– A insensibilidade das Autoridades e o Protesto. SE MANCA, TEMER!

Sinceramente, eu não imaginava que essa paralisação dos caminhoneiros durasse tanto tempo. Talvez nem os próprios motoristas de caminhão (e/ou patrões, se provado um locaute) imaginavam a força que tinham.

Agora apareceram os “entendidos” do custo do mundo petrolífero, com as mais diversas teses da paralisação, que vão desde: aumento do custo devido à crise internacional; rompimento do acordo nuclear entre EUA x Irã, diminuindo a oferta de petróleo do país persa (em especial à França); aumento do preço no Exterior devido a abertura da embaixada americana em Jerusalém (causando tensão no Oriente Médio); alta do dólar no Brasil; e, principalmente, escassez de produto.

De tudo isso, saiba: a verdade é que o problema REAL se deve à política de equiparação de preços brasileiros ao mercado internacional, promovida pela Petrobrás, ocasionando reajustes diários no preço dos combustíveis.

O Brasil privilegia o transporte rodoviário, movido ao Óleo Diesel. Assim, tudo que se transporta em caminhões sofre o impacto da alta do frete, e a diferença de preço precisa ser repassada. Nos últimos 10 meses, o Óleo Diesel subiu 60%! Imagine a revolta dos motoristas de caminhão ao ouvir que a inflação oficial é menor do que 1%…

Cito alguns exemplos: no dia 02 de maio, paguei R$ 3,02 da distribuidora pelo Diesel S10 (sou sócio-proprietário de um posto de combustíveis). No dia 19, quando recebi a última carga de diversos produtos, o preço por litro era de R$ 3,596!

Como administrar (e aceitar) um aumento de R$ 0,57 no litro, promovido sucessivamente nesses 17 dias, sem reclamar?

Pior do que tudo isso é o percentual de impostos! Veja só: na tabela de composição de preços oficial da Petrobrás, sem os diversos tributos, a Gasolina custava no mesmo dia 19 o valor de R$ 2,068. Eu paguei R$ 4,0255 para revender a R$ 4,299 (margem bruta de R$ 0,274, insuficiente para a rentabilidade do negócio, que deve girar na base de R$ 0,33 brutos a fim de “empatar os custos”). O Diesel S10 custava, na mesma data, R$ 2,3488 sem impostos, chegando ao posto revendedor a R$ 3,596. Neste produto, a margem adequada para a revenda é de R$ 0,26.

Não é imposto demais? Entendo a Petrobrás precisar cobrir seu déficit (causado pelos desmandos desde o Governo FHC, ampliados pelo Petrolão do Governo Lula e escancarado na gestão Dilma Roussef, cujo vice era Michel Temer, o atual chefe de Estado). POR QUÊ O GOVERNO NÃO CORTA SUAS DESPESAS E DIMINUI OS IMPOSTOS, ao invés de forçar que o consumidor final – a população – pague a conta da corrupção?

Infelizmente, vivemos coisas distintas nesses últimos dias: o anúncio do incompetente Pedro Parente, o executivo da Petrobrás (que já foi Ministro de Estado) de que havia acordo e a greve acabado. Mentira! Forçou-se uma situação que não estava acontecendo, pois, afinal, nessa reunião estavam vários envolvidos, MENOS OS GREVISTAS

Agora, fala-se da utilização da autoridade militar para resolver a situação. Não vai ocorrer, pois são duas coisas bem distintas:

A 1a, é o uso da Força Nacional para desobstruir as estradas, tirando os caminhões do acostamento e coibindo os manifestantes que ateiam fogo em pneus. Na prática, os soldados chegarão até os motoristas que forçosamente estão parados (sim, alguns são intimidados mesmo) e permitirão que possam chegar ao seu destino final.

A 2a, é entrar na base e liberar os tanqueiros! Os motoristas de caminhões-tanque estão em greve dentro de propriedades privadas, como a REPLAN (Refinaria de Paulínia), onde ficam as bases de um conglomerado de empresas de distribuição de petróleo. Que ninguém imagine um soldado “trepando na boleia” e dirigindo o “Bruto” de alguém. São esses motoristas – os que levam caminhões especificamente de combustíveis – que travam a saída dos produtos. Esses, estão exercendo o direito de greve dentro do recinto. Não se pode fazer nada, a não ser chegar em um acordo com eles.

A verdade seja dita: a causa é justíssima! O Modus Operanti, aí é outra discussão (em especial quando acontece a possibilidade de escassez de mantimentos). Mas por quê Michel Temer não desce do seu pedestal e aceita reduzir os impostos SEM TRANSFERÊNCIAS de carga tributária (que é o que foi proposto, e com redução de 15 dias apenas)? Cadê o bom senso das autoridades?

As consequências são graves: Transporte Coletivo suspenso no domingo e ponto facultativo na segunda-feira aqui na minha cidade, Jundiaí.

Eu, que sou proprietário, tomei medidas de contenção pessoais: gastar combustível? Neca. Só para emergências e necessidades inadiáveis.

Aliás, um verdadeiro pandemônio por aqui! O Etanol e a Gasolina acabaram no meio de semana, o Diesel S10 ontem e o Diesel Comum ainda tenho 1000 litros em estoque (obviamente, como as transportadoras estão paradas e as vans + camionetes novas não utilizam mais esse produto, chamado também de S500, era esperado que sobrasse).

Vendemos todos os nossos produtos ao preço da bomba aos nossos clientes, sem explorar nem ser oportunista, ao valor de: E – R$ 2,799, G – R$ 4,299, D – R$ 3,799 e S – R$ 3,899. Infelizmente, vimos relatos em nossa cidade de maus concorrentes que “sacanearam” os fregueses vendendo Gasolina a mais de R$ 6,00 e o Etanol a R$ 4,00. É necessário o consumidor lembrar que o produto não subiu nesses dias e o estoque vendido era o do preço normal.

Às 08h, vejo que, consultando os preços cadastrados à minha empresa (Auto Posto Harmonia) caso o produto chegasse hoje, estaria na bomba para venda a: E – R$ 2,899, G – R$ 4,354, D – R$ 3,679 e S – R$ 3,755.

ATUALIZADO – A última mensagem recebida às 08h30 da IPIRANGA (sou revendedor desta bandeira) diz que as bases continuam todas paralisadas, como aconteceu nos dias desta semana. Tudo imprevisível! Pode resolver a tarde, amanhã ou segunda-feira. O certo é: quanto mais tarde, pior!

Resultado de imagem para refinaria de Paulínia

Vista da REPLAN – Paulínia / SP

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