– Identificando um Ótimo Professor

O artigo de Gustavo Ioscpe na Revista Veja (Ed 13/02/2013) é uma das boas coisas que mentes brilhantes criam. Independente se você for professor ou aluno, tenho certeza que gostará:

COMO IDENTIFICAR UM BOM PROFESSOR

Vou fazer uma pergunta fácil: você teve algum Professor especial, que fez diferença na sua vida? Se você passou mais de dez anos estudando, aposto que não apenas a resposta foi positiva, como imediatamente lhe veio à mente aquele(a) Professor(a). Agora, uma pergunta mais difícil: você poderia descrever as qualidades desse Professor especial, de forma que seus atributos pudessem ser copiados por todos os outros Professores em atividade?

Uma série de estudos demonstra que um bom Professor exerce influência substancial sobre seus Alunos, não apenas durante o período Escolar mas por toda a vida. Boa Educação melhora a saúde, diminui a criminalidade e aumenta o salário. Eric Hanushek, pesquisador de Stanford, calcula que um Professor que esteja entre os 25% do topo da categoria e que tenha uma turma de trinta Alunos gera, a cada ano, um aumento na massa salarial desses Alunos de quase 500 000 dólares ao longo da vida deles. O problema é que, mesmo que todos saibam intuitivamente quem é um bom Professor, ainda não conseguimos explicar e decompor o seu comportamento de forma que seja possível identificar os
bons profissionais, promovê-los e reproduzir a sua atuação. Os estudos estatísticos, que se valem de dados facilmente quantificáveis, nos trazem alguns bons indícios — por exemplo, a experiência do Professor só importa nos dois a cinco primeiros anos de carreira; Professores que faltam às aulas têm Alunos que aprendem menos; Professores que obtiveram notas melhores em testes padronizados, estudaram em universidades mais competitivas e têm mais habilidade verbal exercem impacto positivo sobre o aprendizado dos Alunos; quanto mais sindicalizados os Professores, mais eles faltam e mais insatisfeitos estão com a carreira; e Professores com expectativas mais altas para seus Alunos também obtêm resultados superiores. Essas são todas variáveis “de fora”; estudos mais recentes começam a entrar na Escola e na sala de aula e tentam explicar os componentes de um bom Professor.

Um estudo lançado em janeiro representa um grande passo à frente (esse e todos os outros estudos citados aqui estão em http://www.twitter.com/gios-chpe). Patrocinado pela fundação Bill & Melinda Gates, ele conseguiu criar um “mapa da mina” para a identificação de bons Professores, depois de acompanhar milhares de Professores e Alunos em sete distritos Escolares americanos (incluindo Nova York, Dallas e Denver) ao longo de três anos. Normalmente, só cito neste espaço estudos publicados em revistas acadêmicas ou simpósios, que são revisados e criticados por outros acadêmicos, porque é pequena a probabilidade de uma fundação privada reconhecer em um relatório que, “depois de três anos de esforços e milhões de dólares gastos, não encontramos nada de relevante”. Nesse caso, porém, creio que a exceção é justificada, não apenas por se tratar de uma fundação séria, que chamou pesquisadores renomados para o trabalho, mas também por seu design inovador.

Em 2009-2010, o estudo tentou criar instrumentos que identificassem Professores competentes. Chegou a um menu de três itens: observação de Professores em sala de aula, questionários preenchidos pelos Alunos e ganhos dos Alunos em testes padronizados, ou seja, quanto os Alunos daquele determinado Professor ganhavam em aprendizado de um ano a outro nesses testes (equivalentes ao nosso Enem ou Prova Brasil). Fez-se um trabalho cuidadoso para estabelecer quem deveria observar os Professores, quantas vezes e olhando para quais dimensões; como inquirir os Alunos; e no quesito valor agregado, teve-se a precaução de controlar uma série de variáveis dos Alunos (status social, situação familiar etc.) para que se pudesse isolar a qualidade do Professor, não do Aluno.

Mesmo com todos esses cuidados, ainda há muito que não sabemos nem controlamos que pode interferir nos resultados. Pode ser que os melhores Alunos procurem os melhores Professores, ou que os melhores Professores escolham dar aulas para turmas ou séries melhores, e aí o que pareceria o impacto do Professor seria uma complexa interação entre Professores e Alunos que inviabilizaria qualquer análise. (Seria como examinar a eficácia de um médico julgando apenas a taxa de cura dos seus pacientes. Se os casos mais complicados procuram os melhores médicos, ou se os melhores médicos procuram os pacientes mais intratáveis, é provável que os melhores médicos e os piores tenham pacientes com expectativa de vida similar, apesar de terem competências radicalmente distintas.) A fundação então conseguiu fazer o que se faz nas ciências exatas para isolar o efeito de uma variável: no ano seguinte, distribuiu os Professores aleatoriamente. A turma a que cada um ensinaria foi totalmente determinada por sorteio. Mais de 1 000 Professores, atendendo mais de 60 000 Alunos, participaram. E os resultados são fascinantes.

Em primeiro lugar, a performance esperada dos Professores ficou muito próxima da performance real (ambas medidas pelo aprendizado de seus Alunos). Ou seja, os Professores identificados como bons através das observações de seus pares, questionários de Alunos e valor agregado em anos anteriores continuaram, grosso modo, sendo bons Professores ensinando a turmas aleatoriamente escolhidas.

Em segundo lugar, foi possível sofisticar o modelo. Testaram-se quatro variações das ferramentas de avaliação dos Professores, e notou-se que uma das melhores combinações era aquela que dava peso igual (33% a cada um) aos três componentes (performance em teste, observação e questionário de Alunos). Quando alguns Professores reclamam que é reducionismo avaliá-los somente pela performance de seus Alunos em testes, aparentemente têm razão: é melhor adicionar essas duas outras variáveis. Também se testaram vários modelos diferentes de observação Docente, desde aquele em que o Professor é avaliado por seu diretor até versões mais complexas. Os modelos mais confiáveis se mostraram aqueles em que o Professor foi avaliado por pelo menos quatro observadores, em aulas diferentes, sendo dois deles pessoas da administração da Escola (é importante que seja mais de uma para evitar a influência de conflitos/preferências pessoais) e dois, outros Professores, treinados para a tarefa.

Nenhum estudo é definitivo, muito menos um feito por uma fundação, e nada garante que os mesmos achados serão encontrados no Brasil, ainda que normalmente o que apareça nos Estados Unidos também se verifique aqui. Mas, ante o modelo atual, obviamente fracassado, em que o Professor é contratado por concurso no início da carreira e depois fica esquecido em sua sala de aula, fazendo o que bem entender e sendo promovido por nível de estudo e experiência, o horizonte descortinado por essa pesquisa é bem mais promissor. Precisamos encontrar e premiar os bons Professores. E ter ferramentas objetivas e mensuráveis para tirar os maus profissionais da sala de aula. Sem isso, dificilmente sairemos dessa pasmaceira.

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– Percentual de Pessoas com Ensino Superior

É de se lamentar: a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou o número percentual de cidadãos que conseguem chegar às faculdades e terminar os cursos.

Entre 25 e 34 anos, as pessoas com ensino superior completo representam:

64% na Coréia do Sul,

59% no Japão,

56% na Rússia,

43% nos EUA,

41% no Chile,

39% na Espanha,

23% no México,

13% no Brasil.

Quer dizer que os coreanos representam quase o quíntuplo do que os brasileiros percentualmente falando? E aqui na América do Sul, apesar da pujante situação como é defendida pelo Governo, somos menos que um terço dos chilenos?

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– Jundiaí e a Confusão das Creches e Radares

Há certas coisas que são indefensáveis. Falar mal de bombeiro, criticar quem pratica serviço voluntário, fechar hospitais, entre tantas coisas impopulares e indevidas, estão nesse rol.

Há outras condenáveis, mas com certos “poréns”: substituir mão de obra humana por máquinas robóticas a fim de aumentar a produtividade, criar impostos com a desculpa de que a verba será para a saúde, destruir praças para aumentar a malha viária, entre outras situações, soam a primeira vista ruins mas são necessárias.

Tanto na categoria das indefensáveis quanto nas condenáveis, vemos a Prefeitura Municipal de Jundiaí envolvida nesses dias. Quer exemplos?

1- É indefensável reduzir vagas em creches ou suprimir salas de aula. Se já existiam, devem ser mantidas. As desculpas de “falta de espaço” ou “redução de custos” deveriam ser extirpadas de qualquer Secretaria, pois soam como ridículas. Numa cidade tão rica e com tanta verba como Jundiaí, usar de tais argumentos é vergonhoso. E 7 creches sofrerão com isso. Será que realmente o prefeito Pedro Bigardi está a par disso? É impensável que justo aquele que se elegeu por um Partido Comunista tome uma medida tão anti-comunitária. E pior: realocar vagas para outros bairros é um remendo ainda mais maroto, pois dá-se a entender de que a coisa é simples, tirando de um lugar e colocando em outro. Ora, criança não é mercadoria, e como ficarão as mães? Acordarão mais cedo para pegarem ônibus e levarem seus filhos a outros lugares, e chegarão mais tarde por isso também?

2- É condenável alegar que os radares serão a solução para o caótico trânsito em Jundiaí. Porém, é inegável que eles reduzirão os acidentes nos cruzamentos, em troco não da Educação no Trânsito, mas sim da ameaça da punição financeira: a multa! Um radar pode multar o excesso de velocidade e flagrar o avanço do sinal vermelho, mas ainda não pode sair do seu poste e orientar o trânsito, tampouco parar motorista embriagado ou apreender carro roubado. Um agente humano não seria melhor do que uma máquina? A Educação no Trânsito não é uma prevenção melhor aos motoristas do que a simples cobrança monetária da infração? Aliás, e as verbas a serem arrecadadas, não se comenta? A empresa proprietária do sistema não houvera sido questionada pela oposição na administração anterior, e que hoje com os papéis trocados se acomodou?

Enfim, a questão é: que raio de economia burra é essa de deixar as crianças longe de suas casas, alegando a “pouca procura”, como se assim fosse, ao mesmo tempo em que se gasta horrores com sistema de multas?

Preferiria que cada real gasto no sistema de radares fosse revertido para as escolas e creches. E que cada real arrecadado fosse revertido para entidades educacionais. E já que falamos tanto de trânsito, parece que o prefeito está na contramão.

Escrevo isso como cidadão, desinteressado de quais partidos estejam no imbróglio e sem pretensões políticas. Apenas como desabafo de uma incrível demonstração de total insensibilidade dos gestores municipais.

Caros governantes, vocês estão fechando ESCOLAS! Têm dimensão do que é isso?

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– O Enem e as Provas Escrachadas

Está dando o que falar a questão das notas de Redação do Enem. Provas com brincadeiras inseridas (como o Hino do Palmeiras e a Receita do Miojo) tiveram boa pontuação. Erros de português ignorados, semi-alfabetizados próximos da nota máxima, além de outras incoerências fazem com que os corretores sejam questionados.

A questão é: quem corrige as provas faz seu serviço com competência e boa vontade, ou dá notas sem sequer as ler?

Extraído de: G1.com (http://is.gd/dvDrLJ)

CANDIDATO INCLUI HINO DO PALMEIRAS NA REDAÇÃO DO ENEM E TIRA NOTA 500

‘Tentei enganar os avaliadores’, afirmou Fernando Maioto Júnior ao G1.
Inep diz que aluno perdeu pontos por ‘impertinência’. Nota vai de 0 a 1.000.

por Ana Carolina Moreno

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O estudante de medicina Fernando Cesar Maioto Júnior, de 21 anos, inseriu trechos do hino do Palmeiras no meio da prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012, que teve como tema o “Movimento imigratório para o Brasil no século 21”. A redação do estudante tem quatro parágrafos, e frases retiradas do hino oficial da Sociedade Esportiva Palmeiras aparecem em dois deles (veja o destaque na imagem acima).

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) confirmou, em nota divulgada na noite desta terça-feira (19), a veracidade da prova, e afirmou que a nota foi de 500, de um máximo de 1.000 pontos. Segundo a autarquia, a “impertinência” foi notada pelos avaliadores e tirou pontos do estudante.

Ao G1, Fernando disse que fez o Enem só para tentar provar que a correção da redação não era confiável, aproveitando o fato de que, a partir da edição de 2012, os estudantes teriam acesso ao espelho da redação e poderiam provar possíveis falhas na correção. “Tentei enganar os avaliadores. A gente sempre escuta que o pessoal que corrige só lê o primeiro parágrafo e a conclusão, resolvi fazer no centro, no segundo e terceiro parágrafos”, contou.

Em parte da redação, por exemplo, o estudante mesclou o tema da imigração e versos do hino em uma mesma frase: “As capitais, praias e as maiores cidades são os alvos mais frequentas dos imigrantes, porque quando surge o alviverde imponente no gramado onde a luta o aguarda, sabe bem o que vem pela frente e que a dureza do prélio não tarda.”

Fernando explicou que, meses antes do Enem, conseguiu a aprovação no vestibular de medicina da Faculdade Faceres, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. “Preferia estudar aqui, já moro aqui, é mais fácil”, disse. O estudante também já havia prometido aos colegas que, se conseguisse passar no vestibular antes do Enem, tentaria incluir o hino do seu time do coração no meio do texto.

Segundo a nota do Inep, os corretores encarregados de avaliar a prova “identificaram a impertinência do texto inserido, o que trouxe para a redação palavras e expressões sem sentido e em estilo inadequado ao tipo textual exigido na prova”.

Isso garantiu que a nota do estudante fosse baixa “especialmente nas competências I e II”. As duas competências incluem como exigências “demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita” e “compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo”.

A redação do Enem deve obedecer cinco competências previstas no edital. A realização da prova de redação deveria cumprir as exigências de cinco competências determinadas no edital do MEC:

1ª competência: Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita.

2ª competência: Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.

3ª competência: Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

4ª competência: Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários à construção da argumentação.

5ª competência: Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Veja abaixo a íntegra da nota divulgada pelo Inep:

A coordenação pedagógica do exame, a cargo das professoras da Universidade de Brasília e doutoras em Linguística, Profa. Dra. Vilma Reche Corrêa e Profa. Dra. Maria Luiz Monteiro Sales Coroa, esclarece que os avaliadores identificaram a impertinência do texto inserido, o que trouxe para a redação palavras e expressões sem sentido e em estilo inadequado ao tipo textual exigido na prova. Com isso, a redação obteve nota 500, tendo nota baixa especialmente nas competências I e II. Desconsiderada a inserção inadequada, o texto tratou do tema sugerido e apresentou ideias e argumentos compatíveis. O texto indica compreensão da proposta da redação, não fugiu ao tema por completo e não feriu os direitos humanos.”