– Liderança Nefasta Utilizada Como Infeliz Exemplo

Já não bastassem as confusões causadas na Fórmula 1 envolvendo as montadoras (FOTA) e a FIA, que quase culminaram na divisão da categoria, tal fato ocorrido nas últimas horas mostra que esse ano, decididamente, foi de extrema infelicidade para a dupla que comanda o campeonato: Bernie Ecclestone e Max Mosley.

Dessa semana, o destaque é Ecclestone, que declarou admirar a liderança, veja só, de Saddam Hussein e Adolf Hittler!

O exemplo é de extremo mau gosto; entretanto, Hittler e Saddam se enquadram no “Modelo Burocrático” de Max Weber, grande estudioso que definiu níveis de liderança, dentre os quais se destacava a liderança carismática aquela que conquista adeptos pela influência e carisma, mas que ao mesmo tempo pode ser a mais perigosa.

É claro que Ecclestone não se enquadra nesse modelo; mas se espelha em 2 líderes carismáticos que não fizeram bom uso de suas virtudes…

Extraído de: http://br.esportes.yahoo.com/noticias/esportes-ecclestone-elogia-hitler-saddam-hussein-04072009-25.html

Ecclestone elogia Hitler e Saddam Hussein em entrevista

Bernie Ecclestone está causando polêmica com uma entrevista que concedeu ao jornal londrino The Times. Detentor dos direitos comerciais da Fórmula 1, Ecclestone abriu o jogo e revelou de onde tira inspiração para exercer o poder que tem sobre a categoria. Sem pudor, o empresário inglês disse preferir “líderes fortes”, citando como exemplos a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e Max Mosley, presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA). Mas o momento mais polêmico da entrevista veio quando comentou sobre suas referências políticas. Depois de afirmar que a democracia “não fez muito para muitos países, incluindo este (Inglaterra)”, Ecclestone, de 78 anos, ainda destacou pontos positivos da figura de Adolf Hitler, líder do nazismo e apontado como principal responsável pelo genocídio contra os judeus nas décadas de 1930 e 40. Para o empresário, Hitler fazia “as coisas acontecerem”. “Acho que é horrível falar isso, mas, tirando o fato de que Hitler se deixou levar e foi persuadido a fazer coisas que não tenho ideia se ele realmente queria fazer, ele estava em uma posição que conseguia comandar muitas pessoas, fazendo as coisas acontecerem”, opinou Ecclestone, para depois ainda criticar a retirada do ditador Saddam Hussein do Iraque. “Ele era o único que podia controlar aquele país”, justificou o empresário. Neste sábado, os principais líderes judeus da Europa demonstraram espanto e revolta pelos comentários de Ecclestone. O inglês, porém, já é conhecido pelas suas afirmações polêmicas. Em outra oportunidade, o detentor dos direitos comerciais da Fórmula 1 disse que as mulheres deveriam se vestir de branco, “assim com os outros aparelhos domésticos”. À época, Ecclestone alegou que o comentário tinha sido uma brincadeira.

– Bye Bye, Bagdá

Hoje se inicia a primeira ação de retirada das tropas americanas no Iraque. Os soldados deixarão de patrulhar as ruas e apenas se manterão em bases militares.

Muda algo?

Paz não é o fim de uma guerra simplesmente. É muito mais. É a convivência harmônica e respeitável. Não adianta alardear que há paz, se nas ruas ainda se enxerga o ódio. Isso não é paz, é trégua.

– Mendigos e Drogados Expulsos da Cracolândia

Só pelo fato de deixar chamar um trecho da região central paulistana de Cracolândia, é motivo de vergonha! Para quem circula nesses arredores, sabe que há consumo de crack a céu aberto, e que as autoridades fazem vista grossa. O que os moradores pensam disso? E os comerciantes honestos? É constrangedor, chato, anti-higiênico, perigoso e doentio.

A sujeira, os bandidos e a violência no entorno são redundantes. E para fugir dessa desagradável situação, conforme noticiado ontem no Jornal Nacional, comerciantes estão fazendo uma engenhoca, colocada no alto dos telhados, com canos furados, provocando o efeito de chuva. Ou seja, se o cara for se deitar na sua calçada para se drogar, água nele!

Dali eles saem, e vão para outro canto. É um paliativo. Ao menos eles têm que se mexer. O certo é que autoridades responsáveis os retirassem da rua, e que se for considerado “problema de saúde”, tratá-los!

Entretanto, me assusta a fala do secretário municipal Andrea Matarazzo, que defendeu publicamente o direito dos viciados ali estarem. Ora, deveria ele se preocupar em defender aqueles que fogem do vício, não dos que sustentam-o.

Mas compartilho uma outra opinião, mesmo um pouco diferente (extraído de: http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/06/24/como-expulsar-drogados-mendigos-e-outros-estorvos)

COMO EXPULSAR DROGADOS, MENDIGOS E OUTROS ESTORVOS

POR LEONARDO SAKAMOTO

Um edifício em obras na região central de São Paulo instalou gotejadores de água em sua marquise para gerar uma chuva artificial e espantar usuários de drogas que frequentavam a fachada.

A administração municipal, consultada em reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, disse que molhar os “pedestres” era inaceitável e que medidas seriam tomadas. Vizinhos do prédio pinga-pinga afirmaram terem gostado da idéia e pensam em copiá-la para garantir mais “higiene e segurança”.

Já escrevi aqui que São Paulo está se aprimorando na arquitetura da exclusão. Retomo o que havia dito antes.

O tema não é exatamente novo e ocupou espaço na mídia quando o então prefeito José Serra resolveu implantar no complexo viário da avenida Paulista, a mais conhecida e importante da cidade, as chamadas rampas antimendigo – grandes blocos de concreto que impedem o povo de rua de montar sua casinha imaginária para se proteger do tempo e do mundo. E proteger, dessa forma, a “gente de bem” que estaria sendo assaltada durante as longas pausas dos congestionamentos.

Há muitos anos, o vão formado pela rua Teodoro Sampaio sobre a rua Mateus Grou, no bairro de Pinheiros, era residência de sem-teto. A associação de amigos da rua construiu rampas para enxotá-los de lá. Tempos atrás, vi que o mesmo aconteceu na rua João Moura, no trecho sob a avenida Paulo VI/Sumaré. Implantaram canteiros de flores para mandar as pessoas para longe de lá. Se as flores plantadas lá soubessem o que custou sua chegada murchariam de vergonha. O interessante é que alguém, que provavelmente morava ali ou se indignou com isso, pixou o muro em frente com um lembrete incômodo: “Aqui morava gente”.

Reformas já foram feitas no Centro de São Paulo para tirar ou vazar a marquise de prédios. Ganha um doce se alguém advinhar para quê…

Já que não se encontra solução para um problema, encobre-se. É mais fácil que implantar políticas de moradia eficazes – como uma reforma urbana que pegue as centenas de milhares de imóveis fechados para especulação e destine a quem não tem nada. Ou repensar a política pública para usuários de drogas, hoje baseada em um tripé de punição, preconceito e exclusão e, portanto, ineficaz. Muitos vêem os dependentes químicos como lixo da sociedade e estorvo ao invés de entender que lá há um problema de saúde pública.

As obras que estão revitalizando (sic) a região chamada de Cracolândia, têm expulsado os moradores da região. Para onde vão? E isso importa?! Contanto que fiquem longe dos concertos da Sala São Paulo, do acervo do Museu da Língua Portuguesa e das exposições Estação Pinacoteca ótimo. No caso do prédio-que-chove os usuários de drogas não foram muito longe: mudaram-se para o outro lado da rua.

Melhor tirar da vista do que aceitar que, se há pessoas que querem viver no espaço público por algum motivo, elas têm direito a isso. A cidade também é deles, por mais que doa ao senso estético ou moral de alguém. Ou crie pânico para quem acha que isso é uma afronta à segurança pública e aos bons costumes. Em vez disso, são enxotados ou mortos a pauladas para limpar a urbe para os cidadãos de bem.

Logo após a fundação da vila de São Paulo de Piratininga, José de Anchieta, com a ajuda de índios catequizados, ergueu um muro de taipa e estacas para ajudar a mantê-la “segura de todo o embate”, como descreveu o próprio jesuíta. Os indesejados eram índios carijós e tupis, entre outros, que não haviam se convertido à fé cristã e, por diversas vezes, tentaram tomar o arraial, como na fracassada invasão de 10 de julho de 1562. Ao longo dos anos, a vila se expandiu para além da cerca de barro, que caiu de velha. Vieram os bandeirantes – hoje considerados heróis paulistas -, que caçaram, mataram e escravizaram milhares de índios sertão adentro. Da África foram trazidos negros, que tiveram de suportar árduos trabalhos nas fazendas do interior ou o açoite de comerciantes e artesãos na capital. No início do século 19, a cidade tornou-se reduto de estudantes de direito, que fizeram poemas sobre a morte e discursos pela liberdade. Depois cheirou a café torrado e a fumaça de chaminé, odores misturados ao suor de imigrantes, camponeses e operários. Mas, apesar da frenética transformação do pequeno burgo quinhentista em uma das maiores e mais populosas metrópoles do mundo, centro financeiro e comercial da América do Sul, o muro ainda existe, agora invisível. E, 455 anos após a fundação de São Paulo, esse muro impede o acesso dos excluídos à cidadania.

Ou, às vezes, nem tão invisível assim.

Na última vez que tratei deste assunto, alguns leitores destilaram a mais fina filosofia com pérolas como “tá com dó leva para casa”. É incrível a incapacidade de algumas pessoas de olhar além dos seus próprios narizes e discutir soluções reais para ampliar o acesso à cidadania. Esquecem que a cidade será para todos. Ou não será para ninguém.

– Doe Plaquetas! Os Bancos de Sangue e os Necessitados Agradecem.

Alguns aprendem pelo AMOR, outros pela DOR.

Foi pela DOR que me conscientizei e me tornei doador de sangue e de plaquetas. Após uma experiência pessoal, vi que tal ato humanitário é essencial, embora desprezado pela maioria.

Mas não venho usar espaço para isso nesse momento. Venho pedir: os bancos de sangue de todo o Brasil estão precisando com urgência de Doadores de Sangue e Doadores de Plaquetas! Com o frio, o número de doadores voluntários cai muito; também em épocas festivas, a carência aumenta!

Que tal um ato solitário que dignifica o homem? Doe sangue ou doe plaquetas. Não dói nada, é rápido e faz bem para o corpo e para a alma. Até eu que tenho fobia de agulhas sou doador! Qual o problema então?

Os necessitados de sangue e plaquetas agradecem!

– Caetano Veloso Precisa de Dinheiro Público? Nós o estamos patrocinando…

O descaso com o dinheiro público parece não ter fim. Caetano Veloso, consagrado cancioneiro, está realizando sua nova turnê, e se apresentou num luxuoso e badalado show em São Paulo, no Credicard Hall. Mas um detalhe: sua turnê receberá uma “bolada de dinheiro” do Governo Federal, através da Lei Rouanet, que financia seus gastos e dá (isso mesmo, dá, do verbo “dar”) dinheiro para cobrir prejuízos e viabilizar financeiramente o evento.

Tal lei é para incentivo a cultura, não para ajudar artistas famosos a maximizar seu lucro. Caetano fará caridade em seu show, ou é simplesmente um evento comercial onde ele faturará com as entradas? Que incentivo a cultura é esse, se o show é caríssimo e não popular? O que as pessoas que carecem de cultura ganham quando o Ministério dá dinheiro ao Caetano Veloso?

Se você acha que tais críticas são exageradas, veja o que Gilberto Dimenstein sabiamente escreveu, e para quem gosta de radicalidade, o que o PCdoB colocou em seu sítio eletrônico:

Extraído de:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u581134.shtml

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=57910

CAETANO PRECISA DE AJUDA?

Estive no show de Caetano Veloso em São Paulo e notei que, apesar do alto preço dos ingressos, todos os lugares estavam ocupados –apenas preço do estacionamento era de R$ 25. Daí se vê o absurdo de uma possível concessão de R$ 2 milhões à turnê nacional desse espetáculo, graças à Lei Rouanet.

Não me senti jogando dinheiro fora ao pagar o alto valor dos ingressos. Muito pelo contrário: Caetano é um talento extraordinário. Mas sinto que meu dinheiro está sendo jogado fora quando recurso público acaba patrocinando esse tipo de evento.

Caetano ajuda a sintetizar meu incômodo com a Lei Rouanet, que o governo pretende reformar. A concessão do incentivo fiscal, como muitos outros incentivos públicos, para a cultura muitas vezes reforça a lógica da desigualdade do país. Faria mais sentido se Caetano, assim como as celebridades artísticas, recebesse o dinheiro em troca não apenas de ingressos gratuitos, mas de oficinas culturais ou aulas-espetáculo. Em poucas palavras, a concessão do benefício estaria condicionada a algum projeto pela melhoria da educação pública.

Todos sairiam ganhando com essa troca: os estudantes mais pobres teriam a chance de uma inesquecível aula-espetáculo.

E o artista teria, além do apoio financeiro, o prazer de compartilhar sua experiência com quem dificilmente assistiria ao seu espetáculo.

POR TRÁS DO JOGO POLÍTICO DA CULTURA

A lógica da CNIC deveria ser a do Ministério:

1. Shows comercialmente viáveis não devem ser incentivados. Caetano é, graças a seu talento. 

2. Não deve haver concentração de verbas no centro-sul. Caetano é um artista do centro-sul, seus shows serão majoritariamente no centro-sul. 

A partir daí, como fica? Na entrevista da Folha, foram apresentados a ele quatro projetos que tiveram o patrocínio negado: as peças “Peter Pan” e “Miss Saigon”, e exposições como “Leonardo da Vinci” e “Corpo Humano”.

Ele não discute os critérios. Mas defende a revogação do veto à Maria Bethania, argumentando que Ivete Sangalo – que é um sucesso comercial maior – teve seu projeto aprovado. 

Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação de irmã Dulce nem de Madre Teresa de Calcutá. Um artista conhecido pode ter dificuldade de conseguir patrocínio para uma obra experimental, ou pode ser do interesse público abaixar os preços de um espetáculo popular. 

Espetáculo popular no Credicard Hall é dose. 

De qualquer modo, Juca deixa transparecer uma suspeita política, a de que a decisão do CNIC visou jogar artistas consagrados contra as mudanças na lei Rouanet. É possível. A própria exclusão de Maria Bethânia e a inclusão de Ivete Sangalo mostra um jogo difícil de ser compreendido. 

Mesmo assim, ficadevendo explicações mais claras, inclusive sobre o tal jogo da CNIC. 

Se a intenção do CNIC foi desgastar as mudanças, conseguiu.

OBSERVAÇÃO: são 2 milhões de reais que o Ministério da Cultura que irão (ou poderiam ir) para Caetano Veloso. Após muitas pressões, o Ministério disse que reverá a Lei Rouanet, para cancelar ou não tal “incentivo”.

– Parada Gay: Resultados Atingidos ou Apenas Carnaval?

Apenas repito novamente este texto, que já foi repetido no ano passado e portanto tem 2 anos. Mas o pensamento e propósito é atual! Abaixo

Post de 22.05.2008

Neste final de semana, haverá a Parada Gay em SP, e são esperadas 3 milhões de pessoas, sendo que a prefeitura municipal distribuirá 1 milhão de preservativos (o que sugere que 1/3 poderão fazer sexo seguro). Mas esta não é a questão levantada. A questão é o respeito a dignidade, que parece ser esquecido. Há quase 1 ano, neste espaço, fiz uma observação que permanece atual. Abaixo:

Post de 13.06.2007, em

http://rafaelporcari.blog.terra.com.br/parada_homo_x_parada_hetero#comments

Parada Homo X Parada Hetero
Fico pensando sobre toda essa manifestação dos grupos GLTB durante a Parada Gay. E chego a conclusão de que tal evento nada mais é do que um carnaval homossexual, sem atender aos propósitos da causa defendida.

O lema pregou o fim da Homofobia e respeito aos direitos dos homossexuais. Mas como levar a sério, se os manifestantes estão sambando a um volume inaudível, com fantasias diversas e outros praticamente nús?

Ligo a TV e vejo um moreno, em cima de um trio elétrico, apenas de mini-saia. Onde está a defesa da manifestação? Onde estão as faixas reinvindicando os direitos gays?

No sábado anterior, houve uma caminhada lésbica na Av Paulista, com aproximadamente 200 pessoas, em defesa do direito das homossexuais. Sinceramente, este protesto tem muito mais respeito e dignidade do que os 3 milhões da Avenida Paulista. Elas protestaram, os outros festejaram.

Respeito o homossexual, mas não faço defesa da prática. A opção sexual de cada um deve ser discreta, respeitosa, para que não se torne vulgaridade ou promiscuidade. A Parada Gay se tornou uma festa de apologia, libertinagem e pornografia, aceita pela mídia e pelos grupos empresariais que querem negociar com este público consumidor.

Já imaginaram a repercussão de uma parada de 3 milhões de heteros, fazendo apologia a heterossexualidade? Seria condenada por muitos.

A causa que poderia ser cidadã parece se tornar libertina. Infelizmente.

– Respeito que se Conquista: Dom Hélder Câmara e seu Centenário Natalício

Há brasileiros que orgulham uma nação inteira. Dom Hélder Câmara, se vivo, completaria 100 anos de idade. E como há homens que extrapolam a dignidade e tornam-se inquestionáveis, compartilho belíssimo texto da ex-ministra do meio-ambiente, Marina Silva, sobre a obra desse magnífico cidadão:

Extraído de: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3729858-EI11691,00-Um+brasileiro+para+ser+lembrado.html

Neste ano o Brasil comemora o centenário do nascimento de Dom Helder Câmara. Comemora? Nem tanto, pois a melhor comemoração seria o conhecimento das novas gerações sobre a obra humana e política deste homem franzino, bem humorado, doce, gentil e firme, que fez enorme diferença na história do país, durante os anos da ditadura. E muitos jovens sequer ouviram falar dele. Esta é minha colaboração para que se interessem e busquem saber mais sobre a vida e o pensamento de um brasileiro que, mesmo não estando mais entre nós, ainda pode nos inspirar.

Dom Hélder lutou pela justiça, pelo retorno das liberdades democráticas e, principalmente, pela solidariedade ativa com os pobres e oprimidos. Foi perseguido e, depois do AI-5, até mesmo seu nome não podia ser citado nos meios de comunicação. Acusavam-no de comunista e lhe deram o apelido de “Arcebispo Vermelho”, ao que ele tranquilamente respondeu: “Se eu dou comida a um pobre, me chamam de santo, mas se eu pergunto por que ele é pobre, me chamam de comunista.” Ele pregava que a pobreza não resulta da indolência, mas de estruturas injustas. Costumava dizer que não se pode acusar quem tem sede de justiça: “no Nordeste, Jesus Cristo se chama José”.

O que ele fez, na verdade, foi assumir radicalmente o que considerava sua missão como cristão. Foi um dos mais importante líderes religiosos brasileiros. Seu lema era a opção preferencial pelos pobres, uma das resoluções do Concílio Vaticano II (1962/1965), que renovou as práticas da Igreja Católica e abriu as portas para a intervenção social de padres e fiéis.

Nomeado arcebispo de Olinda e Recife, em abril de 1964, Dom Helder passou a ser malvisto pelo regime militar, por suas denúncias de violação de direitos humanos e pelo seu trabalho com movimentos populares. Criou as famosas Comunidades Eclesiais de Base, das quais tenho muito orgulho de ter feito parte e de ter iniciado minha participação política dentro delas, ao lado de pessoas como o Bispo Dom Moacyr Grecchi, que é referência para toda a Amazônia, como sinônimo de luta pela democracia, pela liberdade e pelos direitos humanos.

Por sua postura e prestígio internacional, Dom Hélder foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, no início dos anos 70, e o então presidente Médici chegou ao cúmulo de mover campanha de bastidores contra a sua candidatura, mobilizando a diplomacia brasileira para promover um boicote junto ao governo da Noruega.

Mas por que era tão odiado e perseguido? Porque nunca permitiu que o calassem e sempre tomou atitudes desafiadoras e criativas. Em maio de 1969, um de seus principais assessores, Padre Henrique, foi sequestrado, torturado e assassinado. No dia seguinte, Dom Hélder reuniu dez padres e outras dez mil pessoas para acompanhar o cortejo até o cemitério, a quase 15 quilômetros de distância, no outro extremo da cidade de Recife.

Cristóvam Buarque certa vez o chamou de “santo rebelde”. Santo porque levava conforto e carinho aos mais miseráveis; e rebelde porque, ao mesmo tempo, gritava contra as injustiças e queria fazer uma revolução que erradicasse os males da pobreza. Diferentemente de outros santos, ele não se conformava apenas em ajudar aos pobres, e diferentemente de outros rebeldes, cuidava dos necessitados enquanto a revolução não vinha.

Dom Hélder foi uma pessoa que sempre me emocionou. Apesar de ter formado meu pensamento social com influências marxista e socialista, o que mais me encantou, e que constitui a base da minha ideologia, é o Cristianismo. Na Bíblia, encontrei respostas para a necessidade de lutar pela justiça, para repreender a ganância dos poderosos. E Dom Hélder, acima de diferenças de credo religioso, foi um exemplo, um estímulo e uma demonstração do caráter revolucionário do cristianismo, quando o entendemos como um guia para agir no mundo. Segundo ele, “o verdadeiro cristianismo rejeita a ideia de que uns nascem pobres e outros ricos, e que os pobres devem atribuir a sua pobreza à vontade de Deus.”

Ele viveu a misericórdia e o amor exatamente como Cristo disse: “Quando estava preso, tu me visitaste”. E ele visitou muitos presos nas prisões da ditadura. “Quando estava faminto, tu me alimentaste”. E ele alimentou muitas crianças famintas do Nordeste e por onde passou. E disse mais ainda: “Quando sentia frio, tu me acolheste; quando faltou a verdade, tu me disseste a verdade.” E aí alguém perguntou: “Mas quando, Senhor, nós te fizemos isso?” E Jesus respondeu: “Sempre que fizestes a estes pequeninos, ao mais insignificante deles, a mim o fizestes.”

Todas as pessoas que estão além do seu tempo passam a ser maiores do que foram no seu tempo, porque cada um de nós, de certa forma, as traz impressas nos seus sonhos e ideais. Dom Hélder tinha esperança de encontrar enormes surpresas na outra vida: “vamos descobrir, um dia, que Deus é muito mais humano que os homens.”

Quando morreu, em 1999, o povo pernambucano acompanhou a pé o seu caixão, por duas horas, até o local do enterro, em Olinda. Foi homenageado no mundo inteiro, por personalidades e líderes políticos, que o chamaram de sábio e de grande humanista. Mas a frase a seu respeito de que mais gostava era uma que lhe disse um menino de Olinda, após assistir o filme ET: “ele é feio e bonzinho, assim como o senhor”.

Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre e ex-ministra do Meio Ambiente.

Fale com Marina Silva: marina.silva08@terra.com.br

– A Decadência do Grau de Civilidade, por Cláudio Lembo, citando o “Filósofo Ronaldo Fenômeno”

Para este post, não é preciso comentário. Apenas leia:

(foi escrito pelo ex-governador Cláudio Lembo, especial para o Terra Magazine):

Extraído de: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3770320-EI8421,00-Gol+de+placa.html

GOL DE PLACA

por Cláudio Lembo

(a respeito da cidadadia – por quê a opinião de um boleiro repercute mais do que a de um educador?)

Vai mal. Muitos já perceberam a decadência de nosso grau de civilidade. Falam. Pregam no deserto. Ninguém quer escutar. É bom viver o dia que passa. O futuro a Deus pertence. É o pensamento hegemônico.

Caíram por terra os nossos mais sadios traços de convivência. Ninguém respeita ninguém. Os professores são desconsiderados em salas de aulas. Os pais não se relacionam com seus filhos.

Uma confusão geral. Esta se desdobra em todos os setores da sociedade. Nas relações de trabalho, os conflitos são comuns. No interior das religiões, atos impensáveis. Nada de bom exemplo.

Uma onda de deboche. Uma malícia disseminada em todas as conversas. Avança para a política. Todos se “lixam” de todos. As relações sociais se deturpam. As condutas ferem o sentimento médio acumulado por séculos.

A que se deve tão ampla onda de rompimento da convivência entre as pessoas? As causas podem ser muitas. A urbanização desenfreada que trouxe, para um único local, culturas diversas.

Ou então os meios de comunicação eletrônica que lançaram uma avalanche de costumes desconhecidos de amplos setores da sociedade. Os hábitos de determinados setores urbanos transferiram-se para todo o país.

Deu no que deu. Ninguém respeita ninguém. Uma entropia invade todos os segmentos da sociedade. Há campanhas publicitárias sobre tudo. Não há campanhas informativas sobre como proceder.

Inexiste preocupação sobre aspectos mínimos da razoável forma de se conduzir por parte das pessoas. Elas não são incentivadas a praticarem formas civis de convívio.

Tudo se tornou uma luta de todos contra todos. A agressividade invadiu o contexto social. Viver em sociedade, apesar do ensinamento em contrário, dos antigos filósofos, tornou-se oneroso.

Daí a fuga para um individualismo perverso. A retirada para o interior das moradias. O não conhecer o vizinho. A ausência da boa troca de idéias. Tudo recuou para o individual.

Quando se busca o convívio surge, comumente, o desafio do diálogo pobre. Entrecortado por frases desconexas e tratamento desprimoroso. Perdeu-se o traço singular do ser humano: a capacidade de convívio.

Isto acontece em todas as sociedades. Atingiu grau superior por aqui. Deformaram-se nos costumes. O melhor da brasilidade perdeu-se na mediocridade.

Nada foge a esta realidade. Da universidade à várzea, proliferam as formas incivilizadas de agir. As escolas são depredadas pelos alunos. Os templos violados. As cidades agredidas pelo mau uso.

Perderam-se os núcleos básicos de aprendizado da boa educação. As crianças e os jovens estão soltos. Já não contam com os pais para ensinar as regras mínimas de conduta. Estão ao Deus dará.

Este amargor alcança muitas pessoas, particularmente os que tiveram a felicidade de viver outros tempos. Não se trata de pessimismo ou saudosismo.

É mais. Trata-se de simples constatação de uma realidade envolvente. Ela surgiu com mais vigor nesta semana. O jornal Folha de São Paulo sabatinou Ronaldo, o jogador do momento.

Quando um educador fala, ninguém dá importância no atual contexto. É mais um chato a oferecer opiniões desagradáveis. Um pernóstico recheado de doutrinas e preconceitos.

Agora, quem pôs o dedo na ferida foi ele, Ronaldo, a figura mais exposta pelos meios de comunicação nos últimos tempos. Foi duro. Salutar, porém. Ronaldo foi enfático, mais do que enfático, marcou um gol à distância.

Ao ser indagado como e onde educará seu filho, respondeu o jogador do momento, na Europa. As crianças brasileiras são maliciosas. Possuem palavreado de adolescentes. Proferem palavrões.

E ao ser provocado por grito da platéia, Ronaldo foi além. Afirmou ser seu filho brasileiro, mas que prefere que ele conte com amiguinhos europeus, sem malandragem dos amiguinhos brasileiros.

Concluiu o fenômeno: “A gente quer sempre o melhor pros filhos, e eu, podendo escolher, prefiro que ele tenha educação européia”. Acertou na ferida. Não deixou saídas.

Lamentável. Lição, porém, legítima porque retrata a realidade social de degenerência dos costumes. É bom tomar atenção, se ainda houver tempo. Um pouco de boa educação não faz mal a ninguém.

É Ronaldo quem diz. Não um pedagogo qualquer.

– Somos todos Desonestos ou Não?

A Revista Época, em uma edição antiga, trouxe uma interessantíssima matéria, intitulada Somos todos um pouco trapaceiros, por Daniel Venticinque. Nela, se discute o livro “A mais pura verdade sobre a desonestidade”, do psicólogo israelense Dan Ariely.

O livro recém lançado fala sobre o fato de todas as pessoas terem uma queda, em certo momento da vida, para a desonestidade. E a culpa vem das situações cotidianas, que trazem naturalmente à tona esse defeito humano. Seriam 5 fatores para a desonestidade e outros 5 para a honestidade. Abaixo:

5 FATORES QUE NOS FAZEM TRAPACEAR DEMAIS

1- CAIR NA PIRATARIA: as pessoas que usam produtos falsificados tendem a ser mais desonetas em outros aspectos da vida. O sucesso desse pequeno deslize nos torna propenso a arriscar deslizes maiores.

2- SER MALTRATADO: para quem sente que não foi respeitado, a desonestidade pode ser uma revanche. Quem não é bem tratado por um vendedor raramente devolve o dinheiro se ele errar o troco para mais.

3- DAR ASAS À CRIATIVIDADE: além de ter uma tendência a questionar regras, as pessoas cujas profissões exigem criatividade são melhores para inventar desculpas e para bolar maneiras de desobedecer às leis.

4- FAZER O BEM PARA OUTROS: quando o desonesto beneficia outros além do trapaceiro, trapacear fica ainda mais fácil. O mal-estar da trapaça é compensado pela sensação de fazer o bem.

5- LIDAR COM VALORES VIRTUAIS: ver alguém cometer um ato desonesto aumenta muito as chances de fazermos o mesmo naquela situação. É a regra do “todo mundo faz”, que já entrou para o folclore da política brasileira.

5 ATITUDES QUE NOS TORMAM MAIS HONESTOS

1- DAR SUA PALAVRA: É antiquado, mas funciona. Assinar um temo de responsabilidade ou se comprometer a seguir um código de ética é um bom lembrete mental para evitar a tentação da trapaça.

2- TER FÉ: discursos e símbolos religiosos nos tornam menos propensos à trapaça, por estar associados à boa conduta. Não é por acaso que a música gospel é pouco atingida pela pirataria.

3- CRIAR UMA CULTURA DE HONESTIDADE: quando a desonestidade é malvista e há poucos maus exemplos maus exemplos a seguir, trapacear fica mais difícil. Isso explica por que a trapaça é mais difundida em alguns países.

4- MANTER A TRANQUILIDADE: como a trapaça é uma tendência natural, ser honesto exige esforço. Evitar o cansaço mental ajuda a manter a compostura diante de uma oportunidade de trapacear.

5- CONTRATAR FISCAIS DESINTERESSADOS: Trapaceamos menos quando somos fiscalizados. Mas os fiscais precisam ser isentos. Quanto maior o contato deles com quem fiscalizam, maiores as chances de que todos caiam na trapaça.

E aí: concorda com eles ou não? Deixe seu comentário:

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Imagem extraída da Internet, autoria desconhecida.