– O ano de 2020 foi perdido na Educação do Brasil?

O desafio do ensino fundamental nas escolas públicas brasileiras atualmente é: como aprovar ou reprovar algum aluno, se muitos não conseguiram acompanhar as atividades por questão da não-aula presencial?

Como será 2021? Repõe-se todo o conteúdo? Mas quantos alunos teremos por classes?

Em alguns lugares, o ensino particular tem sido adaptado às novas realidades. E para as crianças menores, mais difícil ainda. Veja,

Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2020/09/escola-no-interior-de-sp-troca-ate-sapatos-para-volta-as-aulas.shtml

ESCOLA DO INTERIOR DE SP TROCA ATÉ SAPATOS PARA VOLTA ÀS AULAS

Bruna Brandino Morbeck, dona da escola infantil Alameda, em Araçatuba, interior de São Paulo, respira mais aliviada com a retomada das atividades escolares em parte dos colégios paulistas a partir desta terça-feira (8).

Depois de permanecer por quase seis meses com as portas fechadas por causa da pandemia e perder 90 alunos, o berçário e escola de ensino infantil passaram por diversas adaptações para receber os alunos.

Antes de entrar todos medem a temperatura, passam por um túnel de desinfecção e pelo tapete sanitizante. Ao chegarem nas salas de aula, os sapatos são trocados por outro que é usado apenas naquele ambiente. Dentro da escola só a presença de alunos e funcionários é autorizada.

Para poder receber os 80 alunos que permaneceram matriculados, foram criadas ainda escalas de revezamento e cada turma ficará apenas meio período —não mais integral como antes da pandemia. Às segundas, quartas e sextas-feiras os bebês de quatro meses a dois anos poderão ir ao berçário, já às terças e quintas-feiras é a vez das crianças de 2 a 5 anos frequentarem o espaço.

“As crianças acima de dois anos estão usando máscaras e as professoras reforçam a importância do uso para a segurança delas. Hoje fomos surpreendidos porque todos usaram e se mostraram conscientes dessa necessidade”, afirma Bruna.

A cada troca de turma, as salas e áreas comuns são limpas, as crianças não têm contato com alunos de outras turmas e para isso os lanches são feitos dentro da própria sala.

Por serem crianças, salas de aulas temáticas foram criadas e cada uma é orientada a escolher um tapete para se sentar durante as atividades. Os tapetes foram colocados à distância de 1,5 metro um do outro.

“Hoje nós tivemos 20 alunos pela manhã e dez à tarde. Oitenta e nove porcento dos pais já manifestaram o interesse de trazer seus filhos de volta à escola. Normalmente são pais que trabalham e não tem com que deixar as crianças, então estamos fazendo de tudo para preservar a saúde deles”, explica a diretora.

A reabertura das escolas para atividades de reforço e acolhimento a partir de hoje foi autorizada pelo governador João Doria, para cidades que estão há mais de 28 dias na fase amarela no plano São Paulo. No entanto, elas só podem funcionar com até 35% dos alunos.

Segundo a Prefeitura de Araçatuba, 50 escolas particulares da cidade já demonstraram interesse em retomar as atividades nos próximos dias, porém o município ainda não contabilizou o número de estabelecimentos de ensino que retornaram às atividades nesta terça.

Assim como Araçatuba, a cidade de Bauru, também no interior de São Paulo, que está na fase amarela desde o dia 10 de agosto e atende às medidas imposta pelo governo estadual estaria apta a ter a retomada das aulas. Mas a prefeitura e o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp) descartaram o retorno temendo uma explosão de casos de Covid-19 na cidade.

Segundo a prefeitura após testagem em massa de professores e servidores da Secretaria Municipal de Educação 11% deles testaram positivo para a doença, a maioria com o vírus ativo.

As regiões de São José do Rio Preto e Presidente Prudente entraram na fase amarela determinada pelo governo estadual na última sexta-feira apenas e por isso ainda não há previsão de retomar as aulas.

Na rede privada, há escolas que decidiram não retomar as aulas de reforço nesta terça-feira no interior paulista. É o caso do SEB, que só iniciará as atividades de acolhimento, readaptação e revisão de aprendizagem em sua escola de Araçatuba a partir do dia 21, com retorno das aulas presenciais previsto para 19 de outubro.

Segundo o diretor-geral do SEB, Márvio Lima, a decisão de postergar o reinício das atividades tem elo com a parada prevista entre os dias 12 e 17 de outubro (Semana do Saco Cheio). Para não ficar um intervalo muito grande entre a acolhida e o reinício efetivo, a instituição decidiu postergar o retorno da unidade, que atende do ensino infantil ao pré-vestibular.

“Mas daremos a opção [de retorno] para a família. O ensino remoto permanece até terem segurança para retomar integralmente o ensino presencial como era antes da pandemia. A decisão é da família”, disse Lima.

De acordo com ele, o grupo educacional segue o plano São Paulo –que determina a abertura ou não de atividades conforme a evolução da pandemia– e não faz juízo de valor se as aulas devem voltar ou não.

“Quando autorizados estaremos prontos a voltar e aí o pai vai ter a opção de mandar o filho para a escola ou não. Não vamos indicar qual o caminho a ser seguido para nenhuma família. Pode estender [o ensino remoto] até o fim do ano ou até o início do ano que vem. Pode inclusive começar o ano letivo [de 2021] da mesma maneira”, afirmou.

Segundo ele, por causa do plano do governo paulista não há previsão para a retomada dos atendimentos na unidade de Ribeirão Preto, que na última sexta-feira (4) regrediu da fase amarela para a laranja —a segunda mais restritiva— no plano.

“Nós, como escola, não podemos desprezar a ciência muito menos a estatística. Vamos seguir o que está sendo recomendado pelas autoridades. A gente trabalhava em Ribeirão com previsão igual Araçatuba, mas agora temos de aguardar.”

Na rede municipal de ensino de Ribeirão, a prefeitura tinha decidido no final de agosto, ainda antes da regressão à fase laranja, não ter atividades presenciais até 30 de setembro. Além da região de Ribeirão Preto, a região de Franca está na fase laranja do plano São Paulo.

Em Rio Preto, onde o SEB tem ensino médio e pré-vestibular, as aulas presenciais estão previstas para serem retomadas, também de forma gradual, em 19 de outubro. A instituição contratou uma consultoria para certificar seus protocolos de segurança.

Entre as normas a serem seguidas estão o uso de tapetes de sanitização na entrada e a troca dos sapatos ao entrar em sala de aula, necessidade de máscaras reservas e limpeza de mochilas, mãos e uniformes na chegada dos alunos.

DIVULGAÇÃO: ESCOLA ALAMEDA

– Sobre interpretações duvidosas de dados científicos durante a Pandemia!

Em um momento onde a união de esforços em prol da sociedade, lutando contra informações distorcidas a respeito do Novo Coronavírus (e na mesma carência a busca da cura / vacina / combate ao Covid-19) se faz imprescindível, a divisão de opiniões de cientistas é observada.

Quem teria a razão na discussão de quais tratamentos são ou não eficazes? Os dados de trabalhos pesquisados são tão diferentes ou, sendo os mesmos, interpretados com viés político?

A troco de quê grandes estudiosos colocam a carreira premiada de lado e partem para a defesa incondicional de algumas teses não comprovadas e/ou não unânimes?

É o que esse artigo (excepcionalmente bem escrito) da Folha de São Paulo, abaixo, busca debater.

Compartilho extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/paola-minoprio/2020/05/e-lamentavel-ver-cientistas-egolatras-defendendo-cloroquina-para-covid-19.shtml

DEBOCHE, NEGLIGÊNCIA OU FRAUDE CIENTÍFICA?

Alguns pesquisadores ignoram os melhores resultados e instauram conflito de legitimidade

Por Paola Minoprio

Nessas últimas semanas temos vivido um antagonismo tenaz sobre como debelar a Covid-19. Na carência de vacinas ou tratamento validados, a experiência de países asiáticos e europeus ressaltou a importância do isolamento social na luta contra a transmissão do coronavírus e a exaustão de leitos hospitalares.

Por outro lado, a hipótese que parece deliciar a corte brasileira privilegia a imunidade de rebanho como a única maneira de salvar a economia da nação.

Para tanto, ignorando as milhões de mortes que assolariam o país, o governo federal invoca o retorno de atividades, o não respeito de medidas de distanciamento social e os palpites científicos, tais como o uso da cloroquina e seus derivados, defendido por uma parcela pequena de pesquisadores ególatras que debocham de questões de interesse geral, atiçando disputas entre a direita e a esquerda ou insultando inteligências discordantes.

Tantas já são as ameaças da Covid-19 e suas sequelas para a saúde humana e para a economia mundial! Não menos graves são os enfoques do poder político que visam fazer crer que perícias rigorosas justificam suas decisões.

Ora, controvérsias científicas deveriam levar pesquisadores a procurar a unanimidade para melhor guiar o poder público e a população que querem ser tranquilizados. Porém, nem sempre é simples chegar a uma concordância quando enfermidades mal conhecidas apavoram o mundo, causando divergências de proporções jamais vistas.

Enquanto é perfeitamente compreensível que governos tomem providências para fomentar a saúde pública, que fique bem claro que esse não é o papel de cientistas, mesmo que sejam usados para dar suporte e garantias a resoluções políticas. Poder-se-ia esperar que cientistas sempre forneçam à humanidade um conhecimento realista e sólido à luz da evolução, respondendo ao desejo de conhecimento fidedigno do mundo, em oposição às respostas visionárias e ilusórias oferecidas por ideologias, mitos e religiões. Entretanto, em que medida todos eles fazem escolhas livres e esclarecidas?

É lamentável, por exemplo, observar a perda da autocrítica de certos cientistas que, diante do coronavírus, perderam o brilho de suas carreiras, estabelecendo prováveis pequenos arranjos consigo mesmos ou com o poder reinante. O que fazer quando se percebe que alguns, supostamente aconselhando governantes de maneira imparcial, possam trabalhar para interesses próprios?

É o que se vê com os que se convenceram que certos medicamentos serão benéficos para pacientes de Covid-19, mesmo negligenciando a vasta experiência que demonstra o contrário. Vivendo em dissonância cognitiva, instauram um conflito de legitimidade com seus pares, passam a ser suspeitos de defender interesses específicos em detrimento do interesse geral, questionando os melhores resultados estabelecidos com literatura manipulada.

É claro que, a partir daí, decisões políticas de um governo caótico, ao invés de se basear em resultados científicos sólidos, são respaldadas por fraudes ideológicas resultantes da acomodação de dados, em benefício da vaidade e em desfavor da vida.

Que tipo de imagem distorcida a ciência difunde aos olhos do povo quando cientistas não compartilham necessariamente a mesma visão? Como isso afetará a relação entre os pares no pós-pandemia? Difícil prever, mas enquanto o apetite pelo conhecimento real não for compartilhado, pseudocientistas continuarão a se julgar gênios e persistirão motivados pela paixão do próprio ego.

Em contrapartida, os verdadeiros cientistas assumirão a responsabilidade de desvendar a natureza e encontrar legítimas soluções. Esperemos que o povo e os governos responsáveis saberão quem seguir.

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– O Analfabetismo Funcional acaba com o Brasil, especialmente nas Redes Sociais!

Já perceberam o número de pessoas que fazem críticas ou elogios nas Redes Sociais, completamente desenganadas sobre o que leram, ou o que não leram?

Vejam só: a pessoa vê um título no Twitter, Facebook ou imagem no Instagram, e começa a escrever muita coisa sobre ele sem ler o corpo do texto. Ou ainda lê parte apenas e não termina. Ou lê e não entende nada!

Sobre esses casos de Analfabetismo Funcional (e quem tem, muitas vezes não se envergonha de mostrar com seus escritos mal redigidos),

extraído de: https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/analfabetismo-funcional.htm

ANALFABETISMO FUNCIONAL

Você sabe o que é analfabetismo funcional?

São chamados de analfabetos funcionais os indivíduos que, embora saibam reconhecer letras e números, são incapazes de compreender textos simples, bem como realizar operações matemáticas mais elaboradas. No Brasil, conforme pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro, 50% dos entrevistados declararam não ler livros por não conseguirem compreender seu conteúdo, embora sejam tecnicamente alfabetizados. Outra pesquisa, realizada pelo Instituto Paulo Montenegro e pela Ação Educativa, revelou dados da oitava edição do Indicador de Analfabetismo Funcional, o Inaf, cujos resultados são alarmantes.

De acordo com o Inaf, a alfabetização pode ser classificada em quatro níveis: analfabetos, alfabetizados em nível rudimentar (ambos considerados analfabetos funcionais), alfabetizados em nível básico e alfabetizados em nível pleno (esses dois últimos considerados indivíduos alfabetizados funcionalmente). Conforme a pesquisa, que aplica um teste avaliando as habilidades de leitura, escrita e Matemática, o domínio pleno da leitura vem sofrendo queda entre todos os entrevistados, tendo eles concluído o Ensino Fundamental ou o Ensino Superior. Os dados mostram que o problema do analfabetismo funcional deve ser levado a sério, pois a dificuldade de compreensão dos gêneros textuais, mesmos os mais simples e mais acessados no cotidiano, prejudica o desenvolvimento intelectual, pessoal e profissional do indivíduo.

Embora o número de analfabetos tenha diminuído no Brasil nos últimos quinze anos, o analfabetismo funcional ainda é um fantasma que atinge até mesmo estudantes que frequentam o ensino superior, desfazendo o mito de que ele estaria intrinsecamente relacionado à baixa escolaridade. As pesquisas desenvolvidas sobre o índice de analfabetismo funcional no país são de extrema importância, já que promovem o debate entre diversos grupos sociais responsáveis por desenvolver um novo parâmetro educacional a partir da discussão das causas e efeitos do Inaf.

Desenvolver métodos que priorizem o letramento é fundamental para que o analfabetismo funcional seja superado, e para isso é inquestionável a importância do trabalho conjunto entre pais e professores. Engana-se quem acredita que cabe somente à escola o papel de alfabetizar e letrar, visto que o letramento é uma prática presente em diversas situações do cotidiano, envolvendo não apenas a leitura tecnicista de textos, mas também o desenvolvimento da criticidade e capacidade de elaborar opiniões próprias diante dos conteúdos acessados. A aprendizagem deve ser universalizada, propiciando assim que todos os leitores atinjam o nível pleno da alfabetização funcional.

Por Luana Castro
Graduada em Letras

O letramento é uma das soluções para a erradicação do analfabetismo funcional, pois extrapola a visão tecnicista de alfabetização