As Bizarrices Chinesas

Nos últimos anos, têm-se dado muita atenção à China devido aos indicadores econômicos e suas particularidades como nação de governo ditatorial. Mas ao mesmo tempo que se admira a pujança econômica, se estarrece devido a algumas características culturais, muitas das quais nos parecem ser bizarras. Abaixo, o ótimo texto sobre elas, extraído da última edição da Revista SuperInteressante, sobre o link:

http://super.abril.com.br/revista/251/materia_revista_274819.shtml?pagina=1

 

10 bizarrices sobre a China


Não é que os chineses sejam esquisitos. Apenas migram coletivamente, vendem noivas fantasmas e, quando resolvem virar uma potência, deixam o mundo chocado com seu jeito de pensar. Leia outras 26 bizarrices made in China na edição que está nas bancas.

Texto Gilberto Scofield Jr.

1. A cada feriado do Ano-Novo chinês, mais de 300 milhões de pessoas viajam pela China para visitar a família é o maior movimento migratório do planeta. Como não conseguem ir ao banheiro nos trens superlotados, muitos viajantes usam fraldas para adultos.

2. Durante décadas vivendo sob regime comunista, os chineses dão muito valor ao que é público e pouco ao privado. Ignoram, por exemplo, o conceito de privacidade. Bisbilhotar ou tomar conta da vida alheia é quase obrigação. Não são raras cenas de pessoas prestando atenção em conversas alheias ao telefone e na tela do computador. E também no trabalho, xeretando o cartão de ponto dos colegas para contar ao chefe quem chegou atrasado.

3. O país tem cerca de 30 mil censores para controlar tudo o que os chineses comentam na internet.

4. Os chineses são muito supersticiosos. Em muitos prédios, não há os andares 4, 14 e 24, porque o ideograma do 4 si lembra sonoramente o ideograma da morte. Um número de celular terminado em 4 ou com muitos 4 é bem mais barato que o resto. (Quem é estrangeiro e não acredita nisso consegue números baratinhos.) Já os números com muitos algarismos 8 cujo ideograma lembra o som da prosperidade valem muito mais. Não é à toa que a Olimpíada vai começar em 8 de agosto de 2008.

5. Desde o ano passado, os lamas tibetanos estão proibidos de ressuscitar sem autorização do governo chinês.

6. No ano passado, a polícia chinesa prendeu 5 homens acusados de matar mulheres jovens para vendê-las como noivas fantasmas. Segundo a tradição de camponeses do norte do país, homens que morrem solteiros têm a linhagem comprometida na próxima vida. Para evitar o mau agouro na eternidade, os familiares dão um jeito: tentam arranjar para o morto um minghun, casamento após a morte, enterrando uma noiva fantasma ao lado do solteirão. Segundo a polícia, o preço dos corpos varia geralmente de acordo com a idade da noiva: as mais novas chegam a ultrapassar US$ 2 mil.

7. O território chinês poderia abranger pelo menos 4 fusos horários, mas… e daí? O governo impõe que a hora oficial de todo o território seja a de Pequim. Com a diferença de longitude, em regiões a leste de Pequim, como Xangai, o sol chega a nascer às 4 h da manhã. E, no oeste, às 9 h.

8. O número de chineses que falam ou estão aprendendo inglês é igual a toda a população dos EUA.

9. Entre os muito ricos, o banquete do Ano-Novo chinês inclui ovos podres cozidos, sopa de ninho de andorinha e, claro, arroz.

10. A especialidade do restaurante Guolizhuang, em Pequim, é pênis. Há pratos com o membro de 9 animais: touro, jumento, cão, cobra, cervo, carneiro, búfalo, foca e cavalo. Como o povo acha que o quitute é afrodisíaco, não faltam clientes.

1987 – 2008 Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados.

Os malucos dos Jogos Perdidos

Foi com muita satisfação que pude saborear a reportagem da Veja SP com meus amigos dos Jogos Perdidos (site JogosPerdidos.Zip.net). Há algum tempo esses abnegados apaixonados do esporte têm dividido sua presença nos estádios conosco, e nas situações e partidas mais inusitadas! Um abraço especial ao Fernando e ao Orlando. Os cumprimentos? Ora, já os fiz de imediato, já que eles são merecedores. Para quem ainda não os conhece, vale a pena acessar.  E reparem no bom gosto: a reportagem foi feita no São Cristóvão, bar temático de futebol onde servem o melhor filé com alho de São Paulo. Já tive a oportunidade de curtir a casa e é muito boa mesmo! Abaixo, para quem não leu, a matéria:

 

Quanto pior, melhor

Nada de Palmeiras, São Paulo ou Corinthians: este obcecado grupo de paulistanos só se interessa em ver jogos de equipes quase desconhecidas

Por Edison Veiga23.04.2008 

http://vejasaopaulo.abril.com.br/revista/vejasp/edicoes/2057/m0157420.html

 

Primeira Camisa, Capivariano, Saltense, Elosport, Brasilis, Velo Clube, Joseense… Você provavelmente nunca ouviu falar desses times, mas alguns paulistanos aguardam, ansiosamente, o início dos jogos do que seria a quarta divisão do Campeonato Paulista, neste sábado (19), só para vê-los em campo. Eles não estão nem aí se o Palmeiras vai conseguir reverter a vantagem do São Paulo, no domingo, ou se o Barcelona chegará à final da Liga dos Campeões da Europa. O negócio dessa turma é assistir a partidas de categorias inferiores do futebol profissional e depois contar tudo em um site. Quanto pior, melhor. “Neste ano, na série B do Campeonato Brasileiro, seremos obrigados a ver jogos do Corinthians”, queixa-se o músico Fernando de Matos Martinez, que prefere torcer numa boa pelada do Juventus, na Mooca, ou do Nacional, na Barra Funda.

Além de Martinez, esse grupo de obcecados por timecos é formado pelo administrador Orlando Lacanna Filho, o jornalista Emerson Ortunho, o engenheiro eletricista Jurandyr Moraes Tourices Junior, o delegado Victor Minhoto Meinão, o comerciante David Libeskind Sirota e o oficial de promotoria Estevan Mazzuia. Como têm predileção por partidas entre clubes pequenos e quase desconhecidos, eles começaram a se encontrar freqüentemente nos estádios. “Os jogos atraem poucos torcedores, uma média de 100 por partida, e sempre acabávamos nos vendo”, conta Lacanna, que freqüenta campos de futebol há quarenta anos. O clubinho se formou a partir do fim da década de 80. Ortunho foi o último a ser admitido, em 2004, quando todos começaram a publicar relatos das partidas no site http://www.jogosperdidos.com.br. “No início, era apenas para contarmos uns aos outros sobre os jogos que tínhamos visto”, lembra Martinez. A idéia deu certo e, pouco mais de três anos depois, o site registra uma média de 650 acessos por dia.

Eles têm o hábito de catalogar os jogos a que assistem. Tourices gaba-se de já ter visto em campo 595 times – entre eles o Badalona, da Espanha, e o Vilnius, da Lituânia. “Eu sou o único que não faz lista”, afirma Lacanna. “Não gosto da idéia de assistir a um jogo só para acrescentar mais um time à minha lista.” Em geral, a paixão pelas equipes pequenas vem do berço. “Aprendi com meu pai a torcer pelo Jabaquara de Santos”, diz Ortunho, que até agora já viu 285 times em campo. Mesmo quando viajam a passeio, eles aproveitam para conferir jogos pitorescos. “Na minha lua-de-mel, em 2005, fui a cinco países europeus”, enumera Tourices. “Claro que vi cinco partidas.”

Eles só acompanham jogos envolvendo times grandes quando o adversário é uma equipe que consideram inédita. Por isso, Martinez foi assistir à partida entre São Paulo e Sportivo Luqueño, do Paraguai, no último dia 2, pela Libertadores da América. Não para ver o São Paulo, naturalmente, mas sim o Luqueño. Jogos da Copa do Brasil, em que participam clubes praticamente desconhecidos entre os grandalhões, são um prato cheio. Como driblar a fúria da mulher quando há tanto futebol agendado? “A minha prefere que eu veja jogos durante a semana, para estar livre aos sábados e domingos”, explica Meinão. A receita de Tourices é apelar para o talão de cheques e o cartão de crédito: “É preciso fazer uma média, levá-la depois ao shopping, deixá-la comprar o que quiser…”