– Neymar 2026 poderia ter o mesmo desfecho de Ronaldo 2002?

Eu me recordo como se fosse hoje: Romário estava fazendo “campanha” para ir à Copa do Mundo Japão – Coréia do Sul, e Felipão o fiscalizava de todas as formas. Até que o Baixinho, num vôo depois de um amistoso, “aprontou” com uma aeromoça (conforme reza a lenda). Assim, o treinador da Seleção Brasileira o deixou de fora e ficou à espera de Ronaldo Nazário (na época, chamado de Ronaldinho e posteriormente Ronaldo Fenômeno).

Ronaldo havia se contundindo gravemente, e na sua volta, depois de muitos meses se tratando, entrou no segundo tempo numa partida do Campeonato Italiano (Internazionale vs Lazio) e, ao vivo, se contundiu gravemente sozinho. Um drama que trouxe tristeza a todos (pelo carinho dos aficcionados por futebol a ele, pelo tempo que estava fora e pela nova lesão).

Eis que o atacante se cuidou, abdicou de festas e, mesmo com grandes chances de não voltar a jogar em alto nível (em algum momento, até de não levar uma vida normal), conseguiu voltar se preparando para o Mundial 2002.

A simpatia e a torcida do povo brasileiro foram grandes. Havia carisma enorme do atleta com os torcedores (hoje, menor, devido a visão de empresário que se formou em torno dele e a magia do seu futebol não ser conhecida ou assistida pelos mais jovens).

Neymar seria um ídolo substituto ao Ronaldo. Garoto, de cabelo moicano e futebol magistral, um talento à altura dos grandes jogadores do futebol brasileiro. Impensável que não seria camisa 10 da Seleção Brasileira e com ele poderíamos ganhar o Hexacampeonato.

Seu grande público?

Talvez não eram somente os torcedores de futebol, mas as crianças! Inegável o sucesso entre os garotos, com camisas do menino Ney e cabelo imitando o jovem ídolo.

O tempo passou e… vieram as mulheres, os filhos fora do casamento, e até (injusto) escândalo sexual, no qual foi vítima. A magia parecia estar se dividindo com a badalação.

Neymar pode ser definido literalmente como um Peter Pan, um garoto que não quer crescer. Pudera, desde garotinho já era exposto, não viveu a infância como um menino qualquer. Tenho a impressão de que Ney Jr vive a mesma situação que Ronaldinho Gaúcho viveu (desde cedo bancando a família, trabalhando na adolescência e passando a fase mais lúdica do noviciado de concentração em concentração). E, quando as coisas não davam certo… as cobranças!

A Joia Santista era debochado. Jogava fácil, e em alguns momentos irritava os adversários com o seu talento. Em outras, com sua provocação. E apanhava. E em outras, simulava. Foi aumentando a simpatia de uns e a antipatia por outros.

Natural sucessor de Lionel Messi no Barcelona, por um caminhão de petrodólares cataris resolveu ir para o PSG, onde não levou a tão sonhada Champions League aos franceses. Na Arábia Saudita, um fiasco. Mais se contundiu do que jogou, e por problemas físicos, foi sendo deixado de lado por Jorge Jesus, seu treinador lá na Ásia. Nitidamente, Neymar não foi ao Al-Hilal para ser jogador, mas para ser embaixador da Copa do Mundo 2034 (e nisso, obteve êxito).

Voltando ao Santos FC, já não tinha mais a mesma condição física de antes e, apesar do altíssimo talento, não era mais o Neymar do Barcelona. E aí ficou a questão: o novo técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, o convocaria para os últimos amistosos do Escrete Canarinho?

O certo é que Ney Jr fez um ou outro jogo decisivo contra times fortes. Lógico, contra os pequenos clubes paulistas ou com equipes mais fracas brasileiras, tirou de letra e foi bem. Vide o jogo contra o Vasco, tão recente.

Na convocação derradeira, Ancelotti foi extremamente correto: “Se Neymar estiver 100% fisicamente, poderá ser convocado”. E aí fica a questão: Ele fará como Ronaldo? Abdicará das festas, se dedicará aos treinos, se tornará um recluso e entrará de corpo e alma à preparação para uma possível volta à Seleção?

Tenho, na minha humilde opinião, que “as Copa do Mundo de Neymar” já passaram. E ele ficará sem um título de campeão mundial (Anderson Polga, um volante botinudo, por exemplo, ironicamente, o tem).

Quem viu Neymar no auge, viu. Não voltará (lamentavelmente) à mesma forma.

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