– Como os clubes brasileiros são mal administrados:

Quer algumas provas de que os clubes de futebol têm muita dificuldade com responsabilidade, gestão, finanças e comportamento?

Aqui, algumas provas:

A) O calote que chega até a FIFA:

Chega a ser vergonhoso: a punição transfer ban que a FIFA sanciona a quem não paga atletas, treinadores ou clubes (proibindo contratações) é cada vez mais comum no futebol brasileiro. E parece que não escandaliza mais ninguém!
Na lista, até o momento dessa publicação, constam:
Santos: 4, Internacional: 3, Corinthians: 2, São Paulo: 1, Grêmio: 1, Fortaleza: 1, Cuiabá: 1, Amazonas: 1, Figueirense: 1, Miramar: 1, Colorado: 1.
A Ponte Preta saiu dessa lista no mês passado, ao aceitar uma parceria com o Boavista SAF, que saldou a dívida de R$ 2,2 milhões de reais. Mas o que preocupa é: o que os clubes estão fazendo para sair desse rol de devedores internacionais?

B) O descontrole comportamental e a ausência de investimento em preparo emocional:

Na semana passada, Andrés Gomes acabou sendo expulso em Boca Juniors 0 vs 1 Vasco da Gama de maneira infantil. Cartão evitável, em que pese a arbitragem ruim de Piero Maza
Há dois sábados, em Athletico 0 vs 2 Palmeiras, Andreas Pereira bobeou (talvez desconhecesse a regra) e foi expulso pelo segundo cartão amarelo de maneira bisonha ao chutar a bola extra na outra.
Em Porto Alegre, no Grêmio 2 vs 4 Cruzeiro no domingo retrasado, Kannemann deu uma entrada temerária em Kaio Jorge e recebeu corretamente o Cartão Amarelo. Eis que o defensor gremista recebeu a advertência e, de maneira desequilibrada, saiu fazendo “sinal de louco” em referência ao árbitro. Na sequência, fez o típico gesto de roubo com a mão e, flagrado pelo bom bandeira Bruno Boschilla, acabou sendo expulso após o assistente avisar o árbitro João Vitor Gobi. E reclamou ainda mais…
Aqui, penso: as 3 expulsões foram por falta de controle emocional e /ou desconhecimento de regra. O que os clubes estão fazendo para evitar essas situações? Estão advertindo os seus atletas ou “passando a responsabilidade” para o árbitro, alegando o velho discurso de que foram prejudicados?

C) Treinadores são despreparados e há venda de diplomas falsos:

Repercutiu bastante a questão da venda de diplomas de treinador de futebol por parte do ex-jogador Mancuso (ex-Palmeiras e ex-Flamengo).
Por R$ 100 mil reais, ele vendia um diploma de treinador com licença para dirigir clubes na Europa, emitidos pela escola de formação da Argentina (para ser técnico na Europa, a UEFA exige capacitação dos profissionais, e na América do Sul, a AFA os realiza. Os da CBF Academy , além de caros, não servem).
Eis que o meia Alex Cabeção, Paulinho (ex-Corinthians e Bragantino), Thiago Silva e tantos outros atletas compraram, com um diferencial: não precisavam frequentar as aulas teóricas pois já eram “experientes pela carreira”.
Cá entre nós: ninguém desconfiava?
Ao que parece, não tem santinho nessa história…

D) O conflito de interesses:

Leila Pereira é a atual presidente do Palmeiras. Fico imaginando: seu enteado (portanto, filho do seu marido) é / será em breve o dono da SAF do Vasco da Gama, com muito dinheiro. O esposo dela, o Dr José Roberto Lamacchia, é ativo na vida do Palmeiras (clube que é presidido por ela). Não se configura conflito de interesses?
Vejo tanta gente tentando criar argumentos para se dizer que “não tem nada a ver” tal relação. Ora, se é proibido (e é), cumpra-se a Lei.
Taí a grande questão: a SAF do Vasco da Gama parece que se concretizará e a relação com a SE Palmeiras entre os envolvidos é nítida. Marco Faria Lamacchia, que é neto de Aloysio Faria (ex-banco Real e dono do conglomerado Alpha) é filho de José Roberto Lamacchia. Portanto, a madrasta e o pai estão num clube concorrente. Estarão concomitantemente trabalhando em seus clubes? Ele, pela Almirante participações (dona da SAF do Vasco) e ela pelo Palmeiras. Se isso pode infringir o compliance do Brasileirão 2027, imagine se ela for em 2028 ao Vasco? Aí, já passa por questão ética…
Aguardemos!

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