Você está cansado de ouvir falar sobre a discussão dos pênaltis mal marcados no Brasil desde a questão da orientação do movimento anti-natural, não? Jocosamente, virou pênalti de “queimada”. Se eu fosse treinador, mandava chutar no braço do adversário pois a chance de virar tiro penal é grande.
Claro, não vemos lances assim na Europa, na Ásia, na África, na América Anglo-Saxônica e na América Latina Espanhola. Só no Brasil (na Austrália, eu não sei).
Uma pessoa (não importa se é amigo ou amiga, colega ou leitor) me questionou sobre a análise crítica que fiz no lance do “pênalti de cotovelo”, onde Gil acabou sendo expulso no jogo São Paulo 0 x 1 Corinthians pelo Paulistão (o texto aqui: http://wp.me/p55Mu0-nD).
Pois bem: ela argumenta que:
“Gil se projeta a frente, elevando os braços para ampliar o corpo, assumindo o risco que a bola batesse em seu braço”.
Ué, ele tem a intenção de bater a bola com o braço, mas o recolhe assustado em um tiro a queima-roupa, batendo no cotovelo? A intenção – NÍTIDA – é de evitar o contato! E só não o consegue pois tudo foi muito rápido.
Retruquei educadamente à pessoa com tal argumento, mas o contra argumento é sempre apelativo, alegando que “na sua época não era pênalti mesmo, Porcari”. Ou, ainda, que só “pode analisar arbitragem de clássico quem já apitou clássico”.
Ora, caro amigo/amiga, a Regra é a mesma para quem apitou grandes ou pequenos jogos! A atenção no jogo, não deixar jogador fazer rodinha, ter saco-roxo para peitar jogador que bate palma depois de Amarelo, independem de época, divisão ou qualidade da equipe.
Mas as pessoas dificilmente são convencidas pelos outros; na maioria das vezes, são elas quem se convencem.
Tentando iluminar a boa pessoa, já que minhas observações na Rádio Difusora, Jornal Bom Dia /Diário de SP, no Futebol Esporte Show do SBT / VTV/ TV Sorocaba ou nos meus blogs pessoais não servem a ela pelo fato de eu nunca ter apitado um Majestoso (pela lógica dela), citei alguns nomes de árbitros que apitaram não só clássicos paulistas, mas também grandes jogos nacionais, sulamericanos e internacionais, como Carlos Eugênio Simon (que avaliou péssima a arbitragem na sua participação na Fox Sports) e Sálvio Spinola na ESPN, onde AMBOS CONDENARAM A RIDÍCULA MARCAÇÃO DO PÊNALTI. E eu ainda poderia citar tantos outros árbitros, como Anselmo da Costa e Alfredo Loebeling, que não marcariam tal absurdo. Na verdade, não li, ouvi ou conversei com nenhum árbitro que marcasse.
E ainda assim a pessoa insistiu que foi pênalti. Agora, o contra-contra-argumento dela é que Simon e Sálvio:
“Não apitam mais e estão desatualizados, nunca sendo vistos indo a reunião ou reciclagem, já que as coisas mudam.”
Caraca! Pirei… Quando se deixa de exercer um ofício e se passa a ensiná-lo e explicá-lo, perde-se o valor? Sálvio e Simon dormiam mais na FIFA do que nas suas próprias casas, e não me constam que marcavam pênaltis de cotovelo… Eu próprio, dentro da minha insignificância, estudo a Regra, converso com especialistas, leio os originais em inglês para não cair na armadilha da tradução errada e… sei bem distinguir o que é um movimento antinatural ou não; avaliar se uma mão na bola foi intencional ou não.
Paciência. A pessoa sempre me pareceu que tinha algumas virtudes, mas não conhecia a falta de humildade ou arrogância exacerbada. É vida que segue.
Aos que conhecem arbitragem, convido a responder a seguinte questão:
“Gil teve intenção em evitar um gol desviando propositalmente a bola com o cotovelo, ou a bola bateu em seu cotovelo quando tentava proteger o rosto?”
Uma coisa creio: a pessoa amiga deve ter pensado igualmente como eu quando viu o lance pela TV com bastante calma – que Leandro Bizzio Marinho (que fez bons jogos no Paulistão neste ano) iria receber muitas críticas pós-jogo…
A Regra não mudou por culpa da nova diretriz!
Fato.
E outro fato: A APROVAÇÃO DA FPF A RESPEITO DE TAL LANCE. Para a FPF, pasmem, foi pênalti bem marcado!
Ou os dirigentes do apito se auto corrigem nos exageros e interpretações equivocadas, ou teremos árbitros marcando errado tais lances sistematicamente e achando ainda que estão certos!
A este meu amigo, amiga, colega, crítico (a) que não gostou e me escreveu chateado(a) discordando do lance, fica o consolo: ainda está com crédito na praça! Trabalhe firme, aceite críticas construtivas e boa sorte no seu trabalho, seja ele qual for. E se um dia tiver a oportunidade de apitar futebol (e acho que terá muitas), lembre-se: para marcar um pênalti, avalie antes de tudo a intenção.
São nessas horas que vemos se a pessoa está preparada para o sucesso e com elas o aceite às críticas.
Por educação e bom tom, o nome do amigo(a), que é pessoa pública e de boa índole (creio eu), fica reservado no esquecimento, sem mágoa ou algo que o valha.
