Muita polêmica no Morumbi ao final do primeiro tempo, com acusações de que o árbitro João Vitor Gobi houvera xingado o jogador Vinicius Lira, do Santos FC. A acusação partiu de Zé Rafael, seu companheiro, corroborada (isso agrava o fato) pelo seu adversário, Sabino.
Já havíamos falado da ascensão meteórica da carreira do jovem árbitro, das suas virtudes e de seus defeitos (aqui: https://wp.me/p4RTuC-1du2), e alertamos: 3 clássicos em 17 dias é muita coisa… querem forçar a ida de Gobi à FIFA, mas não estão gerenciando a carreira dele com sabedoria.
Mas árbitro xinga jogador?
Antigamente, sem câmeras e com menos fiscalização, jogador xingava árbitro e árbitro revidava o xingamento. Mas existia algo que hoje não existe: “permissão de palavreado chulo”.
Dulcídio Wanderley Boschilla falava palavrões e manda jogador à m***a. E permitia respostas dos mesmos, dentro de uma informalidade / intimidade criada. Oscar Roberto Godói foi até mesmo imortalizado pelo jornalista Milton Neves como “Ministro da Guerra” em seus programas esportivos. Porém…
Os tempos mudaram. Você é filmado como num grande Big Brother. Deve ter respeito para cobrar respeito e evitar ao máximo dar brechas para ser criticado. E tem instrumentos adequados para punir o jogador infrator, sem xingamentos: a advertência verbal, os cartões amarelo e vermelho e a a ajuda do VAR. Mais do que isso: a câmera acoplada na sua cabeça, que flagrou claramente Gabriel Menino ofendendo o árbitro ao ser justamente expulso (as imagens permitem uma leitura labial perfeita).
Insisto: estamos em um momento de renovação forçada da arbitragem paulista. Lucas Canetto Belotte (suspenso após Santos 1×1 Corinthians) e João Vitor Gobi estão sendo preparados para a FIFA, para substituírem Raphael Claus e Flávio Rodrigues Souza. O erro: não estão capacitando eles a contento…
O perigo é: a vaidade! Os jovens árbitros paulistas estão cada vez mais deslumbrados com o sucesso e esquecem-se que os protagonistas são os jogadores. O árbitro só está lá para a regra ser cumprida, e ele o deve fazer com respeito (sem confundir autoridade e autoritarismo).

