– Qual a melhor equipe de futebol de todos os tempos (segundo Tostão)?

Dias atrás me questionei sobre qual seria o melhor escrete de futebol já montado: o Santos de Pelé, a Seleção de 70, o Real Madrid de Di Stéfano, o Barcelona de Guardiola ou o de Luiz Henrique.

Tostão tirou minhas dúvidas. Apesar da resposta não ser objetiva, é uma AULA de quem viveu dentro das 4 linhas e entende muito do assunto. Abaixo, extraído de Folha.com, (de 2015):

ENCONTROS E REENCONTROS

Aconteceu o mais provável. O Barcelona ganhou, com facilidade, do River Plate. A diferença entre os maiores da Europa, ainda mais o Barcelona, e os melhores sul-americanos é enorme.

Um leitor me perguntou quem é melhor, a seleção brasileira de 1970 ou o Barcelona? Não sei. Tentei comparar e desisti. O futebol mudou muito, embora existam semelhanças entre os dois times. Jogam no mesmo sistema tático, com quatro defensores, três no meio-campo e três atacantes (4-3-3).

As duas equipes têm apenas um volante, além de um armador de cada lado, e não possuem o clássico meia de ligação, uma tendência mundial. A maioria dos atuais times joga com dois volantes, três meias, sendo um centralizado e próximo ao centroavante (4-2-3-1). O que é mais moderno já existia 45 anos atrás.

Na prancheta, o sistema tático é o mesmo, mas o Barcelona é mais bem dividido em campo. O armador mais marcador e mais recuado, Busquets, joga pelo centro, com Rakitic de um lado e Iniesta de outro.

Na seleção de 1970, quando o time perdia a bola, Gerson, o mais organizador, era o armador central. Clodoaldo, o mais marcador e mais recuado, atuava de um lado, e Rivellino, de outro. Gerson e Rivellino tinham as mesmas funções de Rakitic e de Iniesta, de marcar e de avançar.

Independentemente do desenho tático, o Barcelona, assim como o Real Madrid, o Corinthians e outras equipes, joga com apenas um volante, um centroavante e mais quatro jogadores entre eles, que atuam de uma intermediária à outra. Marcam e atacam com cinco, além do avanço dos laterais. Na seleção de 1970, um time revolucionário, não havia nem o centroavante fixo.

O Barcelona possui características marcantes. Uma é marcar por pressão e recuperar a bola onde a perdeu. Outra é trocar passes desde o goleiro, mesmo se o adversário avançar a marcação. Raramente, dá chutões ou cruza a bola na área, para contar com a sorte. Para isso, é preciso muito talento individual e também treinamentos.

Quando vejo o Barcelona trocar passes, lembro-me do Santos de Pelé, que fazia o mesmo, cadenciava a partida, parecia lento e, de repente, acelerava até fazer o gol.

Durante muito tempo, o Brasil dividiu o meio-campo entre os volantes que marcavam e um único meia, responsável por toda a armação das jogadas. Desapareceram os meio-campistas, como Gerson, Rivellino, Rakitic, Iniesta e outros. Sem armadores habilidosos para sair com a bola, passaram a predominar os chutões. Foi um longo atraso em nosso futebol.

O Santos de Pelé, a seleção inglesa de 1966, a brasileira de 1970, a holandesa de 1974 e o Barcelona, base da seleção da Espanha nas conquistas do Mundial de 2010 e das Eurocopas de 2008 e 2012, revolucionaram o futebol, porque atuaram de maneira diferente do habitual da época e porque influenciaram transformações no estilo de se jogar em todo o mundo. Houve outros excepcionais times, mas não com a mesma importância.

Resultado de imagem para seleção de 70

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