– Até Gênios Erram e Merecem outra Chance!

Punir quem erra sem uma chance de conserto é burrice. Até gênios erram. Quer um exemplo?

Galvão Bueno, locutor excepcional da Rede Globo, confidenciou que logo no seu primeiro trabalho cometeu um erro gravíssimo: errou o vencedor do GP de Fórmula 1 no qual fazia sua estréia. Teve certeza da sua demissão, mas, felizmente, um diretor o seguro para uma segunda chance.

E se Galvão tivesse sido demitido?

Vale a pena pensar duas vezes antes de punir. Veja que depoimento interessante (extraído de: http://is.gd/NC9nQK)

ERREI O VENCEDOR DO GP

Galvão Bueno conta como deu a vitória ao piloto errado em sua estreia como locutor de Fórmula 1 na Rede Globo

Por Flávia Iuri

Fui para a Rede Globo há mais de 30 anos, no segundo semestre de 1981. Nas transmissões da Fórmula 1, minha estreia foi no Grande Prêmio (GP) da África do Sul, de 1982. Eu e o Reginaldo Leme (comentarista). A locução de Fórmula 1 é muito difícil. Comparável com a de um desfile de escola de samba. Você tem de entender o enredo. Não é como no futebol, em que está tudo ali para todo mundo ver. O cara chuta, faz falta. A bola vai para fora, o jogador faz o gol, perde o gol. A corrida tem tática de parada. É preciso entender se o carro está ganhando ou perdendo rendimento. Hoje, tenho as páginas de computador que me dão, volta a volta, a classificação, a diferença entre um carro e outro, a média de velocidades. Naquele tempo não tinha. Uma jornalista ajudava a montar o mapa da corrida. Fazíamos os cálculos manualmente e não podíamos tirar os olhos da pista.

Não havia parada para trocar pneus. Não havia reabastecimento. Se o pneu de alguém furasse, ele estava praticamente fora da corrida. Os carros iam do começo ao fim da corrida sem parada, as trocas eram raríssimas. O pneu do carro do Alain Prost furou. Ele parou no boxe, trocou o pneu e voltou. Mas, da nossa posição, eu não via a saída dos boxes. Só a entrada. E, depois de voltar, o Prost ultrapassou o René Arnoux. Não tive visão da ultrapassagem e achei que ele estivesse tentando tirar uma volta de atraso. Eu falava enfaticamente: ‘René Arnoux! Não há a menor possibilidade de ele perder a corrida. René Arnoux faz uma corrida espetacular. O Prost voa na pista, mas Arnoux tem uma enorme vantagem, de praticamente uma volta inteira. Não tem como perder. Não pode perder. É o René Arnoux! René Arnoux!’.

Daí chega a imagem da TV e mostra o Alain Prost recebendo a bandeirada. O vencedor era ele, que havia feito a ultrapassagem que não vimos. Na minha primeira corrida de Fórmula 1 na Globo, errei o vencedor. Olhei para o Reginaldo, em estado de semipânico, para pedir ajuda. Ele abriu os braços e fez cara de ‘não sei o que fazer’. Fomos para os comerciais. Quando a transmissão voltou, recomecei como se nada tivesse acontecido: ‘Esse Prost é um fenômeno, maravilhoso, sensacional. Entrou para a história! Furou o pneu, foi para os boxes, trocou pneu, voltou, tirou a diferença e ganhou a corrida. Fantástico! Fantástico!’.

A volta de Johannesburgo para São Paulo era um voo de oito horas e meia. Passei esse tempo todo pensando no que o Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, diretor da TV Globo) ia fazer. Existia essa mística sobre o perfeccionismo do Boni, que não admitia erros. Para mim, era certo que o Boni ia me demitir. Foi uma tortura. O evento seguinte era o Grande Prêmio do Brasil. O Boni até quis me deixar de fora, mas o Ciro José, na época diretor de esportes, me bancou. Lembro que a caminho do autódromo eu ainda disse para o Ciro: ‘Se eu aprontar outra dessas, estamos, eu e você, na rua’. Não foi preciso. Fiz a transmissão do GP naquele ano e em todos os anos seguintes. No mês passado, cobri meu 30o Grande Prêmio do Brasil pela Globo. Mas a estreia foi um susto.

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