– Que a Itália sirva de exemplo para o Brasil na condução do futebol. Estamos cometendo os mesmos erros que os italianos?

A Seleção Italiana sempre teve uma admiração muito grande por parte dos brasileiros; seja pelo fato de ser historicamente um adversário respeitado e difícil (e ‘freguês” em Copas do Mundo, vide em 1970 e 1994), seja pelo fato de muitos de nós descendermos de italianos.

O certo é: a 3ª vexatória não-classificação da Azzurra para um Mundial de Futebol mostra várias coisas, entre elas, a principal: camisa pesada (ou tradição, se preferir) não ganha mais jogo. Como explicar derrotas para Macedônia do Norte ou Bósnia?

Mais do que isso: como pode uma seleção tetracampeã do mundo estar fora de uma Copa (e por três vezes seguida)? Ora, veja só: os italianos há tempos estão decepcionando. Seus dois primeiros títulos foram há quase 100 anos, o terceiro há quase 50 e o último há 20.O que ela tem feito de bom nos últimos anos? Quem são os craques indiscutíveis da Squadra Italiana?

Igualmente o Uruguai: Bicampeão do Mundo, mas em 1930 e 1950. Ganhou o quê depois disso? Não vale falar de Copa América aos sulamericanos ou Eurocopa para os europeus. O torneio premium, a “coisa grande”, é a Word Cup FIFA!

Compare os italianos com os franceses: até a Copa de 1994 (a França ficou fora de dois mundiais seguidos), eles eram apenas “um time de segundo escalão na geografia do futebol”. Mas ganharam (e muito bem) a Copa de 98, foram bi-campeões na Rússia em 2022 e por muito pouco não foram tri em 2026! Hoje, a França é o grandão e a Itália se apequenou!

Havia um tempo, em que o quarteto Alemanha, Argentina, Brasil e Itália sempre chegava nas fases finais. Nunca, ao menos um deles, estava de fora, e isso mudou em 2010 com Espanha x Holanda. E por que lembramos disso? Porque o futebol é cíclico!

Nesse ciclo do futebol, há enormes pecados. A Hungria dos anos 50 não ter um título Mundial, a Holanda de 74 e 78 ou o Brasil de 82, que encantaram o mundo, não tiveram êxito. Assim, Puskas, Cruyff e Zico, mesmo estando em seleções fantásticas, incrivelmente não são campeões do mundo. E há o caso de craques isolados que, sozinhos, não conseguiriam a façanha pela falta de qualidade de suas seleções… (como Cristiano Ronaldo, Drogba ou George Weah).

O que nós devemos nos perguntar é: por que isso (essa queda de rendimento) aconteceu com a Itália? E a resposta é a verossimilhança com o Brasil: maus dirigentes esportivos, trocas constantes de treinadores, falta de padrão de jogo e, um problema que precisa ser debatido: a “invasão estrangeira nos clubes italianos”.

Se analisarmos os jogadores italianos da atualidade, não temos nomes de destaque! Nos clubes da série A, não vemos garotos da Itália tendo oportunidade. Do profissional à base, há um número altíssimo de sulamericanos e africanos, que são um pé-de-obra barato e de boa qualidade. Assim, não temos talentos revelados como antes.

Fico imaginando: nos clubes brasileiros, após o aumento do limite de estrangeiros, diminuiu-se o espaço para os garotos da base. Eu sei que o mercado é quem manda, mas não seria muito mais vantajoso para um clubes, ao invés de trazer um argentino ou paraguaio a baixo custo, promover uma promessa brasileira a fim de, futuramente, revende-lo e ganhar dinheiro?

Eu sou a favor do livre mercado, da concorrência sadia e das oportunidades. Mas penso que ao permitir tantos estrangeiros no Brasileirão da Série A, limitamos nossos talentos (como a Itália fez). Nessa última data-FIFA, o Athletico Paranaense goleou o Botafogo por 4×1, e todos os gols do Furacão foram marcados por jogadores estrangeiros. Não tem um moleque paranaense bom de bola para ter chance de jogar?

Nós não podemos esquecer: a Copa do Mundo tem 48 equipes classificadas, inúmeras vagas em cada continente, e, se não tivéssemos tantos classificados permitidos na América do Sul, poderíamos também nós estarmos lamentando como os italianos

Em tempo: será a 1ª Copa do Mundo que não teremos treinador brasileiro.

Abra o olho, CBF.

Em tempo: teremos confrontos inesperados e de qualidade duvidosa nessa inchada Copa: que tal Canadá x Catar? Ou Jordania x Argélia? Ou ainda Congo x Uzbequistão? Ou apostas como: “quanto será a goleada da Alemanha sobre Curaçao ou da França sobre o Iraque?”

Screenshot

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.