIZONTE – A equipe do Grêmio foi impedida de deixar o estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, depois da partida semifinal entre o Tricolor gaúcho e o Cruzeiro, na madrugada desta quinta-feira. O fato ocorreu depois de uma discussão entre o argentino Maxi López, do Grêmio,  e Elicarlos, do Cruzeiro, na qual o atacante supostamente teria chamado o zagueiro de “macaco”, numa clara atitude de racismo.

Ainda no gramado, o fato despertou a ira do meia Wagner, que imediatamente partiu para cima do argentino, visando defender seu companheiro. Os dois trocaram empurrões e o assunto foi encerrado quando outros jogadores chegaram para apartar a briga.

Porém, o insulto recebido por Elicarlos, ganhou maiores proporções depois do apito final. Isso porque o zagueiro registrou queixa contra o adversário, acusando-o de racismo.

Após a queixa, o centro-avante, também conhecido como “La Barbie” por suas madeixas loiras, foi intimado à comparecer a delegacia, presente no próprio estádio do Mineirão, para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido. Além do atacante argentino, devem ser ouvidos o zagueiro Elicarlos e o meia Wagner, ambos do Cruzeiro, que presenciaram o ocorrido.

O fato traz à tona novamente as ofensas racistas sofridas pelo atacante Grafite, na época no São Paulo, atualmente no Wolfsburg, da Alemanha, durante uma partida da Libertadores, na qual foi ofendido pelo zagueiro argentino Leandro Desábato, que o ofendeu de maneira semelhante, e acabou sendo preso provisoriamente.

– A Princesa Negra da Disney e a Polêmica do Mercado

Procurando ser politicamente correta, a Disney prepara sua animação cuja protagonista será uma princesa negra.

Entretanto, nem assim os críticos deixam de emitir comentários negativos…

Extraído de: http://colunas.epoca.globo.com/mulher7por7/2009/06/01/a-polemica-sobre-a-primeira-princesa-negra-da-disney-o-principe-e-brasileiro/

A polêmica sobre a primeira princesa negra da Disney. O príncipe é brasileiro.

O novo desenho animado “A Princesa e o sapo” da Disney está com estreia prevista para dezembro nos cinemas dos Estados Unidos, mas a polêmica em torno da protagonista já começou. Em 75 anos de existência, é a primeira vez que a Disney tem uma princesa negra. Sabe-se lá se é influência da primeira-dama americana Michelle Obama. Linda, inteligente, negra e uma das mulheres mais bem vestidas do planeta, Michelle pode muito bem ter inspirado a criação da princesa Tiana que se veste elegantemente e usa uma tiara de diamantes. 

O fato de Tiana ser negra está gerando todos os tipos de comentários dentro e fora da comunidade de Afro descendentes dos Estados Unidos. Alguns acham que Tiana é o estereótipo dos negros e que se realmente fosse uma heroína não deveria passar a maior parte do filme como uma rã.  Outros acreditam que é importante para as crianças negras ter uma heroína da mesma cor que elas. Afinal, as outras princesas como Branca de Neve, Cinderela e Bela Adormecida são alvas como a neve.

A animação dos cineastas Ron Clements e John Musker (que dirigiram A Pequena Sereia  e Aladim) se passa nos anos 20, em Nova Orleans. Tiana é uma jovem garçonete que sonha em ter seu próprio restaurante até beijar um sapo e se transformar em uma anfíbia. Quem dubla Tiana é a Anika Noni Rose, uma premiada atriz negra que canta como um pássaro. A dublagem em inglês do príncipe Naveen é do ator brasileiro Bruno Campos (ele fez o filme brasileiro Quatrilho).

“A Disney não acredita que valeria a pena ter um homem negro com o título de príncipe”, escreveu a internauta Angela Helm no site Black Voices dedicado à cultura negra americana. Outra internauta escreveu que ele não tem os cabelos nem a pele dos membros de sua comunidade. E o ator não tem mesmo.

A Disney já foi acusada de racismo em outras animações, como no filme “Dumbo” de 1941, em que foi criticada por apresentar os palhaços negros como  mal-educados. Desta vez, ela quer acertar. A companhia cinematográfica chamou uma equipe de consultores, entre eles a apresentadora Oprah Winfrey, para dar sua opinião. Oprah disse ter gostado do filme. O professor de antropologia da Universidade de Harvard, Michael D. Bran, estudioso de casos sobre como as crianças aprendem sobre raças, afirma:”as pessoas pensam que as crianças não são capazes de entender as mensagens subliminares sobre raça e gênero nos filmes. Mas ocorre exatamente o contrário”.

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– O Neonazista Paulista e sua Nova República

É impensável que um coordenador da Camargo Correa, jovem, estudado, e de boa família, possa ter idéias tão estúpidas quanto as citadas abaixo, como a fragmentação do Brasil e o neonazismo oficializado. Pior: o idiota tem muitos seguidores.

Veja essa importante matéria investigativa da Revista Isto É, ed 2062, 20/05/09, pg 84-89, por Suzane Frutuoso e João Loes:

OS NAZISTAS BRASILEIROS
Um duplo homicídio revela a existência de novos seguidores de Hitler no País, com plano político, armas e conexões no Exterior

Neuland é uma “nova terra”, onde não falta emprego aos cidadãos e o salário mínimo é de 840 euros (R$ 2,4 mil). Nesta República Federativa, o hino nacional é o último movimento da Nona Sinfonia de Beethoven e a capital foi batizada de Magno – para afirmar sua grandiosidade. Há três prédios interligados, com 200 mil metros quadrados e 160 andares cada um. Neuland poderia ser o país fictício de uma narrativa fantasiosa. Mas a mente de quem criou esta nação-babel, com 20 idiomas oficiais, é a mesma que está sendo acusada de planejar a morte de um rival, motivada por uma ideologia que já foi usada para justificar o assassinato de milhões de pessoas no século passado e se mostra viva no Brasil de 2009: o nazismo.

O paulista Ricardo Barollo, 34 anos, coordenador de projetos especiais da empreiteira Camargo Corrêa, foi apontado como mandante do crime que tirou a vida do estudante de arquitetura mineiro Bernardo Dayrell, 24, e sua namorada, a estudante Renata Waechter, 21, na madrugada de 21 de abril em Campina Grande do Sul, no Paraná, devido a uma disputa de poder. O crime descortinou uma rede organizada de nazistas no País, com ramificações em vários Estados e conexões com outros países.

Barollo e Dayrell eram líderes dos dois maiores movimentos nacionais. Defendiam que a raça branca estava em extinção e, por isso, a miscigenação deveria ter fim. A Neuland seria o país de extrema direita pautado na mesma ideologia que o ditador Adolf Hitler implantou na Alemanha a partir de 1934. Primeiro, o grupo tomaria São Paulo e os Estados do sul do País. Depois, conquistaria o território de 22 países da Europa.

Essa história veio à tona em 1º de maio, quando Barollo foi preso no bairro de Moema, em São Paulo, no apartamento de alto luxo em que morava com os pais – outros cinco acusados de participar do crime também foram detidos no Paraná. A partir daí, a polícia começou a ter acesso ao universo neonazista do qual faz parte o grupo. A rede com ramificações no Sudeste, Sul e Centro-Oeste do País é formada, em sua maioria, por jovens de classe média ou alta, com boa formação intelectual. A exigência é tão grande que, para ser admitido na facção, o candidato precisa passar por uma rigorosa prova.

A avaliação é realizada pelo computador, em um documento enviado por e-mail com uma senha de acesso e 30 perguntas dissertativas como “Os fins justificam os meios?”, “Quem era Adolf Hitler?” e “Quais e como eram os principais governos da Europa na década de 40?”. Quem responde de acordo com o que os fatos históricos comprovam é reprovado. Passa aquele cujas respostas são inspiradas no revisionismo, teoria que, entre outras coisas, nega o Holocausto. Os aprovados são “batizados” num lugar confirmado poucas horas antes do evento – apenas a cidade onde acontece a reunião é divulgada com antecedência. Segurando tochas de fogo, prometem honrar a imagem do Führer e o nacional socialismo.

Tamanha devoção é contida em ações discretas, como uma sociedade secreta. O movimento não tem sede, página na internet, nem nada que o identifique perante a sociedade. Os integrantes preferem se comunicar por e-mail ou mensagens instantâneas. Telefonemas, só em casos excepcionais. Encontros, quando inevitáveis, acontecem sempre em lugares diferentes, para não levantar suspeitas. Não há amadorismo. Os grupos são divididos em células.

A da propaganda serve para divulgar a ideologia por meio de revistas e cartazes. Na política, o foco é a formação de futuros partidos e a conquista de novos membros. Já a paramilitar é o setor armado, que dizem ser para defesa (não há indícios de que participem de algum tipo de treinamento). Mulheres não podem participar.

Mas é permitido que elas frequentem as festas, onde a bebida é controlada e as drogas são proibidas. Negros também podem ingressar no movimento, mas precisam ser “puros”, sem mistura de raças. E jamais chegariam a líderes.

O detalhado plano da Neuland foi apresentado por Barollo aos seus seguidores em setembro de 2008. Primeiro, o grupo elegeria vereadores e o prefeito no Balneário Piçarras, em Santa Catarina. Em alguns anos, fortalecido, tomaria os Estados do Sul e São Paulo, num movimento separatista que criaria o novo país.

As fronteiras, porém, seriam fechadas a imigrantes. Barollo confirmou essas informações à polícia no dia da prisão, quando vestia uma camisa da seleção de futebol alemã. O que não contou é que o objetivo do grupo era bem mais ousado. Neuland, uma “terra prometida” fundamentada em “união, justiça e liberdade”, ocuparia países que fazem parte da União Europeia, como Alemanha, Dinamarca, Espanha, Itália, Polônia, Suécia, entre outros.

Está tudo documentado como um plano de governo em pastas às quais ISTOÉ teve acesso. Barollo seria o presidente, com um salário de 10.560 euros (R$ 30 mil). Superior aos R$ 8.348,95 que ele recebia na Camargo Corrêa. Seu aniversário, 18 de julho, constaria como feriado nacional. Bandeiras, ministérios, empresas, cargos e leis também já estavam definidos.

Além de Dayrell, a polícia já sabe que mais dois possíveis líderes estavam marcados para morrer por divergirem de Barollo: um na cidade gaúcha de Caxias do Sul e outro na capital paulista. O grupo detido também teria apoio de lideranças no Chile e na Inglaterra. Da Argentina, onde há uma rede neonazista com três mil membros, vieram as armas do crime. No Brasil, até onde se sabe, a maioria luta pela ideologia e defende a estratégia, não o uso de armas, para que com o tempo o neonazismo ganhe força. A violência seria o último recurso, diferentemente dos skinheads, que têm como principal estímulo a agressão às minorias, como nordestinos e homossexuais.

A reportagem de ISTOÉ entrevistou três jovens dos grupos neonazistas – dois detidos, acusados pelo assassinato de Dayrell, e um dissidente que será testemunha de acusação. Todos na faixa dos 20 anos. Eles se mostraram arrependidos de entrar na facção, mas confirmaram suas crenças. “A extrema direita faz as coisas ficarem mais firmes”, acredita Gustavo Wendler, 21 anos, um dos presos. Também ressaltaram que tinham amigos negros, judeus e estrangeiros. Até conheciam homossexuais. “Só não permito que eles invadam meu espaço”, disse Rodrigo Mota, 19 anos, outro detido.

Além de Wendler e Mota, foram presos Jairo Fischer, 21 anos, Rosana Almeida, 22, e João Guilherme Correa, 18. Segundo o delegado Francisco Caricati, do Centro de Operações Policias Especiais (Cope), em Curitiba, eles apontaram Barollo como o mandante. O advogado dele, Adriano Bretas, disse à ISTOÉ que seu cliente não concederia entrevista, que nega todas as acusações e só falará em juízo.

Na noite do crime, o grupo de Dayrell organizou uma festa numa chácara em Campina Grande para comemorar os 120 anos do nascimento de Hitler. Os acusados atraíram Dayrell e Renata, que saíram de Minas para participar do evento, para uma emboscada na BR-116. Todos eram amigos, apesar de fazerem parte de facções rivais. “Eles vão a júri popular e podem pegar até 72 anos de prisão por duplo homicídio qualificado, motivo torpe e apologia ao nazismo”, afirma Caricati. Na casa dos envolvidos e de pessoas que participaram da festa, foi encontrado material referente à ideologia de Hitler, como bandeiras, cartazes, revistas, livros e broches.

As divergências entre Barollo e Dayrell começaram em 2007, três anos após a formação do grupo. O mineiro teria criado camisetas, bonés e bandeiras com símbolos nazistas para vender. Barollo passou a acusá-lo de capitalista, afirmando que o ideal do grupo era de uma raça pura e de igualdade social. Dayrell chamou o líder de controlador, rígido, excêntrico, e também forjou uma votação autointitulando-se o novo comandante do grupo em Minas Gerais e no Paraná. Tempos depois, Dayrell convidou pessoas que não conseguiram entrar no grupo de Barollo, por causa da dificuldade da prova de admissão, a seguir com ele. A facção de Barollo contabiliza 50 membros. A de Dayrell, 300 pessoas.

Os grupos revelados pelo crime no Paraná não são os únicos do Brasil onde se encontram seguidores de Adolf Hitler. ISTOÉ apurou que há pelo menos mais três facções neonazistas organizadas no País. Uma no Rio Grande do Sul, com 70 pessoas, outra também gaúcha, que existe apenas para importar armas, com 20 membros, e uma terceira em São Paulo, com cerca de 40. Não há dados consolidados de quantos são os neonazistas no Brasil. Mas uma pesquisa da antropóloga Adriana Dias, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), dá pistas. Para sua dissertação de mestrado ela estudou sites que pregavam o neonazismo em português, espanhol e inglês.

Chegou a um total de 13 mil páginas em 2007. “Hoje, são 20 mil, quase o dobro”, diz Adriana. A pesquisa revelou que ocorreram cerca de 150 mil acessos a esses endereços a partir do Brasil. Com a chegada da internet, buscar parceiros que se identificam com a ideologia nazista ficou mais fácil. Entre 2006 e 2008 a Safernet, que combate os crimes cibernéticos, viu aumentar vertiginosamente o número de denúncias de conteúdo de ódio na web.

“A maior parte estava na rede de relacionamentos Orkut, mas também havia fóruns, sites e blogs”, conta Thiago Tavares, presidente da Safernet. Ele conta que diminuíram as denúncias depois de uma grande operação para coibir essas páginas em 2008, mas a atividade online continua. “Os neonazistas são organizados e têm conhecimento técnico para criar mecanismos que escondem a origem das conexões”, conta.

Prova disso é a revista online O Martelo, criada por Bernardo Dayrell para divulgar o neonazismo. Na edição de fevereiro de 2009, dez páginas da publicação são dedicadas a um guia de segurança na internet. O texto fala, basicamente, da importância da rede para o movimento Nacional Socialista e explica, passo a passo, como navegar de forma anônima (e assim acessar conteúdo proibido sem ser identificado).

A internet também facilitou a criação de dissidências dos grupos mais conhecidos, como o Front88 e o Valhalla88, por exemplo. Esses dissidentes se anunciam com nomes pomposos e em sites elaborados, mas têm, em média, cinco ou seis membros. “Na rede, vemos grupos surgir e desaparecer rapidamente”, conta Alexandre de Almeida, historiador e mestre em antropologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), autor do estudo Skinheads: os mitos ordenados do Poder Branco paulista.

Especialistas são unânimes: a repressão é o principal caminho para que movimentos neonazistas não se disseminem ainda mais – e ganhem poder como as facções terroristas alcançaram em outros países, tornando-se um risco para a segurança do Estado. Há, porém, uma alternativa que depende exclusivamente da sociedade, que é a educação para a tolerância e a diversidade. “Não se vê isso nas escolas e poucos pais abordam o assunto”, diz a historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, professora da Universidade de São Paulo, especialista em racismo e antissemitismo.

É desde cedo que se ensina respeito pelo outro, afirma o delegado chefe do Cope, Miguel Stadler, que destaca o desconhecimento dos pais dos envolvidos no caso do Paraná – nenhum deles sabia que os filhos tinham simpatia por Hitler. “A discussão sobre preconceito é urgente”, afirma o delegado Caricati. “Quem imaginaria que, décadas depois, uma ideologia baseada em barbárie seria responsável por um crime desses?” Ainda mais no Brasil, onde a miscigenação é uma marca indelével do País.

– SP Fashion Week com Cotas Raciais

Novamente o tema “Cotas para Negros” vem à tona. O que dizer agora: o Ministério Público quer que a organização do evento reserve um determinado número de modelos negros para trabalhar no evento.

A oportunidade para qualquer raça está sendo sempre levada em questão. Mas determinar um número parece tão discutível quantos as cotas em universidades, já debatidas neste espaço.

Extraído de: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a2486235.xml&template=3898.dwt&edition=12180&section=1350

Cotas na moda

Profissionais acreditam que mercado para modelos negros nos eventos de moda do Estado tem sofrido mudanças positivas, mas ainda pode melhorar

A discussão sobre cotas raciais, bastante polêmica em relação às vagas nas universidades, entrou na moda. Há duas semanas, uma reportagem sobre a São Paulo Fashion Week publicada na Folha de S. Paulo ganhou repercussão nacional. O Ministério Público paulista, através da promotora Déborah Kelly Affonso, propôs que fosse estabelecida uma cota para modelos negros nos desfiles daquele evento. A matéria trazia as opiniões do organizador da SPFW, Paulo Borges, e de alguns estilistas participantes da semana de moda. A declaração que mais gerou polêmica foi a de Glória Coelho: Na Fashion Week já tem muito negro costurando, fazendo modelagem, muitos com mãos de ouro, fazendo coisas lindas, tem negros assistentes, vendedoras, por que têm de estar na passarela?

A estilista colocou em seu site um comunicado explicando a frase publicada pela Folha. A SPFW também fez circular um e-mail afirmando que não exerce influência na escolha do casting de seus estilistas. Mas o assunto deve ir muito além da passarela paulistana.

Em Santa Catarina não existe nenhuma obrigação legal de incluir afrodescendentes em desfiles ou campanhas publicitárias. Apesar disso, modelos, produtores e agenciadores percebem indícios de mudança. Segundo Kenia Costa, ex-modelo e atualmente produtora de eventos na área, o mercado catarinense vem sofrendo uma modificação positiva nos últimos tempos.

– Sempre tivemos uma mobilização muito grande para inserir os modelos negros. E já foi muito mais difícil. Tínhamos quatro ou cinco modelos, incluíamos nos castings e nos diziam que um só já estava bom. Hoje isso se reverteu e os clientes pedem as modelos negras. Os homens também – conta ela.

Kenia acrescenta que no Donna Fashion, evento promovido pelo Diário Catarinense, do qual ela é produtora, esta nova mentalidade ficou evidente nas últimas cinco edições.

– Antes nos diziam que não queriam os modelos negros porque não combinavam com o desfile. Hoje já há uma busca não só por negros, mas pela diversidade – afirma ela.

marcia.feijo@diario.com.br

– Professor racista é algo intolerável

Lamentáveis e condenáveis as infelizes brincadeiras (se é que podem ser chamadas assim) de um professor gaúcho, que de forma racista se referiu a negros em sala de aula.

Compartilho este péssimo exemplo de como não agir, não só em sala de aula, mas em toda a sociedade. Lembrando que o temro raça deveria ser banido dos nossos questionários sócio-econômicos. Afinal, só existe uma raça: a raça humana.

Extraído de: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/05/01/

Professor de universidade é condenado por racismo

Um professor da faculdade de agronomia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) foi condenado pelo TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região a pagar multa por ato de racismo em sala de aula em 2000. Cabe recurso. As informações são do jornal “Folha de S. Paulo”.

A multa corresponde ao salário de um mês do professor José Antônio Costa, incluindo vantagens e adicionais que recebia na época. A Justiça Federal não cita o valor na decisão.

A denúncia do Ministério Público afirma que o professor disse, no primeiro dia de aula da disciplina “Leguminosas de Grãos Alimentícios“, em março de 2000, que “os negrinhos da favela só tinham os dentes brancos porque a água que bebiam possuía flúor” e que “soja é que nem negro, uma vez que nasce é difícil de matar“. Na classe, havia um aluno negro.

Na época, foi aberta uma sindicância na faculdade. A apuração concluiu que não havia conotação racista nas falas do professor, que ele tinha “intuito de criar um ambiente mais descontraído no primeiro dia de aula” e que fez uso de expressões informais sobre a raça negra utilizadas no meio rural.

O Ministério Público, então, entrou com ação civil na 6ª Vara Federal de Porto Alegre, que a considerou improcedente. Depois, recorreu ao TRF alegando que “houve ação discriminatória e racista e que teria provocado constrangimento e indignação em todos os presentes e principalmente no único aluno negro presente”.

A defesa de Costa afirmou, entre outras coisas, que ele disse as frases sem intenção pejorativa e que utilizou ditado comum na zona rural, principalmente entre agricultores de origem italiana, inclusive com conteúdo positivo, relativo ao vigor da etnia negra.

O juiz federal Roger Rios, da 3ª turma do TRF da 4ª região, relator do processo, considerou que “não é crível que indivíduo com o grau de formação intelectual [mestrado e doutorado] […] não perceba o explícito e textual conteúdo racista na expressão utilizada -tanto que ao final da aula preocupou-se em manifestar suas desculpas“.

– Ser Politicamentente Correto a todo instante

Trabalhamos na última segunda-feira com os alunos do sétimo semestre sobre “SER POLITICAMENTE CORRETO“, e após um texto-base paradidático, debatemos muito sobre o assunto. Questionados posteriormente sobre o tema, responderam (anonimamente) sobre a prática ou não dessas atitudes.

Muitas respostas curiosas: grande parte dos alunos se diz sabedor da falta de policiamento sobre essas ações, alegando consciência do erro mas certeza de que não provoca sequelas. Outros, tentam se conter, mas acabam usando expressões ditas “politicamente incorretas”. A parcela menor de alunos diz que acredita piamente ser correto em suas ações.

Os termos mais usados foram comentários jocosos sobre raça, credo e preferência sexual. Isso apenas retrata o que talvez a sociedade realmente faz: age preconceituosamente em muitas questões, embora muitos questionaram a releção de respeito X convicção: ou seja, posso não defender a prática homossexual, mas devo respeitá-la.

Um indeterminado aluno respondeu sabiamente: “Creio que todas as pessoas tem pré-conceitos sobre algo”, e, evidentemente, surgem os preconceitos pejorativos que tanto condenamos.

Entretanto, outro aluno lembrou muito bem que “esse mesmo preconceito depende de quem recebe a crítica, de qual forma ela abosrve e de como é sua reação“.  Ou seja, o que pode parecer politicamente correto para uns, pode não ser para outros e vice-versa.

Finalizando, um aluno resumiu que quando se esquecer de ser politicamente correto, “um pedido de desculpas e uma reflexão poderá fazer com que se atente mais“.

– Assédio Moral que, cá entre nós, compensa. Ou não?

Sabemos que qualquer forma de Assédio Moral é condenável. Seja por insultos ou discriminação (assédios mais freqüentes), qualquer ação não causa nenhum tipo de alegria ao que sofre tal inibição. Mas, cá entre nós, será que R$ 1,3 milhão recebido por um ex-gerente gay do Bradesco não valeriam à pena?

É claro que o texto é provocativo, mas vale uma reflexão. Entenda essa história:

 

(Extraído da Folha de São Paulo, ed 23/04/2009, pg E1-E3)

 

Depois de 22 anos de trabalho no Baneb (Banco do Estado da Bahia) e mais cinco anos no Bradesco, que incorporou o banco estatal, o então gerente geral de agência Antonio Ferreira dos Santos, 47, foi demitido por justa causa. No entanto, no período em que passou pelo banco privado, de 1999 e 2004, Santos diz ter sido vítima de homofobia. Na semana passada, o TST (Tribunal Superior do Trabalho) acatou os argumentos da defesa do ex-gerente e condenou o Bradesco a indenizar a vítima por assédio moral, discriminação e dano material. O valor da indenização pode chegar a R$ 1,3 milhão.

 

Homossexual assumido, Santos diz que era chamado de “bicha” e de “veado” por seu gerente regional, que chegava a dizer que ele deveria usar o banheiro feminino. “Ele não pegava na minha mão. Achava que minha homossexualidade ‘passaria’ pelo suor”, disse o ex-gerente.Os advogados de Santos conseguiram com que o TST aplicasse ao caso a lei 9.029, de 1995, que proíbe a dispensa do trabalho discriminatória, ou seja, por motivo de sexo, raça, cor, estado civil, situação familiar ou idade.

“As pessoas interpretavam a palavra sexo da lei como sendo só aspecto de gênero, como, por exemplo, privilegiar homens. Mas fizemos uma interpretação extensiva de que, na verdade, a palavra sexo se reporta como a sexualidade como um todo. A orientação sexual do trabalhador não pode servir de pretexto para que ele venha a ser demitido. Fizemos uma análise constitucional da dignidade da pessoa humana, do preceito da igualdade”, afirmou o advogado Bruno Galiano, que representa Santos na ação.

 

 


De acordo com o advogado, o ex-gerente não poderia ser demitido sem justa causa porque possuía uma estabilidade, adquirida por ter sido incorporado do Baneb.”Ele sofreu esse assédio e arranjaram uma forma de dizer que estava demitido por justa causa, quando na verdade o motivo da demissão era a homofobia”, disse Galiano.

Inicialmente, na decisão em primeira instância, a Vara do Trabalho de Salvador condenou o banco a indenizar Santos em R$ 916 mil por dano moral e material. O TST reformou essa decisão e diminuiu o valor para R$ 200 mil.

 

 


Como a defesa conseguiu aplicar a lei 9.029, a legislação tem duas opções de aplicação de pena. Se constatada a discriminação, o empregador, nesse caso o banco, deve reintegrar o demitido à empresa ou pagar a ele o dobro do seus salários até quando a decisão não couber mais recurso.


Segundo o advogado de Santos, a juíza da primeira instância identificou que não havia mais clima para que o ex-gerente fosse reintegrado ao banco, por isso, ela determinou que ele receba os vencimentos em dobro, desde 2004, quando foi demitido, até quando o Bradesco não puder mais recorrer.


Como Santos recebia R$ 5.000, o valor de cada salário passaria para R$ 10 mil. “Chega a esse valor alto porque, de 2004 até 2009 dá 60 meses aproximadamente, o que daria R$ 600 mil de vencimentos, mais R$ 200 mil de indenização que dá R$ 800 mil. Com a correção aproximadamente, nós ‘colocamos’ R$ 1 milhão e com mais um prazo de dois anos até trânsito e julgado [fim dos recursos] do processo mais R$ 300 mil. Foi o cálculo estimado que fizemos”, disse o advogado.


Galiano disse não acreditar que a Justiça mude a sentença do caso. Ele admitiu a hipótese de que o valor pode sofrer reformas, no entanto, disse acreditar que as provas são concretas.


“Existe o distanciamento geográfico e de tempo, isso aconteceu entre 1999 e 2004 lá na Bahia. Dificilmente um ministro vai reformar algo que foi definido nos fatos apurados no Estado da Bahia. Isso nos dá uma segurança de que dificilmente vai haver uma reforma no julgado, mas há a possibilidade. Todo o recurso tem possibilidade de reformar”, afirmou o advogado.


Por meio da assessoria de imprensa o Bradesco disse que vai recorrer da decisão e que não comenta assuntos que ainda estão sob a esfera judicial.


Artigo 482


Santos disse que recebeu uma carta de demissão lacônica, que dizia somente que ele estava sendo desligado da empresa por infringir o artigo 482 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O artigo lista 12 motivos para a justa causa na demissão, entre eles atos de improbidade, má conduta, condenação por crime e trabalhar embriagado.


No entanto, o ex-gerente alega que era um funcionário exemplar e que sua agência ultrapassava as metas determinadas pelo banco.


“O que me levava a estar no banco era as metas que eu cumpria. Ele [gerente regional] não tinha como me derrubar porque eu era um cumpridor de metas. Eu me superava. Quando o Bradesco dizia quero cem eu fazia 500. A única maneira de continuar na empresa era me superando”, afirmou Santos.


Diferente do que informou seu advogado, ele afirma que não tinha estabilidade, mas não tinha como ser demitido por justa causa porque a agência que gerenciava ultrapassava todas as outras em metas.


“Eu cumpria com facilidade as metas, mas meus colegas me ligavam e diziam “parem de ficar produzindo porque não to conseguindo cumprir aqui’ Também chegavam a dizer “Aquele veado cumpre as metas, porque não posso cumprir?’. Até nisso eu sofria. Meu colega ficava contra mim, porque ele os jogava contra mim”, disse Santos.


Em 2004, quando o gerente regional assumiu temporariamente o cargo de diretor, demitiu Santos por justa causa.


“Além de ser demitido, me tiraram a possibilidade de conseguir emprego [devido à justa causa]. Eu não consegui emprego em lugar nenhum. Eu me vi com meus direitos tirados e sem a possibilidade de conseguir outro trabalho porque ninguém me dava emprego. Hoje montei corretora e sobrevivo vendendo seguro porque o mercado fechou para mim. O Bradesco ele não queria me demitir, queria me matar, porque só conseguir sobreviver porque tive amigos e parentes que me bancaram”, afirmou o ex-gerente.


Para provar o assédio que sofria no Bradesco, Santos conseguiu encontrar várias testemunhas que comprovaram a situação vexatória a qual era submetido. “Essa causa não é minha. As empresas têm de pensar duas vezes antes de fazer uma desgraça dessa com uma pessoa”.

 

Depois da sua análise, minha opinião pessoal: É claro que a dignidade humana não tem preço. Agora, cada um sabe o seu valor…