– Sobre as críticas aos novos administradores do SAFESP: observações e opinião pessoal.

Nem tudo que é permitido (que está legal, ou seja, dentro da lei), quer dizer que é devido. Se é permitido fumar, pode-se entender (no meu caso) que, apesar de estar dentro da lei, não se deve por fazer mal à saúde.

Digo isso por ler as críticas à nova diretoria do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo (SAFESP), e gostaria de externar meu ponto de vista (afinal, fui árbitro e gosto do assunto, mesmo não sendo mais associado).

Antes de entrar no ponto específico, entendo que não existe “almoço grátis”. Acabou a era do romantismo, onde se “trabalha pela causa”. São pouquíssimos que fazem ou fizeram isso (conta-se nos dedos). É ilusão imaginar que um presidente de clube de futebol ou diretor de sindicato possa abrir mão do seu tempo para trabalhar integralmente a uma causa. Se ele não se dedica de maneira integral, não pode ser cobrado e irá deixar vários problemas. Se trabalha integralmente, de onde vem o seu ganha-pão? A não ser que seja milionário e deixe de lado suas rendas para trabalhar de graça, ou equivocadamente defenda que abrirá mão do seu salário (não deve, pois se vai labutar com dedicação, precisa receber pelo esforço), a remuneração é indispensável – para a cobrança dos demais, inclusive.

Ser dirigente profissional é o ideal: remunerado, independente, a fim de permitir a cobrança de seus atos sem desculpas ou subterfúgios. Simples – embora financeiramente sabemos que está difícil.

Dito isso, vamos lá: bati um papo muito educado e cortês com Daniel Destro do Carmo, que fez parte da campanha de Aurélio Sant’Anna Martins, e lhe questionei se não entendia que a vice-presidente, Regildênia de Holanda Moura, estaria indo contra o estatuto do SAFESP ao trabalhar como avaliadora da FPF e instrutora na FIFA. Segundo ele, é um cargo técnico, não diretivo, em contraposição ao meu argumento de que Arthur Alves Jr, o antigo presidente, exercia incompatibilidade de funções ao trabalhar para a Comissão de Árbitros. Também quanto atuar no Campeonato Feminino (que verdadeiramente é amador), não fere, segundo ele, o Estatuto (e não vale argumentar que as moças recebem salário, pois a situação do futebol feminino, em nosso país, é calamitosa e todos nós sabemos).

A lei não obriga um sindicalizado ou dirigente sindical a estar desempregado propositalmente. Isso também é verdade, e não se discute também a legalidade ou a ilegalidade.

Mas… dá para discutir algo mais abstrato (para alguns): a ética, a moral ou a conveniência. E apeguemos quanto a esse ponto:

Mesmo estando de acordo com a lei, com o estatuto, com os princípios jurídicos, eu (que não apoio nem apoiei ninguém), entendi (como muitas pessoas) que existia a promessa de abandonar qualquer relação com a FPF em integralidade, e, enfim, não é isso. A promessa era o afastamento de cargo de chefia e atuação na arbitragem profissional. Inclusive, foi-me enviado para que eu pudesse ver que isso (o afastamento de tudo) nunca existiu nas promessas de campanha.

E aqui eu faço um mea culpa: EU (e alguns outros árbitros e ex-árbitros) equivocamo-nos no entendimento do discurso ouvido. Culpa minha, desatenção de entrelinhas ou até mesmo do entendimento claro. Talvez faltou-me astúcia na interpretação do texto. Ainda bem que eu não repliquei nada quanto a essa ou outra campanha, a fim de não iludir eleitores quanto ao voto por erro meu.

Para mim, uma total isenção das relações da FPF com o SAFESP (não quero dizer que as relações devam ser odiosas ou amorosas, apenas profissionais e de interesse da entidade) pede que não exista o trabalho de dirigente do SAFESP (remunerado ou não) para a FPF. Afinal, corre-se o risco de assedio financeiro e/ou moral, com a possibilidade de, em caso de entendimento contrário de posições, Regildênia (ou Aurélio ou quem for) ter a sua função cortada / menos escalada. E é por isso que insisto: os cargos devem ser remunerados, transparentes, para jornada de trabalho definida e longe da porta da Rua FPF, para não correr esse risco citado de “coceira” com o alinhamento das posições do “empregador” ao invés dos “empregados” (as aspas explicitam o que quero dizer). Afinal, não era esse um dos grandes motes da campanha, a independência?

Utopia?

Talvez. Ok. Pode ser.

Argumentar-se-á que a independência não depende necessariamente de valores. Concordo, isso vai da virtude das pessoas. E ainda assim penso ser necessária (a independência total) e um erro da administração atual (pela enésima vez: é um ponto de vista pessoal, meu, opinativo, não absoluto, respeitando quem entende o contrário).

Respeito toda a explicação minuciosa, os documentos citados, as questões jurídicas legais, mas repito: eu pensava que a ideia passada (a que eu entendi, mas penso ter me equivocado) era de distanciamento das funções. Não é isso que está acontecendo, embora, pareça estar tudo dentro da legalidade (pelo que os membros entendam ser legal). Para mim, um erro de visão!

Já imaginou o que pode acontecer quando um árbitro se sentir prejudicado pela avaliação de um jogo, e essa avaliadora for a Regildênia? Mesmo ela estando certo, ela ouvirá no Sindicato como vice-presidente Regildênia a queixa contra a nota da avaliadora da FPF Regildênia? Aí o árbitro (mesmo que não seja verdade ou real) alegará que a sua nota foi prejudicada por ter apoiado outra chapa no Sindicato…

INSISTO DE NOVO: não estou dizendo que isso acontecerá; mas o risco de existir, não sejamos ingênuos, pode acontecer.

Vale o complemento: como tem gente oportunista que quer tirar uma casquinha disso, não? Nunca cobrando a incompatibilidade da gestão anterior (alegando que nunca se discutiu essa situação) mas cobrando a atual (que entendo igualmente estar errada, embora minha ignorância possa entender que, mesmo com os documentos dizendo o contrário, o comportamento não deveria ser esse).

O pau bateu em Francisco, poupando-se o Chico como se nunca tivesse existido. Não pode.

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