Nesta semana, a UEFA determinou a inclusão de 2 novos oficiais em jogos da “nova Copa da UEFA”, a Liga Europa, a fim de testar a funcionalidade da experiência. Serão árbitros que estarão atrás de cada gol, avaliando lances polêmicos de pênaltys ou simulações de faltas, além das chamadas situações de “gol-não-gol”.
Ora, tais ações são obviamente tentativas de se evitar a entrada de novos meios tecnológicos para o uso do árbitro dentro de campo. E isso é bom ou ruim?
Avalie duas situações, mas de maneira técnica, à luz da experiência futebolística que você adquiriu, e se imagine um árbitro de futebol:
SITUAÇÃO 1: Numa partida envolvendo o inglês Arsenal, dias atrás, o atacante brasileiro (naturalizado croata) Eduardo da Silva invadiu a área, o goleiro tentou tirar a bola dos seus pés, e quase que imediatamente ele deixou-se cair, cavando magnificamente o pênalty (digo magnificamente pois me convenci após assistir o lance algumas vezes).
Como árbitro, percebi que o nosso colega que apitou o jogo estava correndo atrás do Eduardo, tentando alcançá-lo, como se fosse um zagueiro que houvera perdido a bola. Sua visão era das costas do Eduardo e frontal do goleiro. Pela sua colocação, impossível ter certeza do que marcou. Se estivesse a esquerda do lance (um lance muito rápido de jogo, diga-se de passagem), a uma distância razoável (o excesso de proximidade atrapalha o senso de profundidade da jogada – sabemos disso), teria percebido de imediato a simulação.
Mas se estivesse um outro árbitro atrás do gol, na linha de meta, observando a jogada? Se já valesse a experiência da UEFA, o que aconteceria? Provavelmente, a mesma marcação de pênalty. Sim, porque apenas se inverteria a frontalidade do atacante e a visão das costas do goleiro. Seria um elemento a mais para errar em campo.
Tal lance só seria resolvido pela lateralidade do posicionamento do árbitro, ou uma câmera bem posicionada. Se o recurso televisivo fosse permitido, tal erro capital poderia ser evitado.
SITUAÇÃO2: Copa de 1998, França, jogo Brasil X Noruega. O zagueiro Júnior Baiano divide pelo alto uma bola com o centroavante adversário, e para surpresa geral da nação tupiniquim… Pênalty. Mas como pênalty? Recordo-me que imprensa, torcedores e jogadores não conseguiam entender a marcação, as imagens eram claras e contundentes. O árbitro da partida, Esfandiar Baharsmast (EUA) estaria louco, mal intencionado ou despreparado?
Após o jogo, surge uma imagem reveladora: uma câmera despretensiosa de uma TV suiça flagrara a mão do zagueiro puxando a camisa do atacante. Foram 23 câmeras contra a visão do árbitro. Nessa, o recurso tecnológico errou.
Citei 2 lances extremados para fazer algumas considerações. A inclusão dos “árbitros assistentes 3 e 4”, ou “assistentes de meta 1 e 2”, não importa a nomenclatura, poderão ajudar ou atrapalhar o jogo. Isso é do futebol. Trabalhei em muitos jogos do Campeonato Paulista de Aspirantes, competição que servia de preparação e teste para a implantação de 2 árbitros em campo no Paulistão do ano seguinte, onde se percebia que quando tudo ocorria bem, as reclamações diminuiam em “regressão aritmética”. Quando ocorria alguma polêmica, cresciam em “progressão geométrica”.
Lá dentro de campo, quando um árbitro deixava o jogo correr e o outro parava mais a partida, já começavam as comparações. Quando uma bola era tocada ou resvalada na mão, mesmo não sendo lances idênticos, os atletas queriam mesmas decisões. Aí caiu-se no problema persistente até hoje: UNIFORMIZAÇÃO DE CRITÉRIOS. Mas justiça seja feita: no fiel da balança, foi extremamente válida a utilização de 2 árbitros. Corria-se menos, maior proximidade das jogadas, menos desgastes com reclamações; entretanto, quando o jogo era de um time muito superior contra um “fraquinho”, o árbitro do outro campo “esfriava-se” como um goleiro que se sente espectador. Coisas do futebol.
Não é pecado algum defender o uso da tecnologia. Argumentos prós e contras existirão aos milhares. Alguns dirão que a regra é universal, e que uma mudança, se acontecer, deve ser plena a todos os campeonatos, sejam ricos e pobres. E isso tem custo. Mas existe contra-argumento: no Campeonato Paulista Sub 20 da 2a. Divisão (que é uma competição amadora, mas oficial e regrada pelas Leis do Jogo), há árbitro e 2 bandeiras. É trio de arbitragem. Na Copa do Mundo, que é o torneio máximo do futebol, há quinteto: árbitro, 2 bandeiras, 4o. árbitro e 5o. árbitro. Ou seja, inclua-se ou faça-se valer o “poderão ser utilizados mais árbitros em torneios de maior importância, ou recursos tecnológicos para tais eventos de proporção maior”.
Que mal há?
A regra muda. E muito! Embora alguns não percebam, anualmente detalhes são alterados. É que a repercussão, evidentemente, só acontece nas grandes “revoluções da regra”. Alteração sempre há! Revolução, por exemplo, é a mudança das regras do impedimento (3 zagueiros, depois 2 zagueiros, depois mesma linha). Desde a criação da International Board, inúmeras revoluções aconteceram; antes silenciosas, hoje mais alardeadas.
Quer um exemplo de tecnologia que ajuda o árbitro? O uso de bandeiras eletrônicas!
Há quanto tempo não se vê lances em que o assistente fica lá, com o braço erguido, gritando para ser notado, e o juizão bobeando na confirmação do impedimento? Isso não acontece mais.
O que vier de tecnologia, só ajudará o árbitro e o esporte. Mas o grande desafio é: Como, quando e onde implantá-la?
O discurso de que os erros de arbitragem trazem polêmica, e consequentemente audiência e paixão ao esporte, é quase que um desejo e incentivo ao próprio erro; é um não-querer melhorar! Erros sempre existirão. Minimizá-los é o desafio… E, acima de tudo, lembrar que a verdadeira prática esportiva deve ocorrer com o espírito desportivo, constituído de Fair Play, e logicamente, senso de justiça. Desejar o erro é injusto, é contraditório, antidesportivo e burrice.
Por fim, numa consulta informal que se faça aos árbitros de futebol, a maioria é a favor do uso de tecnologia. Mas há de se respeitar opiniões e argumentos contrários.
Entretanto, aproveitando o espaço, enquanto se discute a qualidade técnica dos árbitros, um esquecimento importante: AS CONDIÇÕES DA CARREIRA E PREPARAÇÃO.
Recordo e chamo a atenção disso devido a seguinte notícia curiosa: os árbitros da NBA (a Liga Americana de Basquetebol) estão planejando greve! Reclamam das condições de trabalho, da remuneração e dos fundos de aposentadoria. Os dirigentes sindicais negociam com o departamento de árbitros as modificações e vencimentos da atividade.
Já imaginou “greve de árbitros no Brasil?” Claro, impossível, pela desunião da categoria.
Extraído de: http://www.nba.com/2009/news/09/10/refs.talks.ap/index.html?rss=true
NBA referees preparing to be locked out for start of season
NBA referees are prepared to be locked out for the start of the season after negotiations with the league on a new contract broke down this week when David Stern ended the latest bargaining session.
No further talks are scheduled — and when they do resume, it’ll be without the commissioner.
Referees spokesman Lamell McMorris accused Stern of acting childish and not negotiating in good faith, so Stern removed himself from the process.
Stern said Thursday he told McMorris that, “In fact if it was going to get personal — which apparently he’s decided to make it by calling news media and leveling a series of inaccurate allegations — that I would absent myself from the negotiations, which I have.”
“Hopefully we’ll make a deal with the referees, or we won’t, but it won’t be on the basis of personality, it’ll be on the basis of economics,” Stern added.
The league’s contract with its referees expired on Sept. 1, and McMorris said the sides have basically agreed on salary issues for a new two-year deal. He said the league wanted to freeze salaries for the first year with a 1 percent increase in year two.
The officials were willing to go along with that, McMorris said, because of the economic difficulties the league is facing, but the NBA was still asking for significant reductions in the referees’ budget.
“We’ve laid $2.5 million back on the table,” McMorris said. “Some things we have to be able to go back to our group and to say that we collectively bargained in good faith. Our goal is not to take all the hits, we can’t do that.”
ESPN.com first reported that talks ended after Stern abruptly halted Tuesday’s session at league headquarters. Stern said the officials reneged on something previously agreed upon, but McMorris was critical of the way the commissioner handled things.
Stern said the league would be well represented even without him, but didn’t leave much hope that a resolution would come soon.
“On the basis of the last series of proposals, it doesn’t appear that there’s any point at this time to further negotiations, but obviously it still remains our goal to start this season with our existing referees working,” Stern said.
The NBA released a statement later Thursday criticizing the referees union for its attacks through the media, and said the referees backed out of previously agreed upon proposals involving retirement benefits at Tuesday’s meeting.
“Then, after we offered additional economic movement in order to progress toward a deal, the NBRA refused to make any additional concessions,” NBA general counsel and lead negotiator Rick Buchanan said. “At this point, and after several months of negotiations, all the union has offered to us is minimal concessions that are neither consistent with economic reality nor with the information it is currently distributing to the media.”
Referees are due to open their training camp on Sept. 20, and the league’s first preseason game is scheduled for Oct. 1 at Utah. Without a deal soon, the NBA will begin the season with replacement officials for the first time since 1995.
The league is seeking cuts in areas such as the referees’ benefits, travel budget and their per diems, which Stern said would “bring their numbers in line with other league employees.”
McMorris feels there is more to it, with the league possibly trying to rid itself of older referees or perhaps send a strong message to the players, whose collective bargaining agreement with the NBA expires after the 2011 season.
He also said the NBA gave a combined $100,000 in raises, which Stern could not confirm, to the three men who were hired to oversee the referees operations department in the league office following the betting scandal involving former official Tim Donaghy.
Already, the referees will miss next week’s two-day seminar with league coaches, and McMorris said the officials will meet again sometime after that.
Officials from the NBA Development League could end up calling NBA games as the league scrambles for replacements. Stern denied McMorris’ charge that backup refs were being called even before Tuesday’s meeting ended, while McMorris said the league had even called a referee it fired three years ago to see if he would be available.
Even with Stern not involved, McMorris said his side won’t come to New York for further talks.
“If the league wants to start up talks again, our door is open, so we’d gladly look forward to meeting them in Washington D.C. for the next meeting,” McMorris said. “You can’t be disrespectful and childlike and ask us, when you’re already cutting our wages and expenses, to use our hard-earned money to come and you’re kicking us out of meetings.”