– Por quê o Brasil não terá árbitros na Copa das Confederações?

Árbitros serão avaliados em torneio de 1a e 2a linha nos próximos dias. Brasil ficará fora da elite. Entenda:

Muita gente se surpreendeu quando a FIFA, na última segunda-feira, divulgou a relação dos 10 trios-de-arbitragem para a Copa das Confederações 2013 a ser realizada no Brasil. Na lista, nenhum árbitro brasileiro.

Ora, quais seriam os motivos para a ausência? Um árbitro local em competição internacional ajudaria a Comissão de Árbitros da FIFA: ele ambientaria os demais colegas de outros países, seria mais barato, ajudaria na logística, e, claro, faria a política da boa vizinhança.

A justificativa dos nomes escolhidos (você pode ler a relação dos árbitros e bandeiras no link: http://is.gd/FIFAconf ), segundo o ex-árbitro Mássimo Bussaca (que é o atual chefe da arbitragem da FIFA) é de que:

Nós nos preparamos como um time de futebol, como os jogadores. Damos especial atenção aos seguintes critérios: 1- uniformidade e regularidade, 2- desportividade, 3- proteção dos atletas e 4- abordagem tática.

Será que nenhum dos árbitros brasileiros que pertencem ao quadro da FIFA preenche tais requisitos?

Claro que sim, mas dificilmente estariam figurando na relação pelo seguinte histórico: o árbitro da Copa seria Wilson Seneme, com larga experiência internacional dirigindo Libertadores da América e Eliminatórias da Copa. Como reprovou nos testes físicos, a chance foi para Leandro Vuaden, que também falhou. De última hora, Sandro Ricci foi chamado. E é esse o detalhe: Ricci foi pouco aproveitado em competições internacionais. É como se a FIFA não o conhecesse ainda bem. Depois da indicação, passou a ser mais escalado em jogos da Libertadores da América.

Na Copa das Confederações, principal competição FIFA pré-Mundial, estará a elite, acrescida de alguns árbitros que compõe o quadro por questões políticas. Como a FIFA não escolhe os melhores do mundo (independente se serão 2 ou 3 ingleses, 2 ou 3 alemães), ela seleciona apenas 1 de cada nação. Destaque para Paulo Proença- POR (árbitro da final da Eurocopa 2012), Howard Webb – ING (árbitro da final da Copa do Mundo de 2010) e Nishimura – JAP (árbitro destaque desde 2010). A eles, some-se o ilustre salvadorenho Joel Aguilar e o desconhecido mundialmente Djamel Haimoudi, por exemplo.

Como prêmio de consolação, outros 23 árbitros que trabalharão em 2014 foram convocados para a Copa do Mundo Sub20 (veja a lista no link: http://is.gd/FIFAsub20 ), a ser realizada na Turquia entre Junho e Julho. Lá estarão o onipresente árbitro neozelandês em competições internacionais da FIFA Peter O’Leary, o bom húngaro Viktor Kassai, o regular italiano Nicola Rizzoli, o mediano espanhol Alberto Undiano, o fraco equatoriano (mas sempre prestigiado pela FIFA) Carlos Vera, e a surpresa brasileira Sandro Meira Ricci. E entenda como surpresa pois certamente a FIFA quer lhe dar rodagem internacional, fazê-lo sair do Brasil como têm feito ultimamente nas últimas competições que participou, a fim de que seja um bom representante local na Copa do Mundo.

Em suma: a Copa das Confederações será o evento da elite, e a Copa do Mundo Sub20 dos que são mais novos e precisam ganhar experiência, dos já experientes e respeitados para que treinem com tranquilidade, daqueles que farão na Copa do Mundo o seu torneio de despedida, e, é claro, daqueles que serão ilustres coadjuvantes em 2014, mas que compõe o fator político-geográfico (caso do iraniano Alirezza Faghani e do barenita Nawaf Shukralla).

Tudo isso nos faz observar duas coisas:

1.Na Copa do Mundo, não são os melhores que apitam, mas sim os elementos indicados  de cada federação (que nem sempre representa o melhor daquela nação). É burra a idéia de que apenas um árbitro de cada país deva participar.

2.O Brasil vem fazendo um péssimo trabalho com seus juízes. Temos o maior número de árbitros FIFA do mundo. No limite máximo de 10, somente há o Brasil, Alemanha, Itália e México. Com 9 oficiais na relação internacional: Inglaterra, Argentina e Espanha. Com 8: França, Japão e – pasmem – Uzbequistão). Mas repararam que temos quantidade, mas não qualidade? Vide o caso curioso do árbitro mineiro Ricardo Marques Ribeiro, do carioca Péricles Bassols, do folclórico “Chicão de Alagoas”, e até mesmo do paulista Paulo César de Oliveira: são da FIFA; mas como eles têm sido aproveitados? Quantos jogos para as Eliminatórias da Copa do Mundo eles já apitaram?

Em nome da política, vulgarizamos o status “árbitro FIFA” no Brasil. E estamos trabalhando pessimamente a renovação e a dignidade dos árbitros.

Por fim: como justificar à FIFA que nossos árbitros são bons, se na Conmebol a CBF referendou o desejo de que o confronto entre São Paulo x Atlético tivéssemos árbitros estrangeiros?

Falta mão de obra e falta cartola na arbitragem do Brasil.

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