Muitos treinadores de futebol têm a vaidade de estarem em um patamar de sapiência acima do demonstrado. Vários “professores” ignoram conversas com seus comandados, impondo suas ideias.
Obviamente, um treinador é o líder de uma equipe à beira do gramado, orientando a parte tática. Entretanto, a liderança não pode ser centralizada, e sim compartilhada. Por isso, muitas vezes, as falas de seus assistentes são levadas em consideração.
Mais do que isso: ouvir os seus comandados (na vida esportiva ou profissional) ajuda no processo de descentralização e de novas ideias.
Roger Machado, técnico do São Paulo FC, declarou após o jogo contra o Red Bull Bragantino que iria colocar Luan em campo, mas trocou a substituição por sugestão dos seus atletas. Vide:
“Eu preciso deixar um espaço para que eles tenham autonomia dentro de campo. Não tenho vaidade nesse sentido. Em algumas vezes eu vou atender; em outras, eu vou procurar fazer o que está na minha primeira opção (…) Imaginei que poderíamos bloquear esse avanço do Red Bull Bragantino no campo fazendo uma linha de cinco na primeira linha de ataque: botando um tripé de meio, o Cauly por um lado e o Ferreira por outro, trazendo o André para marcar o volante e liberando os dois zagueiros. E os atletas, que estão sentindo o jogo e vivendo o jogo, me sinalizaram de lá. E está tudo certo. O líder sou eu, mas nem sempre eu vou ter razão em tudo”.
A pergunta é: tal atitude ganha o grupo ou fragiliza o comando?
Eu achei pertinente o propósito de Roger, especialmente quando ponderou os momentos citados.

