– As alterações das Regras do jogo para a Temporada 2026/2027, explicadas:

A International Board (IFAB), na reunião do último sábado (28), discutiu uma série de modificações nas Regras do Futebol. Em específico, o encontro se preocupou em formas de agilizar o jogo, buscando maior tempo de bola rolando.

Em outras reuniões, muita coisa já houvera sido discutida: paralisação de cronômetro, 2 tempos de 50 minutos e acréscimos majorados (essa última, tornou-se uma orientação a partir da Copa de 2022: não mais o básico “1′ de acréscimo no primeiro tempo e 3′ de acréscimos no segundo tempo”, mas sim a quantidade ideal de tempo de acordo com as paralisações e tempos perdidos).

Vamos lá, aqui estão as modificações, extraídas do comunicado IFAB em seu site oficial (originalmente em inglês e traduzidas por mim de uma maneira menos técnica e mais didática):

– REGRA 3: Os Jogadores.
Ninguém pode conversar com o árbitro contestando suas decisões. Porém, há duas temporadas, optou-se pela experiência de que somente o capitão da equipe pode conversar com o árbitro, de maneira respeitosa (e todos os demais que o abordassem, deveriam tomar Cartão Amarelo). Isso tornou-se o ano passado optativo: você escolhe o modelo “ninguém fala nada”, ou “somente o capitão fala, e os outros recebem amarelo”.
Agora, o texto da regra diz que os organizadores de um torneio preferencialmente devem sugerir que suas competições permitam que o capitão possa falar com o árbitro (e os demais recebam amarelo), para “melhorar o comportamento em campo, aumentar a cooperação e fortalecer o relacionamento entre os jogadores e o árbitro”.
Ou seja: antes, era opção; agora, uma recomendação preferencial.
Uma novidade passa a ser: os jogadores, no processo de substituição, deverão sair de campo em até 10 segundos (por qualquer ponto do campo) após serem informados pelo árbitro. Se não o fizer, o substituto terá que esperar 1 minuto para entrar em campo.

– REGRA 5: O Árbitro.
Os árbitros deverão publicamente fazer a contagem regressiva para o goleiro repor a bola em jogo, quando a defende, a partir do 5º segundo dos 8 segundos que a regra exige.
Ou seja: ele não precisa contar publicamente os 8 segundos, somente a partir do 5º segundo, levantando a mão e indicando.

– REGRA 8: Início e Reinício de Jogo.
No Bola ao chão, existem momentos em que a bola possa claramente ir para um adversário da equipe que tocou nela por último (mas não vai). Nesses casos, segundo a IFAB, é mais justo que o bola ao chão seja concedido à equipe que teria ficado com a posse, desde que isso seja evidente para o árbitro. Fora da área penal, a bola será agora colocada em jogo na posição em que se encontrava quando a partida foi interrompida.
Ou seja: o reinício com bola ao chão não será mais necessariamente à equipe que estava com a posse de bola em seu pé, mas essencialmente à equipe que dominaria a bola, caso ela não esteja com o domínio efetivo.

– REGRA 9: Bola em Jogo e Bola fora de Jogo.
Existem situações em que um treinador, substituto ou jogador que esteja temporariamente fora do campo de jogo (entre outros) toca na bola enquanto ela se dirige para fora de campo, com a intenção de ajudar a agilizar o reinício da partida. Nesses casos, será marcado um tiro livre indireto, mas não haverá sanção disciplinar, a menos que tal sanção seja aplicada por abandonar a área técnica de forma persistente.
Ou seja: se alguém invadir o campo precipitadamente para devolver uma bola que vai sair (mas não saiu ainda), será marcado tiro livre indireto (dois lances), sem o cartão amarelo. O motivo é: se você tenta agilizar o jogo, não tem má fé. Portanto, o que antes era cartão amarelo, passa a não ser mais.

– REGRA 11: Impedimento.
Aqui, se torna mais um esclarecimento do que uma mudança na regra: quando um goleiro lança uma bola ao ataque, e se quem receber a bola estará em posição duvidosa de impedimento, o VAR deverá considerar o último ponto de contato durante o lançamento com a mão. Já quando for chute, será considerado o primeiro contato com o pé.
Ou seja: a regra diferencia o chute do arremesso manual:
No Chute (Regra Geral): O momento considerado para o impedimento é o início do toque (o primeiro contato da chuteira com a bola). Isso evita dúvidas sobre a deformação da bola ou o tempo que o pé fica em contato com ela.
No Arremesso do Goleiro: Como o braço faz um movimento de alavanca e a mão “acompanha” a bola por mais tempo, o “primeiro contato” ocorre quando a bola ainda está junto ao corpo do goleiro. O último contato (o momento em que a bola efetivamente sai da mão) é muito mais fácil de ser identificado pelas câmeras do VAR e reflete melhor o momento real do lançamento.

– REGRA 12: Faltas e incorreções.
Aqui, apenas um reforço na redação sobre o goleiro ter que repor a bola em 8 segundos: o texto da regra acrescentou que obrigatoriamente o árbitro deve fazer a contagem de 5 segundos finais (dos 8 de tolerância, já citado na regra 5), para que o goleiro não seja surpreendido pelo final do tempo.
Também há a recomendação em que, nos lances em que um atleta comete uma falta numa situação clara e iminente de gol, e há vantagem resultante em gol, nenhum cartão deverá ser aplicado.
Por fim, uma novidade: o VAR poderá intervir em lances em que um jogador seja expulso não somente pelo cartão vermelho, mas também pelo segundo amarelo.

– REGRA 15: Arremesso Lateral.
A partir do momento que um atleta ter condições de cobrar o arremesso lateral, ele deve fazê-lo em até 5 segundos. Caso contrário, a bola estará em posse do adversário (a clássica “reversão”). Antes, você não tinha limite determinado de tempo e, ao invés de reversão, aplicava-se Cartão Amarelo por retardamento.

– REGRA 16: Tiro de Meta.
O tiro de meta deverá ser cobrado em até 5 segundos, após a bola ser posicionada e estar pronta para o chute. Caso não ocorra, deverá ser marcado um tiro de canto para a equipe adversária.

– REGRA 17: tiro de canto:
Todo escanteio (e inclua-se tiro de meta) que for marcado equivocadamente pelo árbitro e o VAR perceber, deverá ser informado. O VAR só poderá intervir de maneira rápida, sem paralisar a partida e nem pedir para que o árbitro vá ao monitor.

– JOGADORES LESIONADOS:
Aqui, talvez o ponto mais polêmico! Um atleta que precisar sair de campo e ser atendido pelo médico, só poderá voltar ao campo de jogo após 1 minuto depois de ultrapassar a linha (exceto, óbvio, o goleiro).
Isso tem um lado positivo: acabará com simulações de contusões.
Isso tem um lado negativo: se eu sofro uma lesão real e preciso sair, o time infrator ficará com um jogador a mais por 1 minuto.
Na Copa Árabe 2025, testou-se essa situação, com a ressalva: se o atleta infrator receber qualquer cartão (amarelo ou vermelho), o lesionado não tem esse tempo mínimo de aguardo. Porém, no documento da IFAB, não consta essa observação. Aguardemos mais esclarecimentos.

Aqui, um grande problema: as alterações das regras do Futebol valem para a temporada 2026/2027 (que são no meio do ano, quando se inicia a temporada europeia). A Copa do Mundo, que é a maior vitrine, já começará com essas regras. E até o ano passado, a CBF tinha autorização especial para adiantar as regras (pois o Brasileirão começava em Abril). Em 2026, o Campeonato Brasileiro já começou em Janeiro! Assim, você não pode mudar as regras do esporte no meio da competição, e devemos ir até dezembro com as regras velhas.
Imagine quantos arremessos laterais seriam revertidos, quantos tiros de meta teriam virado escanteio e quantas simulações a menos teríamos até a 4ª rodada jogada. Sem contar o tempo de bola rolando. Assim, um placar com essas regras poderia ter sido diferente.

  • Qual a solução?

Imagino que a CBF tentará reunir os clubes e convencê-los a unanimamente aceitar que as regras novas sejam aplicadas a partir das próximas rodadas (e usar isso como argumento à FIFA para liberar).

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